Alerta sobre casos de febre maculosa é emitido aos 92 municípios do Rio

Publicado em 08/08/2014 Editoria: Saúde
Michelle Neto/ RJNEWS

Michelle Neto/ RJNEWS

A febre maculosa é uma infecção aguda causada por uma bacté­ria, chamada de rickettsia rickettsii. O nome complica­do é definido popularmente como a doença do carrapato estrela ou como febre macu­losa. A superintendência de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da secretaria de Estado de Saúde no Rio de Janeiro confirmou na terça-feira, dia 29 de julho, mais uma morte por febre maculosa no município de Varre-Sai, no Noroeste Flu­minense.

A vítima foi um homem. Somado, o estado já registra quatro óbitos provocados pela doença, ou seja, três em Varre-Sai e uma em Nativi­dade. Para tentar entender, a equipe de reportagem do jornal RJNEWS, esteve na secretaria municipal de Vi­gilância Sanitária de Rio das Ostras e conversou com a subsecretária de Vigilância em Saúde e Saneamento, Adriana Moutinho.

Ela explica que esta é uma doença rara, porém, o número de pessoas diag­nosticadas vem aumen­tando. “Mesmo tendo esse registro na região Noroeste do Estado, que já chegam a quase 100 casos e quatro óbitos, a cidade de Rio das Ostras não tem registro de casos em pessoas e nem regis­tro histórico”, explicou de forma a tranquilizar a população.

E para evitar que a doença chegue e se insta­le no município, Adriana disse que depois que o governo do Estado emitiu alerta para os 92 municí­pios, todos os profissio­nais estão orientados a fi­carem atentos a qualquer tipo de comportamento que venha parecer com a febre maculosa. Ela é uma doença febril que pode evoluir até de for­mas graves.

Após ser infectada pelo carrapato, a pessoa pode levar até uma se­mana para apresentar os primeiros sintomas. Os mais comuns são ce­faleia, dores musculares e dores nas articulações. “A febre maculosa tem tratamento e deve ser iniciado imediatamente após a primeira suspeita. Deve-se procurar atendi­mento médico e evitar a automedicação, tão logo, apareçam os sinais da do­ença. Mas, Rio das Ostras não tem nenhum históri­co da doença”, afirmou.

A Rickettsia é uma bactéria que sobrevi­ve basicamente dentro das células dos carra­patos. Estes carrapatos são também conheci­dos como “carrapato­-estrela”, “carrapato de cavalo” ou “rodoleiro”. Eles infestam animais domésticos como as ga­linhas, cavalos, bois, ca­chorros e porcos e tam­bém animais selvagens como os gambás, as ca pivaras, cachorros-do-mato, coelhos, tatus e cobras.

O carrapato infectado pica o hos­pedeiro, e através de sua regurgitação inocula a bactéria na corrente sanguí­nea do animal ou, mais raramente, em feridas abertas. No homem, isso não é comum porque para que haja a infec­ção o carrapato tem que ficar aderido de 4 a 6 horas.

Todas as pessoas são susceptíveis à infecção as quais, depois de infectadas, adquirem imunidade, provavel­mente para o resto da vida.

Para prevenir a contami­nação, Adriana lembra que as pessoas devem evitar andar em áreas campestres, com mato alto. “É recomendado o uso de calças compridas, meias e botas, além de roupas claras. O repelente para car­rapato também é indicado, principal­mente, nos locais onde já foram re­gistrados casos da doença. Nunca ar­ranque o carrapato puxando. O certo é segurá-lo e girar para que parte dele não fique presa à pele e, consequente­mente, não se forme uma ferida e com isso uma infecção”, relatou.

Apesar disso, esta infecção não passa de uma pessoa doente para outra por contato físico nem contato com saliva, urina ou fezes. Sobre as doenças no norte do Estado, ainda há 71 casos suspeitos sendo investigados. As amostras passam por análise labo­ratorial e aguardam confirmação. As notificações foram registradas em lo­calidades nos municípios de Nativida­de, Varre-Sai, Itaperuna, Porciúncula e Bom Jesus do Itabapoana.

Técnicos da Vigilância Epidemio­lógica Estadual e agentes municipais de saúde seguem fazendo coleta para análise do carrapato da espécie Am­blyomma Cajennense, popularmente conhecido como “carrapato estrela”, principal transmissor da doença. Ele pode ser encontrado mais comumente no pelo de cães, cavalos e capivaras. De acordo com dados do Ministério da Saúde, em 2013, foi registrado apenas um óbito por febre maculosa em todo o Estado do Rio de Janeiro.

› FONTE: RJ News