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Médica endocrinologista avalia estudo sobre aumento da obesidade

Publicado em 28/10/2020 Editoria: Saúde sem comentários Comente! Imprimir


Dra. Carolina alerta que obesidade é fator de risco para diversas doenças

Dra. Carolina alerta que obesidade é fator de risco para diversas doenças

A Pesquisa Nacional da Saúde (PNS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que um em cada quatro adultos estava obeso em 2019. Entre os anos 2002/2003 e 2019, a obesidade em pessoas com idade acima de 20 anos passou de 12,2% para 26.8%.

A médica endocrinologista Carolina Cortes Tapias Buechem ressaltou que realmente esse crescimento é observado na prática clínica. “A obesidade nos últimos anos tem tomado grandes proporções. Hoje, no Brasil, é uma doença muito frequente, eu diria que também é uma pandemia. É uma doença muito preocupante, não só do ponto de vista estético, mas porque aumenta o risco de outras doenças, como o diabetes e doenças cardiovasculares.

Observamos, infelizmente, que os números de casos de obesos são cada vez mais superiores. É com grande preocupação que eu faço uma avaliação deste estudo. No dia a dia clínico observo realmente que é ele verídico”, frisou a médica. Ainda de acordo com ela, a obesidade aumentou muito principalmente em faixas etárias que antigamente não eram tão comuns, como em crianças e adolescentes. “Geralmente, o ganho de peso ocorria mais na vida adulta madura, não eram nem nos adultos jovens.  E hoje vemos que temos obesidade mais frequente e cada vez mais cedo”, alertou.

É considerado obeso todo indivíduo que possui Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 24,9.  O IMC é calculado da seguinte forma: o peso do paciente, dividido pela altura ao quadrado. “É um índice matemático e vários outros fatores entram nesta avaliação, como o índice de gordura corporal”, explicou Carolina Cortes.
A obesidade central, onde o maior acúmulo de gordura é no abdômen, é uma classificação da doença mais grave, segundo a médica endocrinologista.  “Indivíduos que têm as extremidades com menos peso e tem acúmulo de gordura mais na região abdominal, essa obesidade mostra que o individuo tem mais gordura entre os órgãos e é sempre mais perigosa”, explicou.

Já a fisiopatologia da doença, como ela é gerada ou desencadeada, inúmeros fatores entram nesta questão. Existem doenças hormonais e metabólicas, que podem facilitar a obesidade, como o hipotiroidismo, o hipercortizoilismo, além dos fatores genéticos e hereditários. Maus hábitos familiares também podem propiciar e facilitar o ganho de peso. “A falta de atividade física, alimentação inadequada, de má qualidade, também podem levar ao ganho de peso e, posteriormente, à obesidade. Hoje em dia há vários estudos que comprovam que algumas deficiências genéticas vão facilitar os indivíduos que tenham um bom padrão de vida, no sentido de se alimentar bem e praticar atividade física, mas tem a tendência à obesidade. Então, sabemos que são fatores genéticos que também contribuem para isso”, disse.

A obesidade pode surgir em qualquer idade. Geralmente, quando é proveniente de alguma alteração genética, pode desencadear desde a infância. “Na pós-menopausa, pós-andropausa, quando os nossos hormônios já estão mais reduzidos, temos uma tendência maior ao ganho de peso porque o metabolismo cai com a idade. Uma criança e um adolescente têm um metabolismo muito mais favorável e acelerado. Antigamente o que observávamos é que com essa queda de metabolismo, a obesidade aparecia. Hoje em dia, vários outros fatores estão fazendo com o que o individuo tenha obesidade mais cedo. Os hábitos da população estão cada vez piores, principalmente devido ao excesso de trabalho, que dificulta a disposição em praticar atividade física ou fazer uma alimentação adequada. As pessoas recorrem às comidas mais rápidas, como os fast foods, que possuem índice maior de gordura e carboidrato e são mais pobres em vitaminas e proteínas. Esse dia a dia corrido de todos facilita sim o ganho de peso e, por isso, pode levar à obesidade”, enfatizou a médica.

As crianças, de acordo com Carolina, vêm sendo afetadas pela doença cada vez mais, devido à falta de atividade física e de brincadeiras ao ar livre. As horas no celular, televisão, videogame, brincadeiras onde a movimentação e a perda calórica são bem menores, aliados à alimentação inadequada, aumentam a estatística. “Uma criança e um adolescente obeso têm grandes chances de manter isso por toda a vida, ou seja, de ser um adulto obeso. Esses anos de obesidade podem agravar outras doenças, como o diabetes e doenças cardiovasculares”, destacou.

Assim como em outras doenças, quanto mais cedo o indivíduo tratar a obesidade, melhor. A endocrinologista Carolina Cortes explicou que se a pessoa está ganhando peso com frequência e de maneira crônica, oscilações também podem ocorrer, de ganho e perda de peso. “Quando isso ocorre, geralmente, um peso médio é mantido. Mas se ao longo dos anos você vai percebendo que esses quilos adquiridos não conseguem ser eliminados, é importante, o quanto antes, procurar avaliação médica. Nem sempre é só um estilo de vida errado. Às vezes, outras doenças podem estar associadas, entre elas, alterações hormonais, como a própria menopausa”, pontuou.
O primeiro passo do tratamento, de acordo com a médica, é uma avaliação hormonal completa para descartar doenças associadas que podem estar facilitando o ganho de peso. E antes do tratamento com medicamentos, é importante melhorar os hábitos, com apoio nutricional e educador físico, mas há as opções de tratamentos medicamentosos. “Existem medicações para diminuir o apetite, para aumentar a saciedade, para tentar eliminar o excesso de gorduras e regular o metabolismo. A medicação é aplicada de acordo com o perfil de cada paciente, mas antes de entrar com os medicamentos, é preciso melhorar a qualidade de vida, com dietas e atividades físicas e a exclusão de doenças que podem estar por trás do ganho de peso”, disse.

A obesidade é uma doença grave, haja vista o número alto de pessoas atingidas nos últimos anos. Segundo a médica, pacientes obesos possuem mais riscos de desenvolver várias outras doenças, como infarto, diabetes, Acidente Vascular Cerebral (AVC), além da Covid-19. “Apesar da contaminação do novo coronavírus ser igual a todos, o paciente obeso tem mais risco de agravar a Covid-19. O cuidado do paciente obeso tem que ser maior, porque, caso ele se contamine, as chances de ter uma doença mais grave e até mesmo uma mortalidade são maiores”, afirmou.

Menos 45 quilos com a cirurgia bariátrica
A cirurgia bariátrica da jovem Thaise Vicente da Silva Corrêa, de 25 anos, foi em janeiro do ano passado. Entre consultas médicas, exames e laudos, conseguiu operar. Mas até este momento, a espera da jovem, que pesava 123 quilos, foi de mais de um ano e seis meses, até o dia da autorização da cirurgia. “Quando eu operei, estava com 123 quilos. Esse foi o meu maior peso em uma vida toda com obesidade.

No meu último ano novo antes da cirurgia, comprei uma bermuda tamanho 56 e, para minha surpresa, no dia que fui usar, não entrou. Eu já tinha optado em fazer a cirurgia bariátrica por vários motivos, mas o principal foi a minha coluna. Muitas dores. E a obesidade me impedia de viver muitas coisas. Eu não tinha ânimo para quase nada, como subir uma simples escada, ficava com muita falta de ar. Brincar com meus sobrinhos por cinco minutos que fosse, já me deixava como se eu tivesse corrido uma maratona.

Depois que operei, tudo mudou. Tenho disposição, alegria pra viver, autoestima, saúde e uma vida inteira, que eu achei que tinha perdido por conta da obesidade. Eu não sigo uma vida de atividade física e também não faço nenhuma dieta específica. Eu me permito comer de tudo, porém a quantidade não é nem perto de antes. Perdi 45 quilos com a bariátrica e sem dúvidas afirmo que foi a melhor decisão que eu poderia tomar. Não é fácil, pois são momentos que a gente pensa até que não vai conseguir. Mas eu passei tudo com muita certeza que era aquilo que eu queria para minha vida. E é aquela frase clichê que a maioria de nós bariátricos usamos ‘meu único arrependimento foi de não ter feito antes’", concluiu.

› FONTE: RJ News


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