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INEEP: óleos combustíveis também sustentaram vendas externas da Petrobrás no primeiro trimestre

Publicado em 29/04/2020 Editoria: Economia sem comentários Comente! Imprimir


O relatório de produção e vendas do primeiro trimestre de 2020 divulgado pela Petrobrás nesta terça-feira (28/4) mostra que a companhia não sofreu significativamente os impactos da covid-19 nos primeiros três meses deste ano. Entretanto, de acordo com a análise do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (INEEP), tal situação não deve se repetir no trimestre atual, quando a pandemia está atingindo seu auge no Brasil e afetando drasticamente o consumo interno de combustíveis. O INEEP aponta que  parte significativa dos resultados de janeiro a março deste ano foram garantidos pelas exportações de óleos combustíveis, produzidos em sua maioria nas refinarias da Região Nordeste que a Petrobrás mantém em seu plano de desinvestimento, bem como de petróleo cru principalmente para China, cuja demanda também deve sofrer nos próximos meses.

Na produção, em relação ao primeiro trimestre de 2019, quando a extração de óleo foi relativamente mais baixa por conta de paradas programadas, a produção de óleo, LGN e gás natural cresceu 16,1% de janeiro a março deste ano, saltando de 2,46 milhões de barris por dia (mbpd) para 2,86 mbpd no primeiro de 2020. Em relação ao último trimestre de 2019, porém, houve queda de 2,8%. Todavia, por conta da covid-19, a expectativa do mercado era de que os impactos seriam significativamente maiores.

A produção de derivados também cresceu, de 1,74 mbpd no 1T2019 para 1,84 no primeiro trimestre de 2020. Com isso, o fator de utilização das refinarias saltou de 75% para 79%.

Nesse ponto, o INEEP destaca o aumento da produção de óleos combustíveis (diesel, bunker, fuel oil etc.), que tem sido puxado pelas refinarias do Nordeste. No primeiro trimestre de 2019, a produção da Petrobrás foi de 13,4 milhões de barris, e, no 1T2020, foi de 18,8 milhões de barris, aumento de 39%. Grande parte desse crescimento foi sustentado por RLAM (Bahia), RNEST (Pernambuco), RPCC (Rio Grande do Norte) e Lubnor (Ceará), que, juntas, representaram 56% da produção de óleos combustíveis da empresa no primeiro trimestre deste ano. A produção de óleos combustíveis das quatro refinarias, que integram o plano de desinvestimento da Petrobrás, cresceu 62% entre os primeiros trimestres de 2019 e 2020. E na atual conjuntura, onde as exportações de petróleo cru da Petrobrás estão caindo e devem seguir essa tendência, essas plantas parecem ter papel estratégico para a petrolífera brasileira, caso a opção seja se consolidar nas exportações de bunker.

Mesmo com a queda da demanda interna, em razão do isolamento social, não ter impactado de maneira intensa os resultados, a diminuição do consumo de derivados em março produziu uma redução das vendas da Petrobrás no primeiro trimestre de 2020. O volume de vendas no mercado interno caiu 5,4%, saindo de 2,07 mbpd para 1,95 mbpd entre os primeiros trimestres de 2019 e de 2020. Todavia, em termos financeiros, essa queda foi mais do que compensada pelas exportações de petróleo cru e seus derivados, que subiram 55,3% no mesmo período (de 664 mil barris por dia para 1,03 mbpd). Com efeito, o volume de vendas da empresa, entre o primeiro tri de 2019 e o primeiro tri de 2020, aumentou 6,0%.

O INEEP destaca que a tendência é que a partir de abril o cenário piore significativamente. Dados já divulgados pela própria Petrobrás mostram uma queda impressionante do consumo de derivados, principalmente de querosene de aviação e gasolina. No caso do querosene de aviação, a queda foi superior a 80%.

Além disso, em termos globais, estimativas de diferentes consultorias apontam uma retração enorme da demanda por petróleo, o que certamente afetará ainda mais para baixo as exportações de óleo cru da companhia brasileira. A Rystad Energy, por exemplo, projeta que, entre abril e maio, na média, tal retração será da ordem de 20 mbpd (cerca de 20% da demanda mundial).

Para lidar com esse cenário, a Petrobrás comunicou a redução da produção de óleo em abril para 2,07 MMbpd e o fator de utilização das refinarias para 60%, ao mesmo tempo em que reforçou a capacidade logística de exportação de petróleo cru, diesel e óleo combustível. Em suma, a companhia apresenta cerca de cinco diretrizes para lidar com a crise: redução na produção de petróleo; redução de custos operacionais; otimização das produção de derivados, em favor do GLP e dos produtos com demanda por exportação; exportação de petróleo cru para a Ásia e exportação de óleo combustível para diferentes mercados, com foco também na Ásia.

› FONTE: Imprensa INEEP


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