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Brasil enfrenta Argentina nas oitavas de Mundial de Basquete

Publicado em 07/09/2014 Editoria: Esporte sem comentários Comente! Imprimir


Por que acreditar que uma seleção derrotada nos últimos quatro jogos importantes para um mesmo rival enfim vai acabar com a freguesia? Há pelo menos cinco bons argumentos para confiar na quebra da escrita do Brasil contra a Argentina nas oitavas de final desteMundial de Basquete. Mas existem outros tantos para continuar com a pulga atrás da orelha.

O duelo está marcado para as 17h de hoje, domingo (7) em Madri.  Será no meio da rodada da Série A do Brasileiro, mas existem bons motivos para deixar o futebol de lado e torcer por um capítulo diferente no confronto vencido pela atual geração argentina nos Pré-Olímpicos de 2007 e 2011, no Mundial de 2010 e na Olimpíada de 2012. Será que o final agora será outro?

Cinco motivos para apostar no Brasil

1 - Força do garrafão

Tiago Splitter, Nenê e Anderson Varejão formam um trio de pivôs que impõe respeito a qualquer adversário. Jogando na NBA em equipes competitivas e com destaque, os três só não conseguiram dominar o garrafão contra a Espanha neste Mundial. Os donos da casa têm um trio de pivôs um nível acima do brasileiro, com Ibaka e os irmãos Gasol.

A Argentina tem em Luís Scola, um ala-pivô, sua principal força no Mundial. Mas seus companheiros de garrafão, Leo Gutierrez, Marcos Delia e Matias Bartolin, estão abaixo. Fazer prevalecer a força no garrafão, que garantiu ao Brasil a liderança de rebotes em quatro dos cinco jogos e a maioria dos pontos, pode ser uma das chaves para a vitória.

Nocioni cobra lance livre; no fundamento, Argentina dá de lavada
Nocioni cobra lance livre; no fundamento, Argentina dá de lavada

2 - Força coletiva

Cestinha do Brasil no Mundial, Leandrinho é apenas o 19º jogador a fazer mais pontos no torneio (13,6 por partida). Nos rebotes, Anderson Varejao é o nono mais efetivo com 7,6 obtidos de média. O armador Marcelinho Huertas tem acumulado atuações elogiadas, mas é apenas o 20º em média de assistências (4,5 por jogo). Três argentinos estão na frente de Huertas no fundamento: Facundo Campazzo, Pablo Prigioni e Nicolás Laprovittola.

O Brasil tem apresentado neste Mundial um jogo coletivo forte, com rotações constantes e participações importantes de seus 12 jogadores. No jogo contra a Sérvia, por exemplo, o Brasil conseguiu a virada no quarto final muito por conta de Marquinhos e Larry Taylor, dois jogadores que nos outros duelos estiveram discretos.

3 - Equipe completa e saudável

Rúben Magnano tem a sua disposição a equipe que considera ideal do Brasil, sem nenhuma ausência por lesão ou dispensa. Para melhorar, seu time chega às oitavas regenerado por dois dias de descanso, nenhuma baixa e ainda um jogo que teve caráter amistoso na última rodada da primeira fase contra o Egito. Fisicamente, o Brasil não poderia chegar melhor.

A Argentina, por sua vez, tem dois desfalques consideráveis para este Mundial: seu melhor jogador da história, Manu Ginóbili, e o jogador de NBA Carlos Delfino. Fora isso os argentinos jogaram mais tarde do que o Brasil na sexta-feira, quando fizeram uma partida dura e competitiva contra a Grécia. O time também está envelhecido.

4 - Argentina instável

A Argentina esteve longe de ter uma primeira fase de favorita ao título. Vice-campeão mundial em 2002 e medalhista de ouro na Olimpíada de 2004, o país perdeu para Croácia e Grécia e teve dificuldades para bater a frágil Filipinas. A classificação em terceiro lugar

O jogo argentino também não fluiu como em outros grandes torneios recentes. O aproveitamento de 45% em arremessos de quadra, o alto índice de tentativas de bola de três pontos (137 contra 84 do Brasil) e a concentração das jogadas em Scola são reflexos de um baquete abaixo dos tempos de glórias da atual geração.

5 - Fator surpresa

O desempenho de Marquinhos no quarto final contra a Sérvia é uma prova de que o Brasil pode contar com elementos surpresas para virar uma partida. O ala comandou a virada com bolas de três, jogou como um All-Star e terminou a partida como cestinha com 26 pontos.

No banco Rúben Magnano tem melhores opções para mudar o rumo de uma partida do que a Argentina. Taylor e Raulzinho foram importantes durante jogos da primeira fase no apoio à armação. Se precisar de tiros de longa distância, Marcelinho Machado e Rafael Hettsheimer têm bons aproveitamentos.

Cinco motivos para se preocupar (e muito)

1 - Scola

Maior estrela argentina neste Mundial, Luís Scola tem sobrado. Apenas Jose Barea fez mais pontos do que ele no torneio. Seu aproveitamento em arremessos de quadra é excepcional e seu controle de garrafão é elogiável. E mais um alerta: contra o Brasil, o jogo de Scola costuma ser ainda melhor. Ele foi o melhor em quadra nas vitórias argentinas no Mundial e na Olimpíada.

2 - Duelo psicológico

A Argentina entra em quadra ganhando do Brasil pelo retrospecto de vitórias em jogos importantes recentes. Pelo menos psicologicamente. Na Olimpíada de 2012, em um cenário muito parecido – o Brasil consistente na primeira fase contra uma Argentina instável -, os hermanos dominaram mentalmente o jogo e tiveram sempre o controle da partida.

Falta uma vitória de peso para o Brasil diante desta geração argentina, como exemplifica o especialista do Terra Fabio Sormani. “Sim, eu temo a Argentina. Não porque a seleção brasileira seja inferior, mas porque o psicológico neste embate terá um peso muito grande. Os argentinos sabem tirar os brasileiros do sério. E os brasileiros saem naturalmente do sério quando enfrentam os argentinos. Esta geração nasceu, cresceu e pode morrer sendo surrada pelos argentinos”, disse em seu blog.

3 - Lances livres

Nem é preciso estatísticas para constatar a olho nu que o calcanhar de Aquiles deste time do Brasil é o fraquíssimo aproveitamento em lances livres, melhor apenas do que os de Egito e República Dominicana. E o número de 61,1% de aproveitamento só não é pior porque, no último jogo da primeira fase, o Brasil acertou muito mais do que a média em um duelo sem pressão.

Em uma partida equilibrada, muitas vezes os lances livres são o fundamento mais decisivo. E a Argentina dá de lavada no Brasil neste Mundial: são 76% de aproveitamento, o terceiro melhor do torneio. Mais um dia ruim na linha do lance livre pode ser fatal para os planos brasileiros.

4 - Altos e baixos em uma partida

Apenas contra o fraquíssimo Egito a Seleção Brasileira teve uma atuação dominante do início ao fim. Nos demais jogos, inclusive nas vitórias, o time variou demais entre os quartos. Começou muito mal contra Irã e França e teve que reverter desvantagens de mais de dez pontos. Contra a Espanha apagões no primeiro e terceiro quarto acabaram com qualquer chance de equilíbrio.

Mas nada é mais exemplar do que o ocorrido contra a Sérvia. O Brasil teve um primeiro tempo empolgante e abriu 16 pontos de vantagem. Levou uma virada incrível no terceiro quarto e ressurgiu das cinzas na parte final para vencer com razoável folga. O problema é que, contra uma Argentina que tem como um de seus trunfos a força psicológica, apagões não serão perdoados.

5 - Argentina erra muito pouco

Apostar nos erros da Argentina e na força do jogo de transição terá pouco efeito nas oitavas de final. Os argentinos formam o time com menor número de perdas de bola (turnovers) do torneio, com incríveis nove por jogo. O Brasil é o segundo melhor no fundamento, com média de 11,2.

Diante de um time com este percentual de erro, a Seleção terá que defender como nunca para forçar os argentinos a queimar a bola. Contra outro time com baixíssimo índice de erros, o Brasil foi derrotado de forma categórica pela Espanha. Os donos da casa são o terceiro melhor time em turnovers, com 12,4 desperdícios por partida.

› FONTE: Macaé News (www.macaenews.com.br)


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