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Período de chuvas aumenta proliferação de caramujos que transmitem meningite

Publicado em 20/07/2014 Editoria: Saúde sem comentários Comente! Imprimir


No Rio, o caramujo gigante africano  já é muito conhecido, tanto na Região dos Lagos como dentro do próprio município, especialmente na Zona Oeste da cidade. O que muitas pessoas podem não saber é que ele carrega o verme Angiostrongylus cantonensis, que causa um tipo de meningite. Com as chuvas, eles se proliferam com mais facilidade, aumentando a chance de contaminação. Chamada de meningite eosinofílica ou angiostrongilíase cerebral, ela já foi diagnosticada em seis estados, nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul do país.

A meningite é uma inflação nas meninges, membranas que envolvem o cérebro. A meningite causada pelo verme apresenta os mesmos sintomas das outras mas, segundo médico Carlos Graeff-Teixeira, da PUC-RS, que participou de um levantamento sobre a doença no Brasil, podem haver pequenas diferenças. “A meningite mais comum é causadas pelo vírus e depois pela bactéria e, clinicamente, as meningites se parecem muito. Os sintomas são dor de cabeça, febre e rigidez e nuca: o doente não consegue encostar a cabeça no peito. Na meningite causada pelo verme, os sintomas podem ser mais intensos, com dor de cabeça muito forte”, comenta.

Ele explica que a meningite causada pelo verme tem baixa letalidade e poucas chances de sequelas. Cerca de 3% dos infectados pode morrer e 1% ficar cego. “Chamamos de uma meningite pura, ela não causa muito comprometimento do cérebro. Quando compromete, deixa sequelas como distúrbio de equilíbrio e deficiência motora ou outras. Tudo depende da área do cérebro mais afetada".

Quando o paciente tem suspeita de meningite, é colhido o líquor, líquido que fica entre as meninges e é extraído através da punção lombar. Através dele que é feita a análise do tipo de meningite que o paciente tem. A constatação é importante para o tratamento “Para cada tipo de agente infecciosos, há uma diferença de tratamento. Para bactéria é antibiótico, para vírus não tem medicação, e no caso da eosinofílica a ideia geral é usar um remédio que atue sobre os vermes. Não existe nenhum medicamente que seja comprovadamente eficaz. Então a recomendação bem clara é do uso de corticoides, ou seja, anti-inflamatórios”, completa o médico.

Para combatê-lo, ela recomenda catá-los com uma luva ou saco plástico. "É bom lembrar de catar também os ovos, que são esferas amareladas de cerca de meio centímetro, que ficam semi-enterradas", completa.  Ela explica que, depois de mortos, eles podem ser descartados no lixo.

"O caramujo entrou no brasil na década de 80, numa feira agropecuária. Ele veio para o Brasil com o intuito de ser criado como scargot, para a alimentação. Como esse empreendimento não deu certo, não é algo cultural comermos caramujo cru, os caramuhos foram soltos e agora atingem várias regiões do Brasil", conta Silvada, lembrando que eles entraram pelo nordeste.

Assim como o molusco, os ratos também fazem parte do ciclo do verme.  “Os vermes adultos são encontrados nos pulmões dos ratos, que eliminam, nas fezes as larvas. As larvas são ingeridas pelos moluscos e os ratos comem novamente os moluscos, fechando o ciclo. Aí que o homem entra no ciclo, ingerindo moluscos e sendo infectado", explica.

› FONTE: JB


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