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Aventura na pororoca: Surfista riostrense participa de documentário sobre as ondas do Maranhão

Publicado em 26/09/2020 Editoria: Esporte sem comentários Comente! Imprimir


Ruan Pororoca. surfando nas águas do Rio Mearim, no Maranhão

Ruan Pororoca. surfando nas águas do Rio Mearim, no Maranhão

Surfar na pororoca não é para qualquer um. O surfista André Guimarães, conhecido como André Pássaro, especialista em ondas gigantes, aceitou o desafio de gravar um documentário que será exibido pela Rede Record e, posteriormente, pelo Canal Off. O riostrense chega amanhã da viagem, onde viveu grandes aventuras com um dos melhores surfistas de pororoca da nova geração, Felipe Ruan. Os dois conversaram diretamente das gravações do documentário, no rio Mearim, com a jornalista Daniela Bairros. 

Especialista em surfar em ondas gigantes, com experiência no Hawaí, o surfista riostrense André Guimarães, o André Pássaro, começou sua aventura no último dia 17, quando viajou para o interior do estado do Maranhão, mais precisamente para a cidade de Arari, onde está sendo gravado o documentário sobre surf na Pororoca, que é um fenômeno natural produzido pelo encontro das correntes de maré com as correntes fluviais, no período de maresia durante as luas novas e cheias. A composição reproduz ondas intensas e contínuas que podem ultrapassar quatro metros de altura. O documentário será exibido pela Rede Record e, posteriormente, no canal por assinaturas OFF e redes sociais.

Pelas redes sociais, o surfista de Rio das Ostras postou, antes de viajar, que ficou muito feliz com o convite de Felipe Ruan, surfista de pororoca da nova geração. “É com imensa felicidade que venho anunciar a minha próxima trip. Não poderia recusar o convite de Felipe Ruan, surfista de pororoca da nova geração que vem se destacando nos últimos anos. Um cara humilde, que cresceu vendo os gringos indo surfar na sua cidade, e agora é um dos grandes nomes do surf na pororoca no Maranhão e no Brasil”, escreveu.
O surfista de Rio das Ostras, que completou 33 anos de vida nessa quinta-feira (24), volta de viagem amanhã. Ao lado do fotógrafo profissional Gabriel Passos, André Pássaro conheceu as belezas naturais da Amazônia do Maranhão.

Ao RJ News, o surfista André relatou como foi viver essa grande experiência com Felipe Ruan. “Acampamos na floresta e vimos a fauna daqui de perto. Estava na Amazônia do Maranhão, onde passamos a noite, gravamos imagens dos bichos e o nascer do Sol. Enfim, é uma experiência única”, contou.

O surf de André Pássaro na pororoca foi entre os dias 17 e 19 de setembro. Ele participou de um ritual de tradições místicas, para ter permissão de surfar no rio Mearim, o Auêra auara. 

Felipe Ruan, com 20 anos de idade hoje, conhecido como Ruan Pororoca, começou a surfar no encontro das águas aos 15 anos.  Foi criado às margens do Rui Mearim, em Arari, no Maranhão. Ele faz parte de uma população ribeirinha. De origem humildade, Ruan surfava nas águas do Mearim, usando tampa de geladeira. A mãe, achando a situação muito arriscada, proibia o filho de praticar o surf. Ficou um tempo parado e voltou no final de 2017.

Assim que ganhou uma prancha de um amigo, Ruan Pororoca, como é conhecido na região, começou então a se profissionalizar no surf. “Aprendi a fazer um surf seguro e fui ensinando a galera. Era um trabalho voluntário, não cobrava nada. Assim fui ganhando popularidade”, revelou.

Como todo começo é difícil, com Ruan não foi diferente. A família achava o esporte perigoso e não aceitava a prática do surf na pororoca. “Eu não sabia se voltaria vivo para casa, porque ia surfar sem apoio de nenhum barco ou jet ski. Eu ia mesmo só por ir, para estar na onda. Comecei a fazer projetos depois de ganhar visibilidade aqui no Maranhão. Com isso, ganhei muitas pranchas e doei algumas. Visitei comunidades ribeirinhas carentes, ensinando jovens e adolescentes a fazerem um surf seguro na comunidade onde residem, onde passa a pororoca. Assim surgiu o projeto Surf sem Fronteiras. Com ele, visito comunidades ribeirinhas e faço doação de pranchas e ensino o surf seguro. As atividades estão paralisadas devido à pandemia, mas serão retomadas. Nesse ano, ganhei uma Canoa Polinésia e me filiei ao Projeto Rute Canoa, em Niterói. Vou continuar a ensinar jovens ribeirinhos a surfar em canoa polinésia”, disse Ruan ao RJ News.

A iniciativa de convidar André Pássaro para o documentário em Arari surgiu com o objetivo de mostrar o seu dia a dia às margens de um rio e de uma população ribeirinha. “Quando eu comecei a desenvolver os projetos, eu conheci o André pelo Instagram e logo de cara o convidei, porque é uma pessoa humilde, muito gente boa. É uma amizade que vai ficar para vida toda. Agradeço muito por ele ter vindo e no ano que vem espero que ele volte”, declarou Ruan.

Arari, no interior do Maranhão, tem cerca de 28 mil habitantes e faz parte da bacia hidrográfica do Rio Mearim, que é a maior do Estado, com 99.058.68 quilômetros, o equivalente a 29,84% da área total do território maranhense, abrangendo 83 cidades.

› FONTE: RJ News


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