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Advogados pedem punição de juiz que abriu depoimentos da Lava-Jato

Publicado em 16/10/2014 Editoria: Geral sem comentários Comente! Imprimir


Advogados criminalistas de todo o Brasil articulam um movimento para pedir punições no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ao juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, relator dos processos relativos às investigações da Operação Lava-Jato da Polícia Federal. Os criminalistas dizem que há um vazamento seletivo do processo de investigação em curso na Justiça Federal. A Justiça Federal do Paraná, policiais federais responsáveis pela Lava-Jato e procuradores envolvidos no caso negam qualquer tipo de manipulação.

Na semana passada, foram divulgados trechos do depoimento do ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, no qual ele afirmava que partidos como PP, PMDB e PT recebiam propina de contratos feitos pela petrolífera. Os partidos recebiam 3% de todos os contratos da Petrobras, segundo o depoimento de Costa à Justiça Federal. A presidente Dilma Rousseff (PT) classificou como “muito estranho e muito estarrecedor” o episódio da divulgação do conteúdo desses depoimentos.

Na visão dos advogados criminalistas que articulam esse movimento contra Moro, houve irregularidades no vazamento de apenas parte das informações, principalmente pelo fato de que pessoas citadas como o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, não foram ouvidas para se defender das denúncias feitas por Paulo Roberto Costa. Outro ponto destacado por advogados é que não foi permitido a algumas assessorias jurídicas, como da própria presidente Dilma Rousseff e do PT, acesso à investigação.

O próprio PT vai ingressar em outra frente para a obtenção da íntegra dos depoimentos de Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, acusado de comandar um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 milhões, no Supremo Tribunal Federal (STF). O PT alegará que precisará se defender de eventuais imputações feitas por Costa ou mesmo por Youssef.

Do outro lado, tanto a Justiça Federal, quanto os procuradores responsáveis pelo caso e policiais federais, negam que exista qualquer tipo de irregularidade. Segundo os responsáveis pela investigação, tem ocorrido uma espécie de “confusão jurídica” e até “má fé de interpretação” do processo de investigação.

Nos bastidores, procuradores, policiais e delegados tem condenado a postura da presidente Dilma Rousseff de questionar as ações da Lava Jato. Eles alegam que esse tipo de postura presidencial fragiliza a obtenção das provas e pode levar à anulação de parte das investigações. Essa, inclusive, é a maior preocupação do juiz Sérgio Moro. Exatamente por conta desse detalhe que Moro tem evitado, até mesmo, falar sobre a investigação nessa fase de instrução. (US)

› FONTE: Macaé News (www.macaenews.com.br)


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