Macaé News
Cotação
RSS

OEI defende regulação do uso de celulares no recreio das escolas

Publicado em 04/07/2019 Editoria: Entrevista sem comentários Comente! Imprimir


O secretário-geral da OEI, Mariano Jabonero. EFE/Marcelo Chello

O secretário-geral da OEI, Mariano Jabonero. EFE/Marcelo Chello

O secretário-geral da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI), o espanhol Mariano Jabonero, defendeu em entrevista à Agência Efe a regulação do uso de telefones celulares no recreio das escolas, seguindo o exemplo da França.

Jabonero, que está em São Paulo para a I Reunião de Alto Nível de Representantes Ministeriais e Institucionais de Cultura da OEI, também alertou sobre o impacto das novas tecnologias na aprendizagem dos jovens e abordou os desafios do setor educacional e cultural do espaço ibero-americano.

Para o secretário-geral deste organismo multilateral com sede em Madri, a educação na região continua estagnada na "baixa qualidade", na "inequidade" e na "pouca inclusão".

.Pergunta: Qual é o panorama da indústria cultural da Ibero-América?

Resposta: A economia da cultura em nível mundial tem um impacto grande, mas na América Latina tem um impacto relativamente pequeno dentro do mundo. Representa só 6%.

P. Quando falamos de educação, sempre são citados países como Coreia do Sul, Singapura e Finlândia como exemplos a seguir.

R. Há um pouco de mitomania, são países diferentes dos nossos, com um modelo educacional de sucesso em um contexto determinado. Lembro que quem mais avançou no PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) foi o Peru no teste de leitura. Portugal foi o que mais avançou na qualidade de educação entre os países da União Europeia (UE) em quase 20 anos.

P. Curioso o caso de Portugal.

R. Sofreu intervenção da troika europeia (devido à crise econômica e financeira) em 2011. Sofreu uma situação econômica muito difícil e melhorou sua educação mais do que ninguém. Essa história de gastar mais e ter melhores resultados nem sempre acontecem.

P. Voltando à cultura, o que podem fazer os governos para promovê-la sem causar tanto impacto em seus orçamentos?

R. No caso da América temos a República Dominicana, que investe em cultura através de isenções fiscais. É um modelo a seguir. Segundo dados de 2018, há um país (ibero-americano) que pode superar 1% do PIB em cultura, que é a Colômbia, e também o Brasil. O ideal seria um investimento de entre 2% e 3%. O retorno para o país seria em dobro.

P. Qual é o calcanhar de Aquiles da região?

R. Ela continua com um sistema educacional de baixa qualidade, com muita inequidade - grandes diferenças segundo a procedência da família - e pouco inclusivo. Há uma melhoria lenta. Mas, vendo o copo meio cheio, a cobertura educacional é de quase 95%, um dado histórico. No entanto, uma vez na escola, a qualidade não é boa.

P. Em alguns países como o Brasil se investiu demais em ensino superior em detrimento do básico?

R. No Brasil foram feitos grandes investimentos em todos os níveis educacionais, os dados estão aí. Na América Latina, há 30 milhões de estudantes (crescimento recorde) e 70% deles vêm de famílias nas quais ninguém tinha ido à universidade (...). O problema é que atualmente o fato de um filho ir à universidade não garante sair da pobreza.

P. Faltam carreiras mais técnicas na América Latina?

R. Apenas 2% dos alunos ingressam nas carreiras voltadas para o setor de agronegócios, sendo que é a região mais rica do mundo em recursos naturais do setor agropecuário e muito poucos fazem um curso para aquilo que é parte principal da economia da região.

P. Como está o salário dos professores?

R. Subiu de forma geral (...). No caso da (República) Dominicana, do Panamá (...) o salário está em US$ 1.000 mensais na região. Há oito ou dez anos havia salários de US$ 100 ou US$ 200.

P. As novas tecnologias são uma porta para as informações falsas dentro do corpo discente?

R. Há uma inflação de informação, sem capacidade de discriminar. Estamos em uma cultura digital na qual o peso da informação controlada através de algoritmos está condicionando a vida dos cidadãos (...). Um menino ou uma menina de 15 ou 18 anos não sabe que roupa vai comprar dentro de 15 dias, mas o Google sabe (pelos algoritmos que dirigem a publicidade a públicos específicos).

P. Nas aulas, o senhor é favorável a limitar a internet?

R. O que disser o professor. Há casos em que dentro da sala de aula é um recurso, uma porta de oportunidades, mas em outros casos não tanto. Na França proibiram o uso de celulares no recreio. A imagem do recreio de um colégio com ou sem celular muda totalmente. Com celular, todos parados, quietos. E sem celular, todos correndo, fazendo esporte, brincando.

P. Então é preciso controlá-lo?

R. Claro. Nos recreios o normal é cantar, conversar, se divertir, e não ficar como autistas com o aparelho na mão.

Antonio Torres del Cerro.

› FONTE: EFE


sem comentários

Deixe o seu comentário