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André Longobardi defende o fim da corrupção e da velha política

Publicado em 18/10/2020 Editoria: Eleições 2020 sem comentários Comente! Imprimir


A principal crise que Macaé vive é a crise política

A principal crise que Macaé vive é a crise política

André Longobardi, 45 anos, engenheiro de petróleo, chegou em Macaé com 1 ano de idade, após mudança de seus pais para a cidade. O pai era oficial de marinha no Espírito Santo e identificou que Macaé seria a rota do desenvolvimento do petróleo no Brasil. Como ele estava para dar baixa na Marinha, veio com a família para Macaé apostando em novos negócios. Os empreendimentos da família prosperaram e todos estão até hoje na cidade. André estudou no Colégio São José, iniciou a faculdade, na Universidade Federal do Espírito Santo, e terminou em Macaé, na Estácio de Sá. Na Capital do Petróleo, construiu uma família, é casado, pai de dois filhos – um de 17 anos, fruto de um primeiro relacionamento de quase nove anos, e outro de 10 anos, do atual casamento de 13 anos. Com o tempo, viu que o seu negócio não era trabalhar com engenharia, mas sim trabalhar com as diferenças sociais, com o amor ao próximo. Por isso, resolveu se candidatar para a vaga do executivo de Macaé, pelo Republicanos.

RJ News: Por que o senhor resolveu se candidatar à prefeitura de Macaé?
André: Primeiro foi uma motivação espiritual. Sou cristão e eu sinto um desejo, uma obrigação de devolver para a cidade de Macaé tudo que ela já proporcionou para mim e para a minha família. A motivação principal é espiritual, é amor, é temor a Deus e amor ao próximo. E a segunda motivação é a indignação, porque até os mais sectários, politicamente falando, eles entendem que não temos representação política digna, decente. Macaé tem muito dinheiro, mas é carente de políticas públicas verdadeiras. Aquelas que ultrapassam os limites do governo, que muda o governo e as políticas ficam. Até os mais sectários estão revoltados e eu sou um deles. Essa ausência de representação, esse olhar crítico aos políticos – são os mesmos há 40 anos, me motivaram ir para luta, arregaçar as mangas e falar: Não estou satisfeito com o que está aí, o que eu posso fazer? Me apresentar? Eis-me aqui senhor.

RJ News: Macaé é uma cidade complexa, e o senhor nunca teve um cargo político ou público. Como você pretende governar?

André: Essa pergunta deveria ser feita diferente: Como os gestores públicos que tivemos aqui até hoje, nunca tiveram experiências de gestão no currículo deles? Porque você pegar um prefeito que não teve no passado, no seu currículo, a expertise de gerenciar um negócio, de ser ordenador de despesa, de ter o poder de decisão, e colocar uma caneta, com muito recurso e a responsabilidade sobre vidas, sobre futuros, sobre esperanças. Essa pergunta deveria ser feita para eles. Por isso que Macaé está 40 anos de retrocesso social, retrocesso cultural, retrocesso humano. Porque os nossos prefeitos não tinham noção nenhuma de gestão. Gestor é sempre gestor, independente se você está em um pequeno empreendimento, se você está em uma instituição não governamental ou privada ou pública. Me sinto plenamente capacitado. Já ocupei espaços públicos, não como gestor, mas eu trabalhei na Assembleia Legislativa, porque desde o momento que eu ambicionei um espaço no setor político, eu resolvi conhecer o espaço, conhecer os deputados, saber os trâmites do poder público como funciona... sou daqueles que não faço nada sem aprender, sem estudar.

Tive também uma experiência curta à frente de uma organização social de saúde, o que me possibilitou estar à frente de uma gestão privada, porém com habilidade pública, para poder tratar de um hospital e isso enriqueceu demais o meu currículo. Eu fiz tudo isso pensando em ganhar experiência, capacitação, para voltar para Macaé, criando esse projeto, tocando um plano de elevar Macaé em um status que ela realmente merece.

RJ News: No seu plano de governo o senhor fala em combater à corrupção de forma contundente. Como seria realizado esse tipo de ação?

André: Quando a gente fala de gestão, praticamente a gente incorpora todas essas ações que acabam por si só, resultantes no combate à corrupção. Quando você faz uma gestão austera, quando você faz uma gestão empreendedora, uma gestão voltada para algum fim específico, você acaba dando exemplo. Primeira coisa a se fazer, é realizar uma auditoria em todas as contas públicas e todos os contratos municipais. Fazendo essa auditoria a gente vai ter uma fotografia do status fiscal, financeiro, econômico e moral da cidade de Macaé. E no decorrer do mandato, vamos fazer auditorias de seis em seis meses. Vamos criar um portal de transparência verdadeiro e um canal de comunicação via web, via TV, para que as pessoas consigam interpretar os resultados financeiros e econômicos do município. Vamos também investir em corregedoria e ouvidoria, que são setores muito importantes.

Também vamos criar duas medidas importantíssimas para o desenvolvimento e inclusão: todos os contratos que envolvam obras, de uma certa monta de valor, que seja necessário e obrigatório ter no contrato um seguro obra garantida, ou seja, se a empresa quebrar no meio do contrato, o seguro se responsabiliza. Isso a custas da empresa contratada e não do município. Também vamos incluir pregão eletrônico em todas as licitações, com total transparência.

RJ News: Também no seu plano de governo está escrito “dar continuidade a projetos e programas iniciados por governos anteriores que são bem avaliados pela população”. Você já fez uma avaliação desses programas que pretende continuar?

André: Eu penso o seguinte: o que foi iniciado tem que terminar, é uma questão até de respeito com o munícipe e com dinheiro público. Se eu fosse prefeito na época eu não faria, mas já que teve dinheiro público acho que deve ser terminado, como por exemplo, o parque da cidade, que foi destinado uma quantidade de recurso enorme e precisamos dar uma destinação, uma reformulação para ele. A outra que posso citar é o VLT, que foi uma das demonstrações mais duras, das mais que mais causam revolta no cidadão e que se tornou um elefante branco para a cidade. Ele virou o símbolo da ostentação da falta de gestão, porque primeiro se comprou os veículos não apropriados, para depois avaliar as questões dos trilhos, dos abrigos, das paradas, das comunidades que são cortadas pelas linhas férreas. Então esse projeto nasceu fruto de uma politicagem. Em virtude do dinheiro que já foi investido, vamos colocar o VLT para funcionar, vamos buscar recursos do Avança Brasil do Governo Federal. Vamos buscar todos os recursos necessários para colocar ele para funcionar, pelo menos parcialmente e depois vamos ampliando. Outro projeto abandonado que eu considero um absurdo é o projeto de macrodrenagem que foi abandonado. A macrodrenagem foi um avanço das gestões passadas, que começou a dar resultado com as bombas, mas que foi abandonado pelo poder atual. Todos esses projetos abandonados, todos os espaços públicos sucateados, vamos colocar todos em pleno funcionamento, vamos preservar, vamos cuidar, porque isso é responsabilidade do poder público.

RJ News: O senhor tocou no assunto do VLT, é viável tentar resgatar esse projeto?

André: Conforme já disse anteriormente, se fosse eu prefeito na época, eu reformularia todo o projeto do VLT. Os veículos seriam a última coisa a ser investida. Mas eles preocupados com mídia lá atrás fizeram primeiro o investimento reverso, para impactar na eleição. Porém, a modalidade VLT deu certo no mundo todo. É um transporte mais rápido, é um transporte seguro, é sustentável, com pouco ruído, com pouco acidente. Em países desenvolvidos no mundo ele é o principal transporte, já funciona no Rio, em São Paulo... Vamos botar o VLT para funcionar, com os recursos do Avança Brasil. A ideia é iniciar do Centro ao Parque de Tubos, pois é onde tem um fluxo muito grande de trabalhadores, a linha não está tão deteriorada, quanto no setor norte, não corta comunidades e pode fazer a revitalização da linha e fazer poucas estações.

Em relação ao transporte, vamos permitir as vans, micro-ônibus, investir em ciclomobilidade, para integrar todos os transportes públicos e também individuais, mas mais saudáveis e menos poluentes. 

RJ News: Educação é um setor que você fala bastante nas redes sociais. O que fazer para melhorar a qualidade da educação em Macaé?

André: Meu projeto para a educação é pioneiro e inovador. Temos que ter sincronia no trabalho feito pelo município (ensino infantil e fundamental) e pelo estado (ensino médio). O meu plano é assumir todo o ensino médio. Fazer um acordo de cooperação, de parceria, com o estado, tudo com muita responsabilidade. Vamos trabalhar incansavelmente. Não será fácil, não é imediato. É importante inserir o inglês também como primeira língua, junto com o português, além do ensino de libras. Escolas em período integral também está no nosso planejamento, junto com escolas cívico-militares. Não é para formar militar, são escolas para formar o cidadão.

RJ News: Na saúde o seu planejamento é desafogar o atendimento da saúde básica, implementando o atendimento residencial, disque-vacina, saúde em casa. Como atender essa demanda? Macaé tem profissionais para esse atendimento?

André: O programa de atendimento domiciliar é para atender a parcela da população marginalizada, que está na exclusão. Vamos fazer um aplicativo saúde digital, cadastrar essas pessoas, ver quem tem dificuldades de mobilidade ou outras necessidades, quem tem dificuldades para sair de casa, para podermos investir na saúde preventiva e atendermos essas pessoas em casa, com medicamentos, assistência social, com vacinas. Com o aplicativo, a pessoa pode solicitar o atendimento domiciliar, as pessoas que precisam de exame vão se cadastrar, na fila do exame, vão colocar seus documentos, vão ver a ordem de fila que está, a pessoa terá o dia certo e a hora certa para ir fazer o exame. Vamos criar um centro público de Imagem, hoje um dos grandes problemas de Macaé são as filas de espera para exames. Exames de ressonância, tomografia, ultrassonografia. E vamos investir muito na saúde básica, porque é a prevenção.

RJ News: Qual a importância da sua vice no seu mandato?

André: A minha vice é um prêmio para nós. Ela não tem histórico político, assim como eu, mas nós temos as credenciais sociais. A Pérola Negra é uma pastora, radialista, familiarista, é uma pessoa que entregou a sua vida para uma atividade ministerial e é muito politizada. Nos entregamos um ao outro na forma política mais essencial. Um completa o outro, a engrenagem rodou. Ela tem valores morais, éticos, idôneos, simples, humilde, cristã. Estou muito satisfeito. Ela me ajuda demais. Fazemos agendas paralelas, ela participa diariamente das nossas decisões. Estou muito feliz com ela.

RJ News: A eleição municipal é muito diferente da nacional. O senhor é o candidato da cidade apoiado pela família Bolsonaro. No seu ponto de vista, quanto que esse apoio influencia no resultado das eleições?

André: Eu estou pouco preocupado com isso. Na verdade, eu me preocupo com o alinhamento dos valores. Hoje eu defendo pautas e bandeiras completamente alinhadas com o nosso presidente Bolsonaro. Se isso será refletido em voto eu não sei, mas estou fazendo o que precisa ser feito, que está no meu DNA, o que transborda, o que exala pela minha pele, pela minha voz, pelo meu corpo são as pautas que eu defendo. Sou radicalmente contra a política da ideologia de gênero, legalização do aborto, política de liberação do uso de drogas. Defendo radicalmente a meritocracia, liberdade econômica, entendo eu que o estado deve estar cada vez menos presente na vida das pessoas. A partir do momento que a gente forma melhores cidadãos, a gente gera oportunidades e capacidades. Sou de direita porque é minha essência, porque venho da iniciativa privada, sempre valorizei muito um tratamento de forma justa, porém desigual. Desigual porque não adianta eu querer proporcionar a mesma condição para dois seres de condições sociais completamente diferentes.

Tem bairros em Macaé que não precisam de saneamento básico, que precisam, por exemplo, de sinalização; agora tem outros lugares que precisam do básico, do essencial, da água que não chega... Não adianta querer fazer com a mesma régua, política pública igual para os desiguais. Então, sou de direita, sou conservador, sou cristão e por isso conquistei a simpatia da família Bolsonaro, de toda bancada bolsonarista do Rio de Janeiro, de deputados estaduais e federais, e vou mais longe, até de outros estados: de São Paulo, Marco Feliciano manifestou o seu apoio à minha candidatura; de Colatina, o prefeito Sérgio Meneguelli também manifestou apoio à nossa candidatura. Ou seja, é uma convergência de conceitos e valores, coisas que os políticos aqui de Macaé, ao longo dos 40 anos que estão, tentam oprimir, tentam esconder e tentam fazer da eleição uma disputa de poder econômico. Eles acham que vão comprar a cidade inteira, porque são muito ricos, se aproveitaram, se apoderaram do recurso público e aí pagam para colocar adesivo, pagam para segurar bandeira e assim estão comprando voto.

O eleitor do Bolsonaro, é um eleitor atento, é um eleitor ideológico, é um eleitor que virou soldado voluntário. Espero eu, que a população macaense que votou no Bolsonaro entenda que precisa ser feito por Macaé, o que a gente fez pelo Brasil, caso contrário, estamos trabalhando com dois pesos e duas medidas. Se eu vou ganhar a eleição eu não sei, mas estou cumprindo o meu papel e estou muito satisfeito, muito pleno, muito realizado com tudo que já fizemos e chegamos.

RJ News: Como será a sua política para as minorias, como o grupo dos LGBTQI+, entre outros; já que o senhor citou que é totalmente contra? Se o senhor ganhar a eleição terá que governar para todos.

André: Embora eu tenha a minha convicção religiosa, Deus me ensinou o amor. Cabe a nós amar ao próximo e não condená-lo, não cerceá-lo, não excluí-lo. Uma das bandeiras no nosso plano de governo é a inclusão de todos: dos debilitados, dos fragilizados, dos que pensam iguais a nós e também dos que pensam diferente de nós. Como eu disse, as nossas secretarias serão técnicas e a política vai ter que ser inclusiva para todos. Eu tenho um filho homossexual e jamais seria sectário e excluir. Tenho um filho que eu amo demais e jamais deixaria de fazer políticas públicas voltadas para o amor, para a inclusão, para o carinho, para o afeto, porque esse exemplo eu tenho em casa.

Tenho a mente aberta para isso. Liberdade religiosa: o Estado é laico, a gente independente do credo, da crença, a gente tem que permitir que as pessoas escolham sua religião, que elas se sintam confortáveis. Todos têm que ter o mesmo tratamento, se tiver um incentivo para um credo, que haja para todos, se houver uma política de fomento para qualquer atividade de cunho religiosos, que seja estendido a todas as religiões.  Que todas as religiões tenham oportunidade de manifestar suas raízes e a sua fé da forma mais ampla, legítima e democrática possível. Um exemplo é a minha coordenação de campanha: eu sou cristão evangélico, a minha vice é uma pastora, mas tenho um coordenador espírita, um ateu e um  católico, ou seja, a todo instante a gente debate política pública de forma ampla, laica, como é recomendado pela nossa Constituição Federal. Isso será refletido no governo.

RJ News: Estamos saindo de uma crise, de uma pandemia. Se você assumir, como a prefeitura irá fomentar a geração de emprego, já que cidade estava saindo da crise do petróleo, estava em processo de recuperação, e acabou sendo muito afetada pela crise da COVID-19?

André: A principal crise que Macaé vive não é a crise do petróleo e nem a crise da saúde, em função da pandemia, que são também crises muito significativas. Mas a crise que maltrata Macaé ao longo dos últimos anos é a crise política, é a crise gerencial. A gente já falou, mas vou reiterar: a gente não tem políticas públicas. Eu desafio qualquer pessoa a vir debater conosco, que nos diga qual o projeto para Macaé na área da segurança, do desenvolvimento econômico, do turismo. Não temos projetos. E por que não temos? Porque o recurso veio de forma muito fácil para Macaé. Quando a Petrobras, na década de 70, iniciou os investimentos, eu sou fruto desse período, as empresas todas vieram, a cidade foi contemplada pela política de implementação dos royalties, enriqueceu os cofres públicos e esse dinheiro deveria ser utilizado como bom exemplo para o Brasil, para o ressarcimento dos impactos gerados pela indústria do petróleo. Mas o exemplo que mostramos para o Brasil é que Macaé não usou bem esses recursos, não trabalhou bem, a cidade ficou cada vez mais desigual. A crise política é a que temos que combater nessa eleição.

Crise econômica eu não enxergo dessa forma. Eu acho que a sociedade foi muito impactada, o comércio foi muito prejudicado pelas arbitrariedades promovidas pelo governo municipal. A crise poderia ter sido muito branda, se não fosse a oportunização que fizeram os políticos, os governadores e os prefeitos. A crise do petróleo ela é uma irresponsabilidade nossa, porque são 40 anos de dependência do petróleo. Nesse tempo já deveríamos ter novas atividades econômicas aqui. A gente vive uma “petrodependência” que dura 40 anos. Cadê o nosso turismo? O agronegócio? Onde estão as outras atividades industriais, comerciais? Hoje, se o petróleo acabar ou se as empresas desinvestirem na cidade, Macaé volta a ser uma colônia de pescadores. Essa é a preocupação que nós temos que ter. Recursos ainda tem demais, royalties a gente tem muito. Macaé tem uma receita própria numa grandeza também absurda e o principal, Macaé tem tudo para ser uma cidade desenvolvida.

› FONTE: RJ News


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