Macaé News
Cotação
RSS

Grupo Renascer ajuda pacientes oncológicas a vencerem o câncer

Publicado em 24/10/2020 Editoria: Saúde sem comentários Comente! Imprimir


Grupo Renascer é formado por pacientes e ex-pacientes oncológicos

Grupo Renascer é formado por pacientes e ex-pacientes oncológicos

“Um paciente oncológico precisa de família, de amigos, de um bom dia, de um sorriso, de um abraço. Palavras de otimismo, sim! Pensamento positivo, fé e alegria não têm na farmácia, estão dentro da gente”. Essa foi a declaração de uma paciente oncológica que, dentre muitas, venceu a doença.

Quando uma mulher recebe o diagnóstico do câncer, no primeiro momento, para muitas, bate medo, angústia, depressão, pois sabe que o cabelo vai cair e poderá até que retirar uma das mamas. Entre os muitos desafios que a doença impõe às mulheres, pacientes oncológicas, está a superação. Com apoio, elas conseguem.

Em Macaé, o Grupo Renascer oferece assistência a pacientes oncológicas. Suzane Antunes, de 47 anos, venceu a doença e é administradora da iniciativa. Segundo ela, o grupo foi criado com 17 pacientes, todas em tratamento. De início, os encontros eram para ajudar umas as outras, e depois começou a auxiliar outras pessoas, fazendo visitas em hospitais e nas salas de quimioterapia.

Quando o grupo Renascer foi criado, boa parte das pacientes oncológicas faziam o tratamento no Instituto de Oncologia de Macaé. “O grupo Renascer foi criando uma proporção, porque fomos conhecendo outras pessoas e também profissionais do Hospital São João Batista. Foi em um momento em que também estávamos melhor no nosso tratamento. Então decidimos ajudar as pessoas que estavam começando o tratamento”, explicou Suzane.
Maria Aparecida Ferreira Nines Rodrigues, 50 anos, é uma das responsáveis pelas visitas oncológicas do grupo.

Ela confessou que é a atividade que mais ama fazer. No mês da Campanha Outubro Rosa de prevenção ao câncer de mama, ela, em parceria com médicos da cidade e o Instituto de Oncologia de Macaé, está realizando lives e, até o fim do mês, serão oito. Nessas lives, de acordo com ela, são repassadas, pelos especialistas, informações de como prevenir o câncer de mama e o tratamento. Ela, como paciente, também participa, mas muitas das vezes, deixa a emoção tomar conta. “Quando eu relato toda minha trajetória com a doença, desde como eu descobri, como eu reagi e o tratamento, me emociono sim. Mas nas lives, os médicos sempre nos ajudam muito, como o Flávio Antunes, Sávio Mussi, Adriana Bichara e os demais profissionais do Instituto de Oncologia. O nosso depoimento sempre é de paciente, de quem já passou pela doença, mas a participação dos médicos é fundamental, porque nós, como pacientes, quando falamos, nos emocionamos muito e as pessoas precisam saber, pelos médicos, como o câncer pode ser prevenido e como pode ser tratado. O câncer é assim: cada pessoa é um tipo, para cada um existe um tratamento, e em cada um, os sintomas são diferentes. Por isso, buscamos informações junto aos especialistas”, explicou.

O Grupo Renascer está prestes a se tornar uma ONG (Organização Não Governamental). O processo está em andamento e o grupo precisa de doações. São doações de hidratante, protetor solar, sabonete, tecidos e cabelos, para confecção de perucas. “Somos todas pacientes oncológicas. E o grupo sempre aceitou doações, ajuda de todo mundo mesmo. Vivemos dessas doações. É um trabalho centralizado em pacientes oncológicos, até homens. Não ajudamos somente mulheres com câncer de mama, mas também de outros tipos.

Os hidratantes e os protetores solar são necessários, porque a pele do paciente que está fazendo tratamento fica suscetível também ao câncer de pele. O hidratante é necessário porque a pele fica ressacada”, frisou Maria Aparecida. Entre as doações também está o tecido e enchimento para o coração. “O material é confeccionado pelas pacientes do grupo. Pedimos as doações de tecido 100% algodão, porque levamos nas visitas oncológicas e doamos”, explicou.

E não pensem vocês, que o Grupo Renascer ajuda somente mulheres. Em anos anteriores, a iniciativa realizou ações de conscientização no Novembro Azul, campanha destinada aos homens para prevenção ao câncer da próstata. Segundo Suzane, no Grupo Renascer, há um paciente que está sempre junto. “O João, ele sempre está conosco. Vamos nas empresas, nos postos de saúde e realizamos ações no Ginásio Poliesportivo, com camisas e canecas, tudo referente ao Novembro Azul, assim como realizamos ações também em dezembro, para conscientização do câncer de pele”, relatou Suzane.

O Grupo Renascer atende pacientes também de Rio das Ostras, Conceição de Macabu, Casimiro de Abreu e Santa Maria Madalena. Às quartas-feiras, as pacientes se encontram para as visitas semanais, quando distribuem hidratante, protetor solar e sabonete. “A gente ganha o hidratante e para o paciente faz uma diferença muito grande. Atendemos pacientes do Instituto de Oncologia, mas também do Hospital São João Batista, que são do SUS. Faz a diferença ganhar um protetor solar e um hidratante, porque a dificuldade é grande de conseguir um exame, de viajar, se alimentar bem, e esses produtos ficam para depois, mas precisam sim cuidar da pele, que fica sensível devido ao tratamento”, relatou Maria Aparecida.

O diagnóstico, a superação e mulheres que ajudam outras pacientes oncológicas
“O diagnóstico do câncer é um divisor de águas”. Assim definiu Maria Aparecida, ao receber a notícia de que estava com câncer de mama, em 2013. Ela precisou fazer mastectomia, retirada da mama, do lado esquerdo. Conheceu o Grupo Renascer depois da fase de perder o cabelo. Fez quatro cirurgias depois da retirada da mama e atualmente acompanha um nódulo na mama direita. Não pensem que Maria Aparecida se abalou, ao contrário. “Eu quando entrei para o grupo, cresci muito, principalmente como pessoa. Eu gosto de ajudar. E quero sempre mostrar que é possível vencer sim a doença, se cuidando, fazendo o autoexame. O paciente possui muitas restrições devido à doença, sim. Mas o que eu mostro, principalmente nas visitas, é que estamos aqui, vivas e que podemos superar. Mas também é fundamental se cuidar, é claro. Fazer o autoexame, ir a um médico de confiança, não beber, não fumar, pois são fatores que desencadeiam o câncer”, relatou.

Com bastante alegria, Maria Aparecida confessou que adorou ficar careca. Para ela, foi uma sensação de liberdade. “Para mim, foi ótimo, mas eu sei também que muitas mulheres não reagem assim ao perder o cabelo. Mas mantemos o pensamento positivo sempre, com fé e alegria. Porque o câncer, como falei, não é uma sentença de morte. A gente acredita que a pode mostrar esse outro lado. A gente aprende a ter um novo olhar com o paciente oncológico, em entender que ele pode vencer e a gente contribui para ele viver mais”, disse.
Hoje com 47 anos, Suzane Antunes descobriu o câncer aos 40 anos de idade, mas segundo ela, não se abalou muito. “Eu tive o câncer e sempre falo isso para as pessoas. Parecia que eu estava tratando uma gripe. Ocupava a mente para não prejudicar o tratamento. Atualmente, faço o acompanhamento de seis em seis meses e vou passar para o anual. Por mais que estejamos curadas, temos que continuar o acompanhamento”, concluiu.

Conheça os projetos do Grupo Renascer que ajudam na superação da doença
Há quatro anos em Macaé, o Grupo Renascer realiza projetos para ajudar as pacientes oncológicas. Conheça quais são e até mesmo como ajudar.

Projeto Dia da Alegria que transforma e humaniza espaços hospitalares, orfanatos, asilos, domiciliares durante visitas. São visitas a oncológicos, pacientes internados, idosos em asilo, com objetivo de proporcioná-los algumas horas ou minutos de alegria e descontração.

Projeto Fios do Bem prover captação, confecção e empréstimo de próteses capilar através do Banco de Perucas, que conta com a doação dos cabelos da população. O empréstimo é feito a pacientes do São João Batista e do Instituto de Oncologia de Macaé. Hoje o projeto busca um profissional que confeccione as perucas gratuitamente.
Segundo Suzane, para fazer a doação ao projeto Fios do Bem, o cabelo precisa ter o mínimo de 15 centímetros e qualquer tipo de cabelo pode ser doado, mesmo com química. É preciso prender o cabelo seco e bem firme, cortar acima do elástico, armazená-lo em um saco plástico e entregar no posto de coleta, que fica no Instituto de Oncologia de Macaé, na Rua Dr. Luiz Belegard, 187, no Centro. O Salão Joel Beauty Center, que fica na Rua Visconde de Quissamã, 605, no Centro, oferece gratuitamente os cortes de cabelos para quem quer abraçar a causa.

Palestras de Conscientização do Câncer ministradas por pacientes oncológicos ou profissionais das áreas de saúde e oncologia, para fortalecimento do aprendizado.

O Projeto Almofada do Coração confecciona almofadas semanalmente, para ajudar mulheres que se recuperam da mastectomia (CA Mama), onde ela serve como utilidade terapêutica para apoiar o braço após a cirurgia de retirada de mama e ajuda a descansar o braço, o que garante mais conforto à paciente. A peça auxilia principalmente na hora de dormir, assim, fica mais fácil posicionar o braço de forma correta, o que minimiza as dores musculares e reduz o inchaço pós-operatório.

Projeto Lenço Solidário tem a intenção de apoiar pacientes que têm a autoestima abalada pelo câncer. Este projeto conta com a arrecadação solidaria dos lenços. Durante a quimioterapia o grupo realiza visitas e leva um mimo (lindos lenços) aos pacientes de câncer. Simples ações como essa fazem toda a diferença no dia a dia dessas pessoas.

Projeto de Turbantes e Faixas consiste na confecção desses produtos para venda. Assim, o projeto consegue verba para emergência. O objetivo é ajudar pacientes com remédio, exame, cirurgias e desenvolvimento de outros projetos.

O projeto "De Bem com Você - A beleza contra o Câncer" promove o aumento da autoestima e da qualidade de vida. A ação promove a realização de oficinas de automaquiagem, nas quais profissionais voluntários da área de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos ensinam técnicas que ajudam a suavizar os efeitos relacionados ao tratamento do câncer.

Projeto "Feltro Bless” tem como objetivo ajudar as pacientes a terem uma melhor qualidade de vida após receberem um diagnóstico da doença, permitindo que elas passem por esse processo com maior conforto, tranquilidade e aceitação, aliviando a dor, o estresse, o sofrimento e proporcionando uma vida melhor, através da terapia artesanal. A Associação Brasileira de Arte Terapia explica que é possível trabalhar através da linguagem artística como base de comunicação, utilizando a criação estética e a elaboração artística em prol da saúde. É através da arte terapia que eles tratam, previnem e reabilitam seus pacientes. O feltro transforma vidas em uma obra própria, em um objeto belo e útil, estimula a imaginação, dispara ideias, e alimenta a CURA.

O trabalho com diferentes formas e texturas ajuda a mudar a maneira habitual de pensar, acalma o sistema nervoso, diminui a frequência cardíaca, o corpo torna-se mais relaxado e centrado. O trabalho provoca novos questionamentos, propõe novas tentativas até o acerto. E mais ainda, ajuda a criar relacionamentos. Novos grupos de trabalho, novas amigas que trazem apoio, dicas, sugestões, enfim ninguém mais está sozinho. É muito comum o pensamento de que o artesanato é um trabalho com as mãos, mas a verdade é que o trabalho do cérebro é essencial, é um exercício para a mente.
 

› FONTE: RJ News


sem comentários

Deixe o seu comentário