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Estudiosas falam sobre a importância do Dia da Consciência Negra

Publicado em 21/11/2020 Editoria: Geral sem comentários Comente! Imprimir


Cientista social, Carine Passos, reforça que a data é forma de luta e resistência

Cientista social, Carine Passos, reforça que a data é forma de luta e resistência

Nessa sexta-feira, dia 20 de novembro, foi celebrado o Dia da Consciência Negra. Além de uma data histórica, é feriado em diversos municípios e estados, entre eles, o estado do Rio de Janeiro. Mas qual o significado da data?
Segundo a cientista social de Macaé, Carine Lima dos Passos, o dia 20 de novembro marca uma importante virada de sentido nos movimentos negros brasileiros, que passaram a utilizar a data como forma de luta e resistência. “Compreendendo que é na morte do líder do Quilombo dos Palmares que possuía a orientação para as nossas lutas cotidianas e não no dia 13 de maio, data em que a abolição da escravatura ocorre no Brasil e que era celebrada pelos movimentos negros”, observou.

Para ela, o 20 de novembro é dia de celebração e valorização das raízes culturais e também é uma data para chamar a atenção da sociedade para as demandas específicas do povo negro. “A data incentiva pessoas e empresas a pensarem maneiras de diminuir as desigualdades e de repensar as ações individuais e coletivas que tendem a desrespeitar a presença das pessoas negras nos espaços de sociabilidade. É justamente através da luta de quem veio antes, como Zumbi e Dandara, que abriu caminhos para a nossa resistência, é que construímos coletivamente os nossos ideais e apresentamos a sociedade como forma de exigir respeito pela nossa caminhada e nossas especificidades enquanto povo negro. É dia de fazer as pessoas nos ouvirem e respeitarem nossos passos que vem de longe. Viva Zumbi”, relembrou Carine.

A história do 20 de Novembro
Em 20 de novembro de 1695, Zumbi foi assassinado numa emboscada. Morria junto com ele, na Serra da Barriga, em Alagoas, a luta pela liberdade do Quilombo dos Palmares. Este foi o maior Quilombo das Américas em tempo e território. O Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão. Ainda hoje, as pessoas acreditam que a assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, foi mais importante para a liberdade dos escravizados do que a resistência negra.

Segundo a professora de história de Macaé, Daiana de Souza Andrade, não foi. “Os estudos históricos mostram que as fugas, a formação dos quilombos, as compras de alforrias, as lutas na justiça, o crescimento do movimento abolicionista no século XIX e também a conjuntura internacional foram essenciais para o fim do cativeiro, que teve sua oficialidade conferida com a lei”, explicou.

O feriado da Consciência Negra, de acordo com Daiana Andrade, vem justamente para reafirmar a luta da população negra em prol de sua libertação. “Ela, a libertação, foi pensada pelo Grupo Palmares no Rio grande do Sul, em 1971, e levada como bandeira em 1978 pelo Movimento Negro Unificado em São Paulo. Depois de muita luta, o Dia da Consciência Negra foi aprovado em lei pelo governo, assim como o estudo da história e cultura afro-brasileira nas escolas, em 2003. Esse dia, que ainda não é feriado nacional, nos permite refletir sobre a luta da população negra desse país, sobre nossa história traumática, sobre as desigualdades raciais que temos no presente e para pensar formas de intervenção na sociedade. Só assim poderemos ter um futuro melhor para todos os brasileiros: com valorização da negritude e combate ao racismo”, enfatizou.

Vai estudar história
A professora de história Daiana de Souza Andrade é a criadora da plataforma no Instagram @vaiestudarhistoria, direcionada à história da população negra. Ela contou que trabalha com o tema desde a graduação e se aprofundou em especializações e no mestrado. “Nas escolas em que trabalho, seja durante as aulas de história ou em disciplinas específicas, a valorização da negritude e a história da população negra faz parte do meu cotidiano. Saí da licença maternidade direto para quarentena e senti muita falta das aulas. As manifestações pelas mortes de George Floyd, do menino Miguel e do jovem João Pedro, casos que tiveram grande repercussão pela mídia, me fez sentir que podia fazer algo. Dai nasceu o perfil no Instagram e a página no Facebook. Vai Estudar História é um chamado à reflexão sobre fatos e agentes históricos, muitas vezes, negligenciados. O conteúdo que publicamos nas plataformas, os vídeos, assim como os cursos e oficinas, têm como objetivo aproximar o conhecimento acadêmico das pessoas de uma forma mais leve e, ao mesmo tempo, conscientizar as pessoas sobre o racismo, um problema de todos nós brasileiros”, destacou.

› FONTE: RJ News


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