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Casos de violência assustam moradores do Âncora e Nova Cidade, em Rio das Ostras

Publicado em 09/05/2014 Editoria: Segurança sem comentários Comente! Imprimir


Embora a segurança pública seja de res­ponsabilidade do governo do Estado, gestores municipais da re­gião, como Sabino, Antônio Marcos e Dr. Aluizio, têm se empenhado para amenizar o cenário de violência nos mu­nicípios de Rio das Ostras, Casimiro de Abreu e Macaé. Recentemente, foram reali­zadas reuniões com repre­sentantes da sociedade civil organizada para buscar es­tratégias e soluções para ofe­recer melhores condições às polícias e maior sensação de segurança pública à popula­ção. Mas, no entanto, essa não parece ser uma tarefa muito fácil. Conviver com a violência está cada vez mais difícil para os moradores de Rio das Ostras, por exemplo.

Um dos bairros mais po­pulosos da cidade de Rio das Ostras – o Âncora e também o bairro Nova Cidade, tem vivido um cotidiano de vio­lência alarmante, segundo moradores das localidades. De acordo com dados da de­legacia, de janeiro até o dia 25 de abril deste ano foram registrados 14 homicídios no município, sendo que três dos casos ocorreram no bairro Âncora. Mas, embora o número de crimes registra­dos seja pequeno, morado­res afirmam que acontecem muito mais mortes na comu­nidade do que o registrado.

Somente na última sema­na, entre os dias 30 de abril e três de maio, houve ocorrên­cia de três assassinatos em Nova Cidade. Em um deles, um homem conhecido como Elton foi morto, na rua 4, Beira Rio, próximo a padaria El Shaday. No dia 22 de abril, um jovem chamado Marcos Vinícius, conhecido como “Gordinho”, foi morto com um tiro na nuca, em frente a um bar, no bairro Âncora. Há quem diga que somente no mês de abril ocorreram cerca de cinco assassinatos na loca­lidade. Segundo moradores, diversos homens usando mo­tos passam livremente arma­dos pelo bairro.

O agente de segurança, Marcos Vinícius Carneiro, morador do Âncora, diz que o bairro está cada dia mais violento. Ele conta que na última semana, uma vizi­nha teve sua casa invadida por bandidos e, que só não chegaram a estuprá-la por ela estar grávida. “A situa­ção está alarmante. A polícia vem agindo, mas não tem como entrar em determi­nados lugares. Tem muita gente estranha circulando por aqui, que vem de fora, e tiroteio tem praticamente todos os dias. Com certeza, o número de mortes é bem maior do que o registrado na delegacia”, declara Marcos, acrescentando que as víti­mas de assassinato no bair­ro, geralmente, estão na faixa etária de 18 a 20 anos.

A dona de casa Néia Viana, que mora há 13 anos em Nova Cidade, se mostra muito preocupada com a si­tuação e diz que fica mais perigoso à noite, depois da rua da Fonte, onde aconte­ceu um homicídio na sema­na passada. “Para quem têm filhos e netos é preocupante. Saímos e não sabemos se vol­tamos vivos para casa”, res­salta. Outro morador, José Ferreira da Silva, acrescenta: “Depois das 18h, tem viatura da polícia rodando direto, mas tá difícil controlar. No bairro inteiro as pessoas se sentem apreensivas, não tem mais liberdade”.

De acordo com o coman­dante da 3ª Cia da Polícia Militar de Rio das Ostras, capitão Pinheiro, Âncora e Nova Cidade são realmente os bairros mais críticos e que tem chamado mais atenção da polícia, em relação a vio­lência no município. Segundo ele, há duas semanas tiveram um policial baleado, mas que apesar dos crimes de homi­cídio, já não tem mais tantos confrontos nas localidades com membros das facções que dominam os bairros por conta do tráfico de drogas. “Já recebemos o reforço de 14 policiais do RAS e temos viaturas baseadas nas locali­dades. Infelizmente, só temos um carro grande e homicídio é o maior crime para preve­nir. Sei que a população está assustada, mas temos feito trabalho ostensivo para ten­tar diminuir estes índices de criminalidade”, completa.

OUTROS CASOS

No dia 19 de abril, foi registrada uma tentativa de homicídio no Âncora. Um adolescente de 17 anos foi ba­leado no braço e no rosto, na rua das Papoulas, próximo a própria residência. Familia­res da vítima informaram aos policiais que uma pessoa em uma moto, não identificada, teria efetuado os disparos contra ele e fugiu em seguida. Dois dias antes, houve um in­tenso tiroteio na rua dos Cra­vos, por conta da visita de um traficante conhecido como “Tizil”, o qual foi menciona­do em uma recente matéria do RJNEWS que ele estaria a frente do tráfico no Morro do Sinal. Segundo informa­ções, ao perceber que estava sendo procurado o bandido saiu com um fuzil dando ra­jadas em cima da policia, que pediu reforço, mas quando chegou Tizil já tinha fugido.

Para a costureira Eliane Silva, que mora em Rio das Ostras há 12 anos, está difícil viver com esta situação. Ela conta que veio para a cidade por causa da violência no Rio de Janeiro, que afetou sua saúde. Eliane tinha sín­drome do pânico. “Minha filha ligou um dia desses em estado de choque por con­ta dos tiroteios. Criei bem meus filhos aqui, mas eles estão vendo amigos morren­do”, desabafa.

CONSÓRCIO REGIONAL DE SEGURANÇA

Na intenção de somar forças, no dia 24 de abril, pre­feitos da região reuniram-se em Rio das Ostras, para assinar um protocolo de Intenções para a criação do Consórcio Regional de Segurança Pública, Proteção e Defesa Civil. O evento contou com a participação, inclusive, de vereado­res, do comandante do 32º BPM de Macaé, Cel. Ramiro Campos, da delegada de Rio das Ostras, Carla Tavares, e do delegado da Polícia Federal de Macaé, Júlio Cesar Ribeiro.

Durante a reunião, o prefeito Sabino destacou a im­portância da união dos municípios em defesa da seguran­ça pública, pois, entende que os prefeitos não podem ficar alheios ao crescimento da violência. “Se agirmos em bloco conseguiremos maior respaldo das autoridades estaduais e federais e até mesmo recursos federais para viabilizar ações de combate”, comentou.

O documento foi encaminhado para as Câmaras Muni­cipais que compõem o Consórcio Regional de Segurança, formado por 12 itens de ações aprovadas. Entre as reinvin­dicações, estão a permanência da Companhia de Práticas Pedagógicas em Rio das Ostras, o emprego de ações de pa­cificação nas escolas e o desenvolvimento de estratégicas comuns de neutralização de invasões de áreas públicas, en­tre outras. O delegado da PF, Júlio Cesar Ribeiro, até colo­cou à disposição dos municípios sua equipe de inteligência, assim como de policiais federais e cães, que podem ajudar a combater a criminalidade. 

› FONTE: Macaé News (www.macaenews.com.br)


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