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: No Brasil, a cada 38 minutos um homem morre devido ao câncer de próstata

Publicado em 07/11/2020 Editoria: Saúde sem comentários Comente! Imprimir


O câncer da próstata é o segundo mais comum entre os homens, ficando atrás apenas do câncer de pele não-melanoma

O câncer da próstata é o segundo mais comum entre os homens, ficando atrás apenas do câncer de pele não-melanoma

A campanha Novembro Azul, criada pata a conscientização e prevenção ao câncer da próstata e seguirá durante todo o mês. O câncer da próstata é a causa de morte de 28.6% da população masculina que desenvolve neoplasias malignas. No Brasil, um homem morre a cada 38 minutos devido ao câncer da próstata, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA).

Dados do Inca apontam também que no Brasil, o câncer da próstata é o segundo mais comum entre os homens, ficando atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. Em valores absolutos e considerando ambos os sexos, é o segundo tipo mais comum. A taxa de incidência é maior nos países desenvolvidos em comparação aos países em desenvolvimento.

A próstata é uma glândula que só o homem possui e que se localiza na parte baixa do abdômen. Ela é um órgão pequeno, tem a forma de maçã e se situa logo abaixo da bexiga e à frente do reto, que é a parte final do intestino grosso. A próstata envolve a porção inicial da uretra, tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada. A próstata produz parte do sêmen, líquido espesso que contém os espermatozoides, liberado durante o ato sexual.
Mais do que qualquer outro tipo, é considerado um câncer da terceira idade, já que cerca de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. O aumento observado nas taxas de incidência no Brasil pode ser parcialmente justificado pela evolução dos métodos diagnósticos, ou seja, exames, pela melhoria na qualidade dos sistemas de informação do país e pelo aumento na expectativa de vida. Alguns desses tumores podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos, podendo ser fatal. A maioria, porém, cresce de forma lenta, levando cerca de 15 anos para atingir, um centímetro, que não chega a dar sinais durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem.

Segundo estimativas do INCA, em 2020, haverá cerca de 65.840 novos casos de câncer da próstata no Brasil. Em 2018, segundo o Atlas de Mortalidade por Câncer, o número de mortes provocadas pela doença foi de 15.576 no país.

Sinais e sintomas
Na fase inicial, o câncer da próstata tem evolução silenciosa. Muitos pacientes não apresentam nenhum sintoma ou, quando apresentam, são semelhantes aos do crescimento benigno da próstata, dificuldade de urinar, necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite. Na fase avançada, pode provocar dor óssea, sintomas urinários ou, quando mais grave, infecção generalizada ou insuficiência renal.

Detecção precoce
A detecção precoce do câncer é uma estratégia para encontrar o tumor em fase inicial e, assim, possibilitar melhor chance de tratamento.

A detecção pode ser feita por meio da investigação, com exames clínicos, laboratoriais ou radiológicos, de pessoas com sinais e sintomas sugestivos da doença (diagnóstico precoce), ou com o uso de exames periódicos em pessoas sem sinais ou sintomas (rastreamento), mas pertencentes a grupos com maior chance de ter a doença. No caso do câncer de próstata, esses exames são o toque retal e o exame de sangue para avaliar a dosagem do PSA (antígeno prostático específico).

Diagnóstico
O câncer da próstata pode ser identificado com a combinação de dois exames: Dosagem de PSA, que é o exame de sangue que avalia a quantidade do antígeno prostático específico, e o toque retal. Como a glândula fica em frente ao reto, o exame permite ao médico palpar a próstata e perceber se há nódulos (caroços) ou tecidos endurecidos (possível estágio inicial da doença). É rápido e indolor, apesar de alguns homens relatarem incômodo e terem enorme resistência em realizar o exame.

Na maioria dos homens, o nível de PSA costuma permanecer abaixo de 4 ng/ml. Alguns pacientes com nível normal de PSA podem ter um tumor maligno, que pode até ser mais agressivo, por isso esse exame, feito de forma isolada, não pode ser a única forma de diagnóstico.

De acordo com o INCA, nenhum dos dois exames têm 100% de precisão. Por isso, podem ser necessários exames complementares.  A biópsia é o único procedimento capaz de confirmar o câncer. Outros exames de imagem também podem ser solicitados, como tomografia computadorizada, ressonância magnética e cintilografia óssea (para verificar se os ossos foram atingidos).

Do diagnóstico à superação
Aos 60 anos hoje, Hélio Batista foi diagnosticado com o câncer da próstata em 2011. Fazia os exames periodicamente por exigência do trabalho e, segundo ele, os números do PSA começaram a oscilar, às vezes o resultado acusava número baixo e às vezes alto. “Isso chamou a atenção do médico da empresa na época. Fiz outros exames mais apurados e foi constatado o câncer da próstata. Eu passei por momentos impressionantes. Cheguei a perder 30 quilos e fiquei totalmente inválido, por um período de cama. A família ficou doente comigo, porque é muito difícil dar essa notícia em casa com o diagnóstico na mão e você fica totalmente vulnerável, mas graças a Deus tenho uma família maravilhosa e que esteve ao meu lado o tempo todo e me reergueu”, relembrou Hélio, afirmando que a palavra é justamente essa, reerguer, porque o paciente ‘cai’.

Mesmo sendo prudente, fazendo os exames periodicamente, Hélio Batista disse que hoje em dia chegou aos 60 anos com saúde e felicidade. Segundo ele, sempre teve ao seu lado, pessoas inteligentes que o mostraram a necessidade ter cuidado com sua saúde. “Essa é questão principal. O homem, por causa de um preconceito burro, deixa de fazer o que tem de ser feito. E é só olhar para o lado. Aprender com a esposa, que está ao lado, que periodicamente precisa fazer exames ginecológicos e faz. Às vezes, o homem não faz por puro preconceito. É um machismo idiota que faz com que vá a óbito. Já está mais do que provado, que o câncer da próstata é o que mais mata os homens, por falta de cuidados. Portanto, meus amigos, se cuidem. Ser homem é ter saúde para cuidar da família, compartilhar a vida com a mulher que amamos. Isso que é ser homem e não por causa de um exame e deixar a saúde, muitas vezes, a vida ir embora. Acordem rapaziada. Ser homem de verdade, é se cuidar. Se cuidem, façam os exames, o de toque e o PSA, façam tudo o que for possível, mas mantenham-se vivos”, concluiu.

“A saúde é bem mais precioso que temos”
Aos 52 anos, João Henrique, em 2015, precisou amputar o braço esquerdo depois de sofrer um acidente automobilístico. Devido à gravidade do acidente, os médicos resolveram fazer um raio-x torácico e descobriram um tumor no pulmão de João. “Operei, tirei um lobo inteiro do pulmão direito. Fiz quimio e radioterapia. Hoje estou bem. Mesmo não sendo câncer da próstata, faço os exames periodicamente, o PSA e o de toque. Vejo a importância que a nossa saúde tem. E isso não via há tempos atrás. Sempre fugi de médico. Depois do câncer de pulmão, meus cuidados se redobraram, sem dúvidas. Se prevenir contra o câncer da próstata é fundamental. Todos os anos, faço os exames. Diferentemente do que alguns homens pensam, o exame de toque é muito simples e rápido, mas infelizmente existe muito preconceito, que precisa ser vencido sim. Mas acredito e falo por experiência própria que o mais difícil é ser diagnosticado com câncer, qualquer um deles, seja de pulmão ou da próstata. Temos que nos cuidar, porque a saúde é o bem mais precioso que temos”, declarou. 

› FONTE: RJ News


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