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Após ano sabático, Jair Ventura se vê preparado para novo desafio em 2020

Publicado em 17/01/2020 Editoria: Esporte sem comentários Comente! Imprimir


Há mais de um ano sem clube, desde que deixou o Corinthians no final de 2018, o técnico Jair Ventura abriu o jogo ao jornal &39;O Dia&39;. Com passagens também por Botafogo e Santos, o comandante de 40 anos conversou sobre alguns assuntos como sondagens, técnicos estrangeiros, objetivos, período como atleta, dentre outros pontos na carreira. O técnico começou falando sobre como aproveitou 2019 e a motivação para este ano.

"Aproveitei bem. Eu vinha desde 2015 trabalhando de forma ininterrupta, então achei que era a hora de parar um pouco, me preparar ainda mais e curtir a minha filha, que nasceu quando eu ainda estava no Santos. Foi um ano de muito estudo, pude viajar o Brasil todo para dar palestras, assistir palestras, e no final de 2019 consegui a licença PRO da CBF. Também passei a assistir muitas partidas do futebol internacional, as novas tendências. Volto para 2020 mais preparado e pronto para um novo desafio", comentou Jair.

Balanço da época de Botafogo
Formado em Educação Física, Jair Ventura chegou ao Botafogo em 2008 como estagiário e quarto preparador físico do time. Desde então, ascendeu dentro do clube até assumir o cargo de técnico da equipe em 2016, substituindo Ricardo Gomes. Ainda como interino, o comandante assumiu o time carioca em 17° colocado e brigando para não cair, e conseguiu levar o time à 5º posição. Jair conquistou 11 vitórias em 15 partidas e levou a equipe à Libertadores do ano seguinte.

A grande campanha no segundo turno daquele Brasileirão levou o carioca a conquistar o prêmio de técnico revelação e foi efetivado no início de 2017 pelo clube. No ano seguinte, o Botafogo de Jair Ventura passou por Olimpia e Colo-Colo-CHI, dois campeões na pré-Libertadores, e se classificou em 1º lugar no grupo 1 do torneio. Passou por Nacional-URU nas oitavas de final, mas caiu nas quartas para o Grêmio, que acabou campeão daquele ano.

Ainda em 2017, Jair Ventura também levou o Botafogo às semifinais da Copa do Brasil, onde caiu para o Flamengo. No entanto, o time não teve o mesmo desempenho no Brasileirão e terminou o torneio apenas na 10ª posição. No final daquele ano, já identificado com a torcida e clube, Jair optou por deixar o clube e aceitar outro desafio no Santos, o que deixou parte dos torcedores irritados com o comandante. Jair fez um balanço dos anos na equipe.

"Não guardo nenhuma mágoa do Botafogo. Trabalhei lá durante 10 anos e o clube me formou tanto profissionalmente quanto pessoalmente. Cheguei lá como estagiário, passei por várias áreas até chegar ao cargo de treinador. O bom desempenho no Botafogo me levou à seleção brasileira, onde fiquei três anos trabalhando nas equipe de base. Sou eternamente grato ao clube. É minha segunda casa, por onde fiquei por praticamente uma década", disse Jair que emendou:

"No segundo ano de Botafogo, já pegamos de cara uma pré-Libertadores, com dois campeões da competição e conseguimos avançar à fase de grupos. Nos classificamos em primeiro, assim como fiz no Santos. Sou um privilegiado por ter uma carreira tão curta, mas já tendo disputado 20 partidas de Libertadores. Existem grandes treinadores no país que sequer disputaram um jogo no torneio. Saímos nas quartas de final para o Grêmio e nas semis da Copa do Brasil para o Flamengo", completou o técnico.

Passagem por Santos e Corinthians

Jair Ventura deixou o Botafogo rumo ao Santos, onde ficou por sete meses. O carioca comandou o clube paulista em 39 jogos, tendo vencido 14 e perdendo 15. Jair classificou o clube na primeira posição do grupo F da Libertadores, mas foi desligado do clube em julho de 2018. No início de setembro, assumiu o Corinthians e de cara eliminou o Flamengo na semifinal da Copa do Brasil, mas perdeu a final para o Cruzeiro. Após 19 jogos e apenas quatro vitórias, foi demitido no início de dezembro.

"Foram duas experiências fantásticas. No Santos, cheguei em uma grande reformulação, na presidência e no elenco. Deixei o clube na 1ª posição do grupo na Libertadores e nas quartas de final da Copa do Brasil, mas claro que poderíamos ter feito um trabalho melhor no Brasileirão. Nós priorizamos as competições mata-mata. Mas também pude conhecer muito o elenco e lançar o Rodrygo ao futebol mundial", disse Jair, que complementou falando sobre o período no Corinthians:

"No Corinthians, a situação das saídas de muitos jogadores atrapalhou um pouco, mas aceitei o desafio. Em cinco dias de trabalho já enfrentamos o Flamengo em uma semifinal de Copa do Brasil e conseguimos nos classificar para a final. Na decisão, pegamos um Cruzeiro franco-favorito e acabamos derrotados. Mas foi uma experiência fantástica por ser minha primeira final nacional. Saí de lá muito melhor do cheguei", disse Jair.

Confira outras respostas de Jair Ventura:

Seu nome esteve vinculado ao Coritiba no último mês. Recebeu alguma outra sondagem recentemente?
"Tem duas coisas que eu não falo na minha carreira, que são arbitragem e propostas de clubes. Antes mesmo de deixar o Botafogo, em 2017, eu recebi algumas sondagens, mas preferi esperar um pouco mais. Em 2019, eu também tive algumas sondagens, mas eu não comento sobre. Respeito quando os clubes divulgam, mas isso não vai partir de mim. Mas sim, houve algumas propostas no ano passado"

Como você analisa a chegada dos técnicos estrangeiros no Brasil?
"Já tiveram vários no Brasil. Eu joguei na Grécia, na França, Holanda, Arábia, e sempre fui bem recebido. Aqui não pode ser diferente, todos os técnicos de fora tem que ser bem recepcionados. Com a chegada deles, quem ganha é o futebol brasileiro, com novas escolas. Acho muito boa essa troca e espaço tem para todos"

Se considera um técnico da "nova geração" brasileira? Como você analisa seu perfil como treinador?
"Não tem como não ser da nova geração, até pela pouca idade. Fui efetivado como profissional com 37 anos e hoje tenho 40. É um orgulho pra mim podem disputar com tantos treinadores experientes como Felipão, Mano Menezes. Conseguir jogar contra esses cara é muito bom, técnicos que há pouco tempo eu só via pela televisão. Traçar o perfil de treinador é muito difícil, porque tem o clube que você chega, o elenco que você administra. São situações diferentes. No período em que fiquei no Botafogo, 44% dos jogos eu tive mais posse de bola e já no Santos, tive 76% nesse quesito. Isso mostra essa questão de ser mutável, se adaptar conforme as características. De maneiras diferentes, consegui os mesmos objetivos"

Poucos sabem que você chegou a atuar dentro das quatro linhas. Como foi esse período na sua carreira?
"Eu fui um operário da bola (risos). Joguei em times de menos expressão. Passei por vários clubes no Rio até me transferir para a França. Também atuei na Grécia, no Gabão, voltei para o Brasil, onde decidi parar aos 26 anos. Parei por não conseguir alcançar a excelência, não chegar a um grande clube. Sou um cara que me cobro muito. Optei por cursar educação física e acredito que foi a melhor escolha"

Tem algum clube específico no Brasil que gostaria de treinar? Sonha em trabalhar fora do país?
"Difícil ter um time específico. Sou um privilegiado por ter trabalhado nestes três grandes clubes do futebol mundial. Não teria porquê não comandar em nenhum clube do Brasil. Tenho vontade de trabalhar fora do Brasil também. E agora com a licença PRO, tenho esse direito. Tive algumas sondagens de fora no ano passado, mas preferi ficar por enquanto. É uma coisa que penso para minha carreira"

Se pudesse voltar no tempo e mudar alguma decisão que tomou na carreira, o faria? Se sim, qual?
"Sempre tomamos as decisões pensando no nosso melhor. Eu tenho um staff que trabalha comigo, então a gente sempre pensa, conversa antes das decisões. O passado é imutável, então temos sempre que seguir em frente. Pode ter ocorrido de certo lugar não ocorrer as coisas do jeito que queremos, mas serve de aprendizado para uma próxima oportunidade. Sabemos que é difícil o sucesso no futebol, mas trabalhamos para alcançar isso"

› FONTE: O Dia


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