Macaé News
Cotação
RSS

Sabrina Luz defende a ruptura do capitalismo e a participação dos trabalhadores na administração pública

Publicado em 25/10/2020 Editoria: Eleições 2020 sem comentários Comente! Imprimir


Sabrina Luz defende a participação popular em 100% do orçamento

Sabrina Luz defende a participação popular em 100% do orçamento

Sabrina Luz, paraense, professora, mãe, bissexual, reivindica a sua ancestralidade negra e indígena e é atuante na luta contra o machismo, racismo, LGBTfobia e toda forma de opressão. Filha de mãe amapaense, militante do PT e única médica que entrou no acampamento dos sem-terra Eldorado dos Carajás, na época do massacre, Sabrina sempre a teve como referência e inspiração. Iniciou jovem na política. Aos15 anos começou a militar pelo PSTU e participou do grêmio estudantil, onde a luta pela educação era muito forte. Quando engravidou, foi demitida do IBGE e resolveu mudar para Niterói, cidade onde os pais estavam morando. Na Universidade Federal Fluminense (UFF), fez parte do diretório acadêmico de geografia, onde sempre defendeu a universidade pública de ensino, pesquisa e extensão. Sabrina veio para Macaé, em 2011, para acompanhar o companheiro. Passou no concurso da rede municipal e hoje é defensora e amante da cidade.

RJ News: Por que a senhora resolveu ser candidata à prefeita de Macaé?
Sabrina: Como eu disse, eu sempre fui muito militante do PSTU e o partido sempre escolhe os melhores militantes, os mais aguerridos, os mais lutadores. Então foi o partido que me escolheu para representá-lo nessa tarefa. Nós participamos da eleição para colocar uma alternativa para os trabalhadores, uma alternativa socialista nas eleições. Você vai ver que a maioria dos candidatos são empresários, representantes da elite local, dos coronéis da cidade, dos latifundiários, dos grandes empresários e a gente vem com essa alternativa: socialista, trabalhadora, negra, representando esse programa que a gente defende. Nós queremos o quê? Nós queremos que os trabalhadores governem.

RJ News: Em relação a essa participação, a senhora defende a participação popular em 100% do orçamento. Como isso será realizado?
Sabrina: É isso mesmo. Hoje em dia não existe democracia. Os trabalhadores são chamados para votar de quatro em quatro anos, para escolher políticos que não atendem as necessidades da nossa classe. No nosso governo os trabalhadores vão governar diretamente, vão decidir sobre 100% do orçamento, através dos conselhos populares. Cada bairro irá eleger seus delegados e seus representantes no conselho popular geral de Macaé. Esses representantes teriam mandatos revogados a qualquer momento. A Prefeitura e a Câmara dos Vereadores vão aplicar as decisões dos conselhos populares.

RJ News: Mas para isso teria que mudar a lei, né?
Sabrina: Sim. Os conselhos decidiriam de forma democrática e a Prefeitura e a Câmara, de forma organizada, iriam aplicar as demandas.

RJ News: Macaé uma cidade complexa para governar. Você já imaginou como vai atuar?
Sabrina: Justamente como eu falei, não sou eu sozinha ou o PSTU que vai governar. Nós queremos governar com os conselhos populares, com os trabalhadores. Muitos candidatos vão chegar e vão dizer que vão gerar emprego, resolver o problema do saneamento, da educação, da saúde, mas eles estão mentindo. Mantendo a ordem capitalista, do jeito que está, a serviço dos grandes empresários, não vai mudar a realidade dos trabalhadores. Na verdade, vai piorar, pois tudo está a favor dos grandes empresários. Nós não queremos isso, queremos que a riqueza fique aqui. Temos uma outra política para gerar emprego: em vez de pensar no lucro, pensar na população. Nós queremos um grande plano de obras públicas, que atendam as reais necessidades da população, por exemplo o restaurante popular, para resolver o problema da fome. Temos o projeto de construir restaurantes populares em cada bairro e os pequenos agricultores locais abasteceriam esses restaurantes.

RJ News: A senhora defende a ruptura com o capitalismo e implantação do socialismo. Mas o Brasil é um país capitalista. Como seria esse processo de transição?
Sabrina: Olha, é muito importante os trabalhadores virem conhecer inclusive o PSTU. Nós somos um partido revolucionário, defendemos uma revolução mundial, porque o capitalismo é um sistema mundial, que mostrou, com a pandemia, que é incapaz de garantir saúde para a classe trabalhadora. Os Estados Unidos, por exemplo, maior país capitalista, grande imperialista, está com maior número de mortes por Covid-19, porque não tem saúde pública, lá ela é privada. Aqui no Brasil, apesar do presidente cloroquina, negacionista, nós temos o SUS. Graças ao SUS a gente está conseguindo ter um pouco de dignidade, mesmo com esse número altíssimo de mortes. Então nós acreditamos que não dá para 99% da população mundial, até mais, continuar passando por essa situação, porque a riqueza está concentrada na mão de 1%. Nós precisamos de uma revolução mundial, mas não podemos espera-la. Vamos começar a lutar hoje, por exemplo, pelo SUS, com medidas que são socialistas. Na saúde pública, nosso programa é municipalizar toda a saúde. Já dá para começar fazer a mudança localmente. A SIT, por exemplo, vamos criar uma empresa municipal de transportes. Hoje, pelos nossos cálculos, são R$ 90 milhões por ano que vão para um conglomerado que nem é daqui de Macaé.

Toda essa riqueza vai para fora da cidade. Vamos municipalizar o transporte público, incorporar os profissionais e oferecer um serviço de qualidade para a população. Não dá mais para continuar com esse péssimo serviço para a população.  Aos poucos a população vai ver que é possível oferecer os serviços através de empresas públicas, com um custo muito menor. Hoje nós pretendemos mudar a política. A mudança atualmente é política, queremos tirar o poder dos grandes empresários, que hoje que mandam na política, e pretendemos colocar o poder na mão dos trabalhadores.

Temos que parar de dar isenção fiscal para os grandes empresários, pois precisamos do dinheiro para investir nos programas sociais. Quando falamos que queremos governar para os trabalhadores, isso significa que queremos governar para os desempregados, as donas de casa, o microempresário, o pequeno produtor rural. Não é que a gente não gosta dos grandes empresários, mas nós queremos incentivar o microempresário. O problema que hoje, só tem incentivo, isenção, para os grandes empresários.

RJ News: Estamos em uma crise econômica, no meio de uma pandemia. O prefeito que assumir vai pegar o município numa situação delicada ainda. O que você pensa para fomentar a economia local?
Sabrina: Mais uma vez o capitalismo demonstrando que não serve para grande maioria da população. É um sistema que vive nessa crise. Na verdade, cadê a crise? Ela só está para nós trabalhadores, com o desemprego e com a fome. No meio da pandemia surgiu mais 33 bilionários novos, multiplicaram as suas fortunas. Nós queremos que eles paguem a conta da crise e não os trabalhadores. Macaé tem uma geografia maravilhosa, uma biodiversidade, um povo trabalhador e até petróleo. Temos muito dinheiro e, para mim, esse dinheiro deve ser investido na população. Nós temos um plano de obras públicas, para gerar emprego, não só durante obra, mas também para gerar empregos permanentes. Como já disse, fechou o restaurante popular.

Tem que ter restaurante popular em cada bairro. Em Macaé, eu acho um absurdo, não tem berçário. Não tem nenhum atendimento para as crianças de 0 a 2 anos. Eu vim de Niterói, lá tinha berçário, tinha creche, tinha tudo. Tem que ter aqui também. Propomos a construção de 60 berçários, creches e escolas. Isso é fundamental, porque as mães precisam trabalhar, para ter independência financeira e não ficarem vulneráveis à violência doméstica. Muitas mães não conseguem trabalhar, porque não tem onde deixar as suas crianças. Nós defendemos uma escola de tempo integral, inclusive que atenda a demanda noturna, porque tem mães que trabalham também no período da noite.

A escola tem que ter quadra, professores de música, capoeira, laboratório de ciências, laboratório de informática, biblioteca, merenda escolar de qualidade. A merenda, por exemplo, não pode ser privatizada, terceirizada como é hoje. A prestação de contas não foi nem aceita da prefeitura. A empresa Singular acabou de demitir todas as merendeiras, 310 merendeiras. Isso é uma covardia.

Portanto, para sair da crise as obras da prefeitura irão empregar as pessoas e também  incentivaremos o microempresário, o pequeno produtor rural, inclusive oferendo créditos.

RJ News: Na saúde você também propõe “municipalizar toda a saúde privada”. Macaé tem condições de municipalizar tudo?
Sabrina: É isso. Nós queremos romper com a lógica do capital. O atual prefeito é médico e é um dos acionistas da Unimed. Então, infelizmente, a saúde pública está jogada.  Este é um problema antigo e a pandemia escancarou o problema que já tínhamos na saúde. É possível? Claro que é possível. O hospital São João Batista, por exemplo, está ameaçado de fechar. Por que não municipalizar? A clínica São Lucas foi comprada pela Rede D’or, por que não municipalizar? É totalmente possível. E nós queremos colocar os grandes laboratórios, hospitais, a serviço da população.  Queremos trabalhar com a prevenção, cuidar antes de ficar doente. Significa ter atendimento nos bairros. Por exemplo, eu não sei qual é o meu posto de saúde... eu moro na Ajuda de Cima. Os postos são pouco divulgados, tem que ter mais acesso aos postos, nos bairros. Promover atendimento domiciliar a todos que precisam, doentes acamados. Hoje a rede privada de saúde é sustentada, em grande parte, com o dinheiro público. Nós queremos que esse dinheiro pare de ir para as redes privadas. Por que a gente não tem uma UTI neonatal? Tem uma clínica privada aqui do município que recebe as crianças. Temos que ter a nossa. Não temos que mandar pacientes do HPM para clínicas particulares. Também temos a preocupação em atender os setores mais oprimidos da sociedade, que são as mulheres, negros e negras e LGBT’s. Temos que ter um olhar diferenciado para esse público, com campanhas voltadas para eles.

RJ News: Como a senhora vai municipalizar o transporte?
Sabrina: Acabar, romper com esse contrato abusivo. A SIT já rompeu o contrato, quando ela não garante o serviço que ela deveria oferecer à população. Sempre reduzindo as frotas, final de semana então, é uma dificuldade. Não dá para continuar com esse transporte que é um desrespeito com a população. Fora que aumenta uma exploração com os trabalhadores da empresa. Nós estudamos o Plano de Mobilidade Urbana da UFRJ de 2016, que a prefeitura devia ter aplicado. É fundamental revitalizar a linha férrea, implementar o VLT, o bilhete único... A única coisa que saiu do papel, foi ter uma via alternativa para o transporte de carga. Então, nós defendemos a implantação do plano da UFRJ, só não concordamos cos da linha privatista dele.

RJ News: Turismo: Macaé tem mar, tem serra. Qual é a sua proposta para o turismo?
Sabrina: Para que termelétrica, que vai acabar com o nosso meio ambiente, se nós podemos investir em turismo? Investimento público para o turismo, fazer um projeto para a orla da Barra, do Lagomar. Temos que revitalizar, preservando o meio ambiente e incentivando o ecoturismo. Serra, praia, temos tudo. Macaé é maravilhosa. Precisa investir também na cultura. Aqui tem uma diversidade imensa. Precisamos revitalizar lazer, esporte, cultura e turismo. Está tudo interligado.

RJ News: Qual é a importância do seu vice para o seu mandato?
Sabrina: Ele é muito importante. O meu vice é o Rogério Alencar, professor, historiador e é um trabalhador, assim como eu. Nós queremos um governo para os trabalhadores. A Prefeitura e a Câmara dos Vereadores estaremos a serviço dos conselhos populares. Vamos trabalhar muito. Nós queremos isso, um governo dos trabalhadores. São os trabalhadores que sabem onde deve ser investido o dinheiro de Macaé e não os grandes empresários.

› FONTE: RJ News


sem comentários

Deixe o seu comentário