Especial Macaé 207 anos: A cultura para educar, valorizar e desenvolver a sociedade

Publicado em 31/07/2020 Editoria: Cultura
Museu Solar dos Mellos é voltado para a pesquisa, preservação e divulgação da memória da cidade

Museu Solar dos Mellos é voltado para a pesquisa, preservação e divulgação da memória da cidade

“Cultura é o que define a identidade de uma nação. Saber reconhecer e valorizar seus traços culturais e expressá-los através das artes é uma grande oportunidade de desenvolvimento em todos os sentidos, inclusive econômico e educacional”. É com essa declaração do presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Macaé (CMPCM), Helder Santana, que nós iniciamos a última matéria da série especial em comemoração aos 207 anos da cidade, que traz a cultura como tema.

Macaé tem a comemorar quando o tema é cultura? Para o secretário municipal de Cultura, Bruno Ribeiro, e Helder Santana a resposta é sim, a cidade tem muito a comemorar.

“Do ponto de vista geral, Macaé é um celeiro cultural incrível: uma história linda, um elenco incrível, grandes músicos, duas sociedades musicais centenárias, figuras que entraram para a história das artes e da cultura do país, como Benedicto Lacerda e Eliezer Gomes. Também atrai uma incrível diversidade de gêneros nas vertentes culturais”, informa o presidente do Conselho.  

Bruno acrescenta: “Temos que comemorar o aumento significativo da capacidade de atendimento dos Polos Culturais, oferecendo mais oportunidade e acesso à cultura. Acredito que plantar a semente da cultura em uma criança é regar o futuro e colher grandes artistas. Vejo um potencial crescente dos artistas locais”, salienta.

O secretário destaca que o município possui dois cursos técnicos profissionalizantes voltados para a formação artística, Escola Municipal de Dança, diversos cursos livres de teatro, pintura e musicalização, coros e vários polos culturais, com diferentes atividades, em pontos específicos na cidade.

Os entrevistados salientaram a importância do Conselho e disseram que os integrantes estão trabalhando com muito foco para fomentar ações importantes na cidade. Bruno frisa que a secretaria está atuando junto com os conselheiros para apoiar os profissionais durante a pandemia. “Estamos nos organizando para estarmos aptos a receber a verba da Lei Federal Aldir Blanc e, assim, atender da melhor forma os anseios da classe cultural macaense. Faremos uma ampla divulgação para o cadastramento. Esperamos que essa verba fomente ainda mais a cultura como um todo através dos editais, bem como através do auxílio para o sustento da classe”, afirma.

Apesar de muitas ações consolidadas no município, os desafios são constantes. De acordo com Bruno, um dos maiores é ter uma cultura acessível para toda população. “Esse é o maior deles. Buscar essa acessibilidade é a energia que nos move. Espero no novo normal, quando esse momento passar, estarmos ampliando ainda mais o potencial de atendimento, para quem sabe um dia poder dizer que temos vagas sobrepondo o número de interessados”, diz.

Nesse sentido Helder reforça: “Acredito que existe um problema estrutural em nossa sociedade. Somos muito desiguais, diria injustos mesmo, tanto na distribuição de renda, quanto de oportunidades. E isso se reflete em tudo, inclusive no acesso a bens e serviços de cultura. Obviamente há esforços públicos e privados para tentar diminuir essa diferença, mas é preciso que tenhamos esforços continuados e isso exige participação e pressão das pessoas”, destaca.

O presidente do Conselho reforça que ainda falta continuidade dos projetos de políticas públicas e iniciativas privadas voltadas para as artes e culturas e conta os maiores desafios do setor, no seu ponto de vista. “Precisamos ter estratégias para abrir oportunidades de empreendedorismo, emprego e renda para os profissionais das artes e cultura. Nossa cidade ainda não aproveita todos o seu potencial, por exemplo, para atrair equipes de produção de cinema, TV, mesmo sendo um verdadeiro cenário a céu aberto, com as mais diferentes paisagens. Há dois teatros na cidade, SESI e Municipal, mas o setor precisa estar mais articulado para fortalecer e se tornar um hábito constante. Ter um público habitual”, diz.

O secretário informa que ano passado o Teatro Municipal recebeu a iluminação cênica permanente, através de Edital da Funarte, e acredita que isso ajudará a trazer mais apresentações para Macaé. Em relação a apresentações dos artistas locais, ele disse que o espaço foi bastante aproveitado.  “O nosso teatro tem uma capacidade pequena, apenas 310 lugares. Hoje temos iluminação própria o que diminui os gastos das companhias para trazer seus espetáculos. A falta da iluminação aumentava o valor dos ingressos e consequentemente desinteressava a quem o procurava para apresentações. Apesar disso, o Teatro Municipal teve uma programação contínua nos últimos dois anos, com a programação atendendo a população nos finais de semana, com espetáculos locais e de fora, e durante a semana tendo aulas dos cursos técnicos”, explica.

Bruno finaliza ressaltando a importância da cultura nesse momento de pandemia que o mundo vive. “A arte e a cultura neste momento está sendo vital para manter o equilíbrio em todos nós. Nunca houve um momento como este que estamos consumindo cultura com tanta avidez. Muitas pessoas têm descoberto um interesse e potencial artístico que não sabiam que tinham. A arte alimenta a alma e a criatividade. Levar a arte neste momento é algo surpreendente e emocionante e muitos artistas da cidade estão empenhados, fazendo lives e sensibilizando numa corrente de união”, conclui.

Jornalista: Tathiana Campolina

Foto: Secom / Rui Porto Filho

 

› FONTE: Macaé News (www.macaenews.com.br)