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Europa vai contabilizar mercado negro e prostituição para melhorar PIB

Publicado em 27/07/2014 Editoria: Mundo sem comentários Comente! Imprimir


A ideia de mensurar tudo, incluindo os valores do pecado, é ter uma leitura mais precisa das riquezas de cada país

Como porta-voz da Associação Nacional de Clubes de Sexo da Espanha, José Roca já ouviu todo tipo de pergunta estranha, mas raramente ficou tão desconcertado como quando uma agência de estatísticas do governo ligou no final do ano passado.

Em tom sincero, um estatístico lhe perguntou se ele sabia o preço médio de um programa com uma prostituta na Espanha e o custo típico de um quarto num bordel espanhol.

"Pensei que fosse piada. Estava tão incrédulo que até solicitei o envio de um e-mail para garantir que era sério".

As perguntas não eram trote, mas parte de uma nova tentativa de mensurar o tamanho da economia espanhola. Em setembro, todos os países da União Europeia (UE) serão obrigados a fazer a contabilização completa do comércio com sexo, drogas e outros empreendimentos clandestinos como parte de uma reforma dos indicadores econômicos da Eurostat, o gabinete de estatísticas da UE.

Com os governos da UE obrigados a reduzir a dívida pública a uma porcentagem de suas economias, as mudanças também devem melhorar a aparência da taxa de crescimento da Espanha à Suécia, possivelmente também tornando menos fúnebre o coeficiente de endividamento.

Além dos indicadores ligados aos vícios, outros serão recalibrados, tais como pesquisa e desenvolvimento e contribuições para instituições de caridade. Tais valores certamente vão elevar muito mais o tamanho do PIB do que qualquer ganho registrado com a prostituição ou a produção de cocaína.

Ainda assim, contabilizar prostitutas e heroína pode acrescentar bilhões à economia. E enquanto alguns países da zona do euro tentam escapar da recessão de quase cinco anos, qualquer bocadinho conta.

"Segundo meus cálculos, a prostituição gera perto de 20 bilhões de euros" na Espanha anualmente, afirmou Roca. "Os espanhóis costumam frequentar boates e existe muito turismo", por exemplo, de clientes franceses logo ali do outro lado da fronteira.

A cifra de Roca fica perto da estimativa de 18 bilhões de euros do governo que seriam gerados pelo comércio legal de sexo na nação. Para Roca, se a quantia for acrescida ao PIB, "logicamente a Espanha vai se beneficiar".

Medir economia clandestina não é ciência exata

Tecnicamente, informar a atividade econômica dos mercados negros é exigência há muito tempo segundo as normas da União Europeia. Porém, mensurar a economia clandestina não chega a ser uma ciência exata. Somente alguns países, tais como Holanda, Itália e Alemanha, tentaram fazer um levantamento completo.

As novas regras da União Europeia vão exigir que todos os 28 países do bloco redobrem esforços, mesmo que isso signifique questionar proprietários de bordéis ou registrar toneladas de cocaína apreendidas de traficantes de drogas.

"As agências são capazes de coletar informação, mas essa não tem sido particularmente precisa porque estamos falando de atividades que todos tentam esconder", disse Gian Paolo Oneto, diretor de contabilidade nacional da Istat, agência nacional de estatísticas da Itália.

"Tais regras afirmam que o PIB deveria incluir tudo, até mesmo os tomates plantados na sua horta", acrescentou Oneto. "Às vezes, porém, só podemos estimar. Não dá para sair por aí contando tomates".

› FONTE: Macaé News (www.macaenews.com.br)


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