Ciclistas do Rio querem roubos de bicicletas nas estatísticas do ISP-RJ

Publicado em 07/06/2015 Editoria: Segurança

O presidente da Comissão de Segurança no Ciclismo, Raphael Pazos, disse que após o governador Luiz Fernando Pezão sancionar a lei que especifica o roubo de bicicletas, aprovada na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na última terça-feira (2 ), a próxima luta dos ciclistas será para conseguir incluir os roubos nas estatísticas do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro.

Segundo Pazos, a comissão foi criada por causa da morte de um triatleta; depois, foi criada uma lei que definiu áreas de proteção para ciclistas de competição; agora, as discussões evoluíram com a morte, em consequência de um assalto, do ciclista Jaime Gold, na Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul do Rio. "Mas precisa avançar mais, e não ficar apenas na sanção da nova legislação", ressalvou.

Pazos deu como exemplo os roubos de celulares e residências, incluídos nos dados do ISP.  “Existem vários tipos de roubos que entram nas estatísticas. Só que tem o delito meta, aquele que eles [integrantes do ISP] querem reduzir o número, e está entre os mais importantes. Depois que a tipificação dessa lei sair, a gente vai lutar para que esse item dos roubos e furtos de bicicletas vire delito meta. Se eles decidirem baixar os índices deste delito, o item entra para as estatísticas do ISP”, explicou em entrevista à Agência Brasil.

Ele disse que as expectativas para a sanção pelo governador são as melhores possíveis. Para ele, a aprovacão da lei mostrou que a sociedade civil cumpriu com o papel de alertar o Poder Público para o problema que enfrentam os ciclistas. “Comunicamos que no último ano a bicicleta se tornou um bem cobiçado; que a bicicleta é a bola da vez. Estamos muito confiantes com a conquista da lei, só que também estamos com pé no chão, pois uma lei por si só não adianta se todos os personagens envolvidos não tiverem comprometimento e engajamento de cumprir sua parte”, acrescentou.

De acordo com Pazos, o primeiro que precisa se conscientizar é o lojista. Como a lei, quando entrar em vigor, vai exigir que o número de série da bicicleta seja incluído na nota fiscal, o lojista, cumprindo a legislação, vai facilitar a identificação das bicicletas. Ele destacou também a conscientização da população, que deve desconfiar e evitar comprar em sites que oferecem  produtos com preços abaixo do mercado. Isso pode indicar que o produto é roubado.

Pazos alertou ainda para a conscientização do policial, que ao fazer o registro de ocorrência precisa incluir o número de série. “Já que agora a lei prevê a tipificação da bicicleta em um sistema de segurança pública, que ele identifique a bicicleta de acordo com aquilo que a vítima falar, botando o número de série, a cor, marca, o modelo, porque só com esses dados é que tudo vai funcionar”, defendeu.

Ontem (4), 15 ciclistas da comissão agiram como voluntários na identificação de bicicletas, que foram recuperadas e estão estocadas na 10ª Delegacia de Polícia (DP), em Botafogo. Pazos explicou que atualmente quando um ciclista tenta localizar uma bicicleta roubada, entre as recuperadas pela polícia, passa por verdadeira via crucis em várias delegacias. Ele informou que após a sanção da lei, haverá um cadastro com as bicicletas identificadas no site que hoje já inclui a lista das que foram roubadas. “O legal disso tudo é essa parceria da sociedade civil com o Poder Público. Isso é uma coisa inédita. A gente está plantando a sementinha da cidadania em todo mundo para que cada um faça a sua parte”, enfatizou.

O cadastro de bicicletas identificadas, chamado de Achei a minha Magrela, tem, segundo ele, o objetivo de devolver o bem ao seu real proprietário, e o modelo poderá ser replicado para outras delegacias. “Isso tudo está sendo feito porque sabemos que vão aumentar ainda mais os roubos e furtos de bicicletas, porque quanto mais o Estado promova a bicicleta como meio de transporte, esporte, lazer e turismo, mais pessoas vão utilizar bicicletas. Quanto mais bicicletas na rua, mais roubos e furtos. Isso não vai acabar. Cidades como Paris, Amsterdã e Londres têm esse problema, mas é mais quando a pessoa não está presente, diferente aqui do Brasil, onde está tendo mais roubos de forma agressiva”, explicou.

Pazos informou que o projeto começou pela 10ª DP, porque houve iniciativa da própria delegada Bárbara Lomba em produzir números de identificação, e em contato com a comissão foi criado o Achei a minha Magrela. Com o trabalho dos voluntários houve a identificação de 75 bicicletas, que estarão também em uma janela no site www.bicicletasroubadas.com.br. “Este site há anos faz o trabalho para a polícia quanto às bicicletas roubadas. Quando a vítima vai fazer um registro de ocorrência na delegacia também cadastra a bicicleta roubada no site. Se alguém for comprar uma bicicleta, e antes consultar o site, saber´-a se a bicicleta é roubada ou não”, completou.

FA

› FONTE: Macaé News (www.macaenews.com.br)