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Decisão da Secretaria de Educação Estadual de não reprovar os alunos divide opiniões

Publicado em 18/10/2020 Editoria: Educação sem comentários Comente! Imprimir


O educador Raphael Valetim comenta sobre sua preocupação com o futuro dos alunos

O educador Raphael Valetim comenta sobre sua preocupação com o futuro dos alunos

Na última quarta-feira, dia 14 de outubro, a Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) anunciou que o ano letivo para os alunos da rede estadual de ensino encerrará no dia 22 de dezembro e que todos os estudantes das modalidades do Ensino Fundamental e Médio, que estejam participando do processo avaliativo online, passarão de série independente do valor de suas notas. A decisão já foi publicada em Diário Oficial, mas dividiu a opinião de quem está ligado ao processo.

Ao contrário do esperado, alguns alunos da rede não são favoráveis a decisão, como é o caso da estudante do 1º ano do ensino médio do Colégio Estadual Barra de São João, Launne, de 17 anos. Para ela, o conteúdo oferecido pela plataforma digital, não atende as expectativas.

"É uma relação de amor e ódio que tenho por essa plataforma. Porque eu tenho um pouco de dificuldade em aprender o conteúdo e alguns professores colocam as atividades para entregarmos sem nenhuma explicação. Seria importante se eles dessem uma atenção a mais, tirando as dúvidas e sendo mais realistas com o tanto de dever que eles passam. Acredito que a maioria dos alunos encerrará o ano sem saber muita coisa e nós que sairemos prejudicados", ressaltou a jovem.

Além da dificuldade com relação ao aprendizado, o acesso ao conteúdo também é algo que deve ser avaliado. A pesquisa TIC Domicílios 2019, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br)".. Ou seja, uma grande parcela de estudantes brasileiros não conseguiu acessar a educação por meio da internet ao longo desse tempo de isolamento social. Quando aprofunda-se a pesquisa, nota-se ainda maior exclusão: a zona urbana está conectada em 77%, já a rural somente em 53%.

"É indiscutível o quanto a educação, como outros âmbitos sociais, sofreu impactos significativos por conta da pandemia da Covid-19. Em uma era completamente digital, fomos surpreendidos pela única forma de continuarmos trabalhando, estudando e socializando: a internet. O que era para fins de lazer, comunicação e diversão, se tornou prioridade. Contudo, fica uma reflexão necessária: o acesso em nosso país aos sites de pesquisa e leitura é igualitário? Precisamos pensar em um cenário maior do que estamos inseridos, precisamos refletir sobre um país desigual, que educa de maneira desigual", lembrou o Educador Raphael Valentim, pedagogo e psicopedagogo clínico e institucional.

Ainda segundo Valentim, a questão da aprovação automática é muito mais complexa do que parece. "Caso aprove ou reprove alunos por desenvolvimento educacional, haverá muito aluno sendo duramente desmotivado por sua realidade ser diferente daquele que tem acesso e espaço para aprender e que será aprovado. Aprovando todos, acarretará uma sobrecarga nos professores nos anos seguintes, onde os mesmos terão de dar conta de inúmeros alunos defasados e afastados da rotina, cotidiano, habilidades e competências da sala de aula.

O objetivo principal da decisão não deve ser aprovar ou reprovar, precisa ser a aprendizagem, absorção do conteúdo, desenvolvimento. Nossa educação precisa de um projeto de incentivo, apoio e reforço às famílias, alunos e professores para um recomeço. Em época de pandemia, medir todos os alunos brasileiros com a mesma régua é continuar afundando nosso país em desigualdade, exclusão e segregação. É hora de entender as realidades e encará-las com estruturas de ensino adaptadas a uma realidade pandêmica devastadora. É hora de ouvir o que os professores têm a dizer, o que os alunos têm a sentir o que a escola precisa fazer para termos uma educação de qualidade", comentou.

Mas, de acordo com a Secretaria de Educação, a resolução também estabelece que as unidades escolares deverão monitorar a participação dos alunos no ensino remoto e ou presencial, com atenção redobrada aos estudantes em situação de potencial abandono. É o caso dos jovens que não frequentaram o início do ano letivo presencial, não tiveram acesso ao ensino remoto e não retornaram às atividades presenciais. Até o último dia do ano letivo, as escolas estarão focadas em restabelecer o vínculo com esses estudantes.

"Estaremos trabalhando com a política do “nenhum aluno a menos”, em um esforço, sem precedentes, contra a evasão escolar. As unidades escolares mobilizarão todos os recursos disponíveis na comunidade, no que estamos chamando de “busca ativa” daqueles alunos que não apresentaram vínculo com a escola na maior parte do ano. O esforço também estará na articulação com os equipamentos públicos que compõem a rede de proteção social para resgatá-los neste ano e no próximo", afirmou o secretário de Educação, Comte Bittencourt.

Se mesmo após todas as tentativas não for possível acessar o aluno, a Seeduc irá oferecer a possibilidade para que esse jovem permaneça, em 2021, na mesma série/fase/ano/módulo que esteve matriculado em 2020, sem prejuízo quanto à sua ligação com a escola.

Ciclo de Aprendizagem

De acordo com a Secretaria de Educação, diferente dos outros anos, 2020 não será dividido por bimestres, mas um bloco único, o chamado “Ciclo de Aprendizagem”, que teve início em fevereiro e terminará no dia 22 de dezembro, onde os alunos serão avaliados com apenas uma nota (de zero a 10), por matéria, considerando todas as atividades realizadas ao longo do ano letivo, sejam aulas presenciais, no Google Classroom, videoaulas, ou por meio das apostilas. 

O ano letivo totalizará 188 dias de efetivo trabalho escolar, com o mínimo de 800 horas, para o Ensino Regular, e 153 dias de efetivo trabalho escolar, com o mínimo de 400 horas para a Educação de Jovens e Adultos (EJA). 

"Os professores terão autonomia para avaliar seus alunos, levando em consideração tudo o que o jovem estudou e teve acesso em 2020. Mas, em um ano atípico como esse, não há possibilidade de reprovação. Em 2021, com o retorno total das aulas presenciais, será feito um diagnóstico com cada aluno, para que seja possível estabelecer um itinerário pedagógico e corrigir o déficit nas disciplinas principais", afirma Comte.

A previsão da Secretaria de Educação é colocar em prática, no ano que vem, o chamado “Continuum Escolar”, aprovado pelo Conselho Nacional de Educação, que prevê atividades extras, incluindo remotas, dobrando o conteúdo para dar conta do que foi perdido durante a pandemia de Covid-19. Além disso, a Seeduc também está preparando uma opção de reforço aos alunos de terminalidade do Ensino Médio Regular ou do IV Módulo da Educação de Jovens e adultos.
 

› FONTE: RJ News


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