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Brasileiros tendem a sofrer mais com Síndrome Burnout durante a pandemia

Publicado em 24/10/2020 Editoria: Saúde sem comentários Comente! Imprimir


Izabella Camargo diz que sobreviver é bem diferente do que viver

Izabella Camargo diz que sobreviver é bem diferente do que viver

O transtorno emocional é gerado pela exaustão, esgotamento físico e alto estresse causado por situações de trabalho desgastantes

Estabelecer os limites entre o trabalho e a casa se tornou uma tarefa bem difícil durante a pandemia. Os dois ambientes se tornaram um só com a expansão do home office. Além disso, as pessoas encontram mais dificuldade em conseguir ter momentos de lazer e descontração, dando lugar a vários problemas de saúde física e mental, especialmente com a Síndrome de Burnout.

O psicólogo, Felipe Macedo, explicou que a síndrome é consequencia do esgotamento do corpo e da mente, diante do excesso de trabalho. "Essa síndrome ela se dá justamente pelo excesso de trabalho. Cada vez mais a sociedade, de um modo geral, define o sucesso de vida como ser uma pessoa que vive para o trabalho. Onde a felicidade tem que ser necessariamente dedicar a sua vida ao trabalho. No momento em que estamos vivendo isso se faz cada vez mais, pois, no tal do home office, não temos mais uma definição de quando começamos a trabalhar e quando paramos. Não sabemos mais se nossa casa é lugar de descanso ou de trabalho. Logo, ficamos mais perto do esgotamento em relação ao trabalho", explicou.

Um estudo realizado pela empresa de pesquisas Harris sobre o assunto concluiu que 44% dos brasileiros entrevistados relataram sensação de Burnout no atual momento. O Brasil foi o primeiro país da lista do levantamento, que contou com a participação de mais sete países, entre eles, Estados Unidos, Austrália, Índia e Singapura.

Entre a lista dos profissionais que tendem a desenvolver a síndrome estão principalmente médicos e enfermeiros, jornalistas, advogados, professores, psicólogos, policiais, bombeiros, carcereiros, oficiais de justiça, assistentes sociais, atendentes de telemarketing, bancários e executivos.

Um exemplo foi a jornalista Izabella Camargo, que após passar por tratamento, faz palestras e produz conteúdo sobre Burnout nas redes sociais.

"Sobreviver é bem diferente do que viver! Tudo tem limite. O estresse frequente para dormir e acordar fora do ciclo circadiano mais acumulo de função por longos períodos levaram o meu organismo ao colapso. O problema está na exceção que vira regra. Um dia, um final de semana ou uma semana trabalhando em dobro para algum projeto, ok. Vários anos ou uma vida, não dá. Lembre-se que ninguém sobe o Monte Everest todos os dias", ressaltou Izabella.

Outro estudo recente com amostragem nacional realizado pela PEBMED, healthtech de conteúdo para médicos, recém-adquirida pela Afya Educacional, revela que 78% dos profissionais de saúde tiveram sinais de síndrome de Burnout no período da pandemia. A prevalência foi de 79% entre médicos, 74% entre enfermeiros e 64% entre técnicos de enfermagem. Síndrome de Burnout é um distúrbio psíquico de caráter depressivo, associado à atividade profissional, que causa esgotamento físico e mental.

Mas muitas das vezes pode ser difícil identificar os sintomas, tendo em vista que eles podem parecer de forma branda. "Os sintomas são muitos. Mas o principais são os mais ‘simples’, que parecem ser inofensivos e comuns, como por exemplo distúrbios do sono; dores musculares e de cabeça; irritabilidade; alterações de humor; falhas de memória; dificuldade de concentração; sentimentos depressivos; pessimismo e baixa autoestima; perda de prazer – inicia-se como algo simples, mas gradativamente torna-se evidente – como a perda de prazer por comidas ou atividades que antes gostava de praticar, momentos com a família. Esses sintomas que são comuns a qualquer um e a qualquer fase da vida, são os que precisamos estar mais atentos, para que a síndrome seja diagnosticada nos estágios iniciais", contou o psicólogo Felipe Macedo.

Para finalizar, o psicólogo deixou uma missão para as pessoas se prevenirem de chegar ao máximo da doença. "Sem dúvidas a dica é diminuir o ritmo de trabalho. Entender a hora de entrada e de saída, e, quando sair, tentar ao máximo evitar pensamentos referentes ao trabalho, algo que deixou de fazer ou que precisa de mais atenção, planejar o que vai fazer no trabalho no dia seguinte, em resumo é: se você trabalha de segunda à sexta de 8h às 18h, você trabalha de segunda à sexta de 8h às 18h, nada mais do que isso!", ressaltou.

Outra dica é praticar atividades e hobbies que dão prazer, que satisfaça. Achar afazeres prazerosos que preencha o restante do seu dia ou folga. Se voltar cada vez mais para pessoas que fazem bem.
 

› FONTE: RJ News


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