Educação especializada é aplicada aos alunos superdotados

Publicado em 07/10/2019 Editoria: Educação
Artur de Almeida tem seis anos, recebe acompanhamento diferenciado, ele lê e escreve desde os dois anos de idade

Artur de Almeida tem seis anos, recebe acompanhamento diferenciado, ele lê e escreve desde os dois anos de idade

O atendimento aos alunos de altas habilidades-superdotação é um diferencial da rede municipal de Macaé. Atualmente, cerca de 15 alunos foram sinalizados pelos professores por apresentar este perfil. Quando um estudante é identificado nas escolas municipais, recebe atendimento suplementar em uma das 53 salas de recursos multifuncionais no horário inverso ao da aula. Estes estudantes são atendidos nas escolas municipais Maria Letícia Santos Carvalho (Novo Cavaleiros), Elza Ibrahim (Ajuda), Antônio Alvarez Parada (Imbetiba), Interagir (Centro) e Ana Benedicta da Silva Santos (Centro).

Artur de Almeida Campos Gessario, é um destes. Aluno da Escola Municipal de Educação Infantil Ana Benedicta, o pequeno de apenas seis anos se destaca na área de Linguagem e Cognição. Desde os dois anos, ao ingressar na escola, ele foi avaliado pela sua habilidade de ler e escrever. A facilidade em aprender atraiu a atenção dos professores, que logo sinalizaram para os pais a potencialidade do menino.

A mãe de Artur, Andrea de Almeida de França Ferreira Gessario, elogia o atendimento nas salas de recurso e de aula. Desde que ele entrou na escola foi percebido que ele lia muito e sempre foi muito curioso. O diferencial é que ninguém ensinou. O suporte da escola foi maravilhoso. Eles sugeriram a procura ao psicólogo e, até hoje, estamos recebendo esse acompanhamento. Agradeço o carinho de todos os professores", pontua.

Estudioso, esperto e comunicativo, Artur confessa estudar, escrever, jogar capoeira e futebol, além de ler. "Estou lendo um livro de 111 páginas. Todos os dias passo na biblioteca e pego uma livro emprestado. Quando crescer quero ser médico e jogador de futebol", conta o menino.

Artur é acompanhado pela professora da sala de recursos, Janiane Salgado Rozendo. Também formada em Psicologia, ela destaca que o atendimento aos alunos com altas habilidades acontece uma vez na semana e é oferecido de acordo com a demanda. A professora lembra que o aluno com altas habilidades-superdotação tem direito à inclusão sem laudo, bastando parecer pedagógico, conforme a Resolução nº 4, de 2 de outubro de 2009.

Junto às turmas do 1º ao 5º ano, as salas de recursos também oferecem estratégias diversas. Professora do Colégio Municipal Interagir, Ângela Maria Pinto Manhães, esclarece que os superdotados precisam de estímulo escolar suplementar, pois podem demonstrar desinteresse pelas atividades se não forem estimulados a desafios. "O aluno com altas habilidades de nossa escola recebe atividades diferenciadas. O atendimento é voltado para interação com o grupo, em que o assistido é levado a ajudar o grupo de colegas. O bom é que toda a turma é estimulada", explica.

Segundo o secretário de Educação, Guto Garcia, outras características comuns entre crianças superdotadas são: extrema curiosidade, boa memória, atenção concentrada, habilidade para considerar pontos de vistas de outras pessoas, entre outros. "Macaé atende ao decreto 6.571/2008, que determina aos sistemas de ensino matricular os alunos com deficiência, transtornos globais do “desenvolvimento" e altas habilidades/superdotação nas classes comuns do ensino regular e no Atendimento Educacional Especializado (AEE), ofertado em salas de recursos multifuncionais ou em centros de atendimento Educacional Especializado da rede publica", esclarece.

Alunos do Ensino Fundamental participam de projetos

Os alunos com altas habilidades-superdotação que estudam no Ensino Fundamental são encaminhados para atendimento na rede de proteção básica (atendimento de saúde), além de aulas na Escola de Artes Maria José Guedes, cursos no Centro de Idiomas e aulas de robótica no labInovareAprender da Cidade Universitária. "Despertar o interesse e engajamento não apenas do superdotado, mas de toda a turma é essencial. Esse atendimento é voltado para melhor formação do aluno. Os professores, por exemplo, participam de formações continuadas recebem orientações de atividades extracurriculares que podem ser feitas pelos estudantes", ressalta a coordenadora da Educação Especial, Regina Signé.

Os estudantes do 6º ao 9º ano do Colégio Municipal Maria Letícia dos Santos Carvalho (Novo Cavaleiros) participam, por exemplo, do projeto "Produzir o Conhecimento". Os alunos participam de visitas guiadas, em que eles conhecem alguns laboratórios de pesquisa e aprendem sobre os cursos disponíveis pela universidade. De acordo com a professora da sala de recursos, Adriana Bittencourt, o projeto incentiva a pesquisa e oportuniza aos alunos o acesso a novos conhecimentos promovendo o enriquecimento curricular previsto por Lei Federal (LDBEN, 9394/96) para os alunos com altas habilidades/superdotação.

Bianca Borges da Silva Leão tem 14 anos, está no 9º ano e tem como disciplinas preferidas Matemática, Física e Química, além de leitura, e já sabe o que quer para o futuro. "Fui convidada a participar da sala de recursos por ter mais habilidades e estou gostando. Quero estudar no Instituto Federal Fluminense (IFF) ou Colégio Aplicação (CAp) para, posteriormente, seguir as áreas de Psiquiatria ou Psicologia Forense", conta.

Com notas excelentes desde pequena, quando estudava na Escola Municipal Jacyra Tavares Duval (Novo Cavaleiros), a aluna Catarina Kourt Moreira, do 6º ano, ama Ciências Exatas (Matemática e Álgebra), diz que está se preparando para o futuro. "Quero fazer Artes Plásticas ou Astronomia. Amo estudar e fazer parte da sala de recursos me ajuda muito", comenta.

Já o estudante Nauhan de Oliveira Alves tem potencialidades para a área de Exatas e pretende cursar Astronomia ou Ciência da Computação. "Não me acho gênio. Estou animado para conhecer a Cidade Universitária, os laboratórios e pesquisas. Sempre tirei notas boas, estou me preparando para fazer intercâmbio e estudar no Colégio de Aplicação", comenta o aluno do 8º ano.

› FONTE: Secom Macaé