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Entenda como a crise argentina afeta a economia brasileira

Publicado em 13/08/2019 Editoria: Economia sem comentários Comente! Imprimir


O agravamento da crise argentina tem o potencial de dificultar ainda mais a retomada da economia brasileira. Isso acontece por causa das estreitas relações entre os dois países. Vale lembrar que a Argentina já estava em recessão antes da crise de confiança que se aprofundou com o resultado das eleições primárias no último domingo. O PIB encolheu 2,5% em 2018 e deve cair mais de 1% neste ano.

A Argentina é o terceiro principal parceiro comercial do Brasil, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Além disso, a crise argentina aprofunda a estratégia de aversão ao risco por partes de investidores estrangeiros, que já está acentuada por causa da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China.

Vamos aos números: De janeiro a julho deste ano, as exportações brasileiras para a Argentina somaram US$ 5,986 bilhões, o que representou uma queda expressiva de 40% em relação ao mesmo período do ano passado (quando as vendas somaram US$ 9,977 bilhões).

As exportações brasileiras como um todo caíram de US$ 136,342 bilhões para US$ 130 bilhões nos sete primeiros meses do ano de 2018 para 2019, um tombo de 4,7%. Isso significa que apenas o recuo das vendas de produtos para a Argentina respondeu ao equivalente a 63% de toda a queda neste ano.

Qual setor é o mais afetado? Sem dúvida, a indústria automotiva. A Argentina é o principal destino das exportações de carros produzidos no Brasil. De janeiro a julho, as vendas para o país vizinho caíram 50%, passando de US$ 2,68 bilhões em 2018 para US$ 1,34 bilhão neste ano.

E nos mercados? O Ibovespa encerrou o pregão ontem com uma queda de 2%, enquanto o dólar teve valorização de 1% em relação ao real. A razão é que o agravamento da crise argentina acentua a estratégia de fuga de ativos mais arriscados pelos investidores.

Esses ativos são em sua maioria de economias emergentes, ainda que a economia brasileira tenha melhores fundamentos do que a Argentina, como contas públicas menos desequilibradas, um déficit menor nas transações com o exterior e maiores reservas em moeda estrangeira.

Qual o contexto: As eleições primárias, de caráter simbólico, sinalizaram a forte perspectiva de vitória da chapa formada por Alberto Fernández e Cristina Kirchner, que defendem uma política de intervenção do estado na economia, em detrimento do liberal Mauricio Macri, atual presidente.

› FONTE: 6 Minutos


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