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Depois da decadência, Macaé quer deixar de ser só a “capital do petróleo”

Publicado em 28/10/2019 Editoria: Economia sem comentários Comente! Imprimir


A tranquilidade da orla dos Cavaleiros, em Macaé, Rio de Janeiro, está prestes a acabar com a nova onda de euforia acerca dos próximos leilões de petróleo previstos para o Brasil, com destaque para o excedente da cessão onerosa no início de novembro. Embora a notícia de uma nova leva de riquezas provenientes da indústria petrolífera seja atraente, Macaé tenta se desvencilhar da reputação que ganhou ao longo das últimas décadas, de “capital do petróleo”, para quem sabe garantir um futuro mais sustentável.

O sol nasce muito cedo em Macaé, ainda antes das seis da manhã. Enquanto alguns moradores se exercitam pelo calçadão, um trânsito pesado começa a se formar pela rodovia paralela à praia, uma vez que muitos moradores de municípios vizinhos, como Rio das Ostras, se deslocam diariamente para trabalhar na cidade, cuja paisagem mistura, em boa parte, mar aberto à herança da indústria de óleo e gás: à noite, é possível ver no horizonte as luzes de plataformas e navios-sondas.

Antes das primeiras descobertas de poços de petróleo na região, em meados de 1970, a pesca era a principal atividade dos cerca de 30 mil habitantes de Macaé. Com o avanço da exploração e da produção em alto-mar, uma extensa cadeia de fornecedores se formou na região para atender à demanda crescente da Petrobras. Brasileiros de todo o país desembarcaram em Macaé com sonho de emprego e renda. A população da cidade saltou para 240 mil habitantes em 2012.

O horizonte que se desenha para a indústria petrolífera no Brasil, com leilões grandiosos na camada pré-sal, representa uma nova oportunidade para Macaé, que minguou nos últimos anos. A derrocada dos preços do petróleo no mercado internacional, a partir de 2014, coincidiu com os desdobramentos da Operação Lava-Jato.

A cidade perdeu 40 mil carteiras assinadas e sobrou até para os animais de estimação: segundo relatos de moradores, inúmeros cachorros foram abandonados nas ruas de Macaé quando famílias inteiras foram embora para fugir do desemprego.

“Macaé vive um momento de recuperação com os novos projetos de petróleo e gás e com a reforma do aeroporto. A ocupação está crescente e os negócios também”, conta Isabel Tunas, vice-presidente do Macaé Convention & Visitors Bureau, que promove o turismo local. Ela reconhece, entretanto, que os vultosos recursos provenientes dessa indústria podem ser um risco para o futuro da cidade.

“O petróleo é muito sedutor, mas sabemos que é cíclico. Macaé tem praias lindas e uma estrutura de bares e restaurantes preparada para os turistas. Queremos depender cada vez menos da indústria petrolífera.”

Uma diária de hotel de frente para o mar – incluindo as de bandeiras internacionais – já chegou a custar 800 reais no auge da economia local, em meados de 2011. Hoje, gira em torno de 170 reais.

› FONTE: Exame


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