Cursos intensivos de idiomas são recomendados para fins específicos

Publicado em 12/01/2014 Editoria: Educação

Para quem gosta ou precisa aprender um novo idioma, os cursos intensivos de línguas são uma alternativa, seja para aproveitar o tempo livre das férias ou adiantar o aprendizado necessário para experiências no exterior, como intercâmbio. Mas é preciso entender que o grande volume de conteúdo em tão pouco tempo pode não ser produtivo para o cérebro, como destaca a técnica em Assuntos Educacionais da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Franciane Santos. "O caráter dos cursos intensivos não é pedagogicamente recomendado para vários níveis seguidos, porque a questão do aprendizado da língua envolve outros fatores; a cognição do aluno pode não processar tanta informação".

No entanto, fazer cursos intensivos de línguas esporadicamente pode acelerar o aprendizado e ser vantajoso para o estudante, principalmente quando o ensino é focado em alguma das quatro habilidades globais (leitura, escrita, conversação e compreensão auditiva). "Se você fala da aprendizagem instrumental, para fins específicos, nesses ambientes, os cursos intensivos podem funcionar muito bem. Se for para aprender a língua no sentido mais amplo, não é tão recomendado assim fazer vários níveis sequencialmente", explica Franciane. Se o aluno tem um objetivo, como conversar, ler, preparar-se para um contexto ou até entender textos acadêmicos, em um mês, é possível obter resultados positivos.

Contato com a língua dentro e fora da sala de aula

O ideal para aprender qualquer idioma, em qualquer contexto, é garantir a maior exposição possível a uma educação formal e informal da língua, segundo o gerente acadêmico da Associação Cultura Inglesa de São Paulo, Vinícius Nobre. Sistematizar a aprendizagem por meio do ensino formal, além de criar um ambiente artificial para viver a língua, garante ao aluno se fixar em um quadro de competências específicas dentro de níveis, o que pode não ocorrer com quem estuda por conta própria, de acordo com Franciane. "Para sair do zero sem saber nada e ficar fluente, o quadro de referência do Marco Comum Europeu diz que é preciso ter 1200 horas de estudo formal", afirma Nobre.

Mas como em qualquer tipo de aprendizado, a dedicação do aluno conta muito. Para que o curso intensivo de línguas não seja perda de tempo, deve haver dedicação em casa para fixar o conteúdo, por meio de exercícios e contato com a língua em diferentes recursos (como músicas, filmes ou leituras). Segundo Nobre, este é o maior desafio que os alunos encontram, pois não dão conta de assistir às aulas e complementar o estudo em casa. "Fazer todo um trabalho de manutenção fora das aulas é o ideal, mas, às vezes, alguns ficam sobrecarregados pela quantidade de informação", alerta.

Nobre ainda recomenda que os alunos mantenham "os pés no chão”, pois acelerar o aprendizado em um número condensado de horas pode ajudar, mas o ritmo de cada pessoa deve ser respeitado. "Existe certa ilusão e ingenuidade de que, se você fizer um curso muito corrido, você acelera o conhecimento", afirma. Durante as aulas, alguns métodos podem ajudar na fixação do conteúdo – como trazer variedade de temas na língua, utilizar recursos tecnológicos para a aula ficar mais interativa, focar na comunicação real e em aspectos sociais –, mas a eficácia de atividades extraclasse dependem do aluno e devem ser bem aproveitadas. "É preciso educar esses alunos, conscientizando que a questão do aprendizado não acontece só em sala de aula. Acontece o tempo inteiro e deve haver engajamento pessoal para acontecer". A grande vantagem das férias, portanto, é o maior tempo livre dos alunos para se dedicar ao estudo.

Intercâmbio

Alunos que irão participar de intercâmbio de ensino superior ainda em 2014 precisam "mergulhar de cabeça", segundo Franciane, e podem fazer dois cursos em um semestre, pois é preciso ter conhecimento equivalente ao nível intermediário.

O Curso de Línguas Aberto à Comunidade (CLAC), localizado na UFRJ há mais de 20 anos, oferece cursos de diversas modalidades, entre elas o instrumental para intercâmbio. Também um espaço de formação para os graduandos da Faculdade de Letras da UFRJ, que ministram cursos extensivos com a orientação de professores da instituição, o CLAC contrata acadêmicos internacionais para ensinar em um curso especial aos alunos que irão estudar universidades do exterior. Os valores dos cursos são baixos e característicos de instituições públicas: em cada nível, R$ 290 para os cursos tradicionais e R$ 460 para os de intercâmbio, os quais exigem formação especializada e maior carga horária, de acordo com Franciane.

Em 2013, houve uma nova experiência de cursos intensivos no verão, com o conteúdo de um semestre visto em um mês e meio, com 9 horas semanais nos cursos tradicionais, divididas em três turnos, e 12 nos cursos para intercâmbio, divididas em quatro turnos. "Na reunião com os professores ao final dos cursos, procuramos saber até que ponto eles são válidos e a opinião do grupo, de modo geral, foi de que os resultados foram positivos, apesar das dificuldades inerentes à natureza dos cursos intensivos", afirma Franciane. No curso intensivo de alemão para intercâmbio, por exemplo, 95% dos alunos estavam se preparando para estudar no exterior pelo programa do governo Ciências sem Fronteiras e obtiveram bons resultados com a experiência, cujo foco é preparar para gêneros textuais acadêmicos.

› FONTE: Macaé News (www.macaenews.com.br)