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Impasse entre Globo e Palmeiras expõe crise em negócio milionário na TV

Publicado em 05/05/2019 Editoria: Esporte sem comentários Comente! Imprimir


Uma partida sem nenhum atrativo especial, a disputa entre Palmeiras e CSA pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro, em pleno 1º de maio, se tornou um marco no disputado mercado de direitos de transmissão esportiva. Pela primeira vez em cerca de duas décadas, um jogo do torneio não passou na televisão.

O "apagão" atingiu TV aberta, TV por assinatura, pay-per-view e streaming. Só os torcedores que compareceram ao estádio Rei Pelé, em Maceió, viram o empate em 1 a 1. O torcedor palmeirense em São Paulo teve de acompanhar o jogo por transmissões radiofônicas.

Houve tentativas de pirataria, via Facebook e YouTube, com o uso de celulares e câmeras, por pessoas que estavam dentro do estádio, mas os links foram logo "derrubados" por denúncias de um dos donos dos direitos.

Eis a novidade. A Globo tem os direitos de transmissão para TV aberta dos jogos de 19 times da Série A. Só não fechou acordo com o Palmeiras. A emissora também pode exibir as partidas de 18 times no pay-per-view (além da equipe paulista, não se acertou com Athletico-PR).

Sem concorrentes no mercado de TV aberta, a Globo se viu confrontada no mercado de TV por assinatura por um rival estrangeiro, o grupo Turner.

Quando ainda tinha o canal Esporte Interativo, fechado no ano passado, a empresa americana assinou acordo de transmissão com sete equipes (Athletico-PR, Bahia, Ceará, Fortaleza, Internacional, Palmeiras e Santos). Desta forma, ganhou o direito de exibir 42 partidas do Brasileirão neste ano, o que fará pelo canal TNT.

Outros 13 clubes (Atlético-MG, Avaí, Botafogo, CSA, Chapecoense, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Goiás, Grêmio, São Paulo e Vasco) fecharam com a Globo, que exibe as partidas pelo SporTV.

O impasse mais sério, pelo número de torcedores que impacta, é entre a Globo e o Palmeiras. É uma discussão complexa, sobre direitos e valores. Os argumentos do clube são baseados em dados objetivos, da mesma forma que os da emissora. Até o momento em que escrevo (quinta-feira à tarde), nenhuma das partes quer ceder nessa mesma discussão.

Como mostrou o jornalista Rodrigo Mattos em seu blog no UOL, Globo e Palmeiras estão perdendo muito dinheiro no confronto. O impasse, lembra ele, ocorre por culpa da legislação, que dá a cada clube direitos sobre a metade de um jogo, mais especificamente pela desunião das equipes, que não conseguem negociar em conjunto com as emissoras.

À medida em que os esportes se tornaram uma mercadoria valiosa para a televisão, a comercialização de direitos de transmissão se profissionalizou em todo o mundo. Na maior parte dos mercados, quem negocia com as TVs são as ligas, em nome das equipes.

Nos Estados Unidos, os direitos de transmissão de partidas de basquete (NBA) e de futebol americano (NFL) atingem a casa dos bilhões de dólares a cada temporada.

No Brasil, como lembra Mattos, desde os anos 1980, todas as tentativas de associação dos clubes de futebol foram boicotadas pela principal entidade que comanda o esporte.

É preciso acrescentar que, pelo menos em um momento crucial, em 2011, a Globo teve papel preponderante, aliada à CBF (Confederação Brasileira de Futebol), na luta para esvaziar os esforços de organização das equipes.

Na época, com medo de perder os direitos do Brasileiro para a Record, a Globo negociou diretamente com os clubes, causando a implosão do Clube dos 13, a entidade que os representava. Hoje, a emissora deve se arrepender do que fez naquele momento.

Folhapress

› FONTE: Macaé News (www.macaenews.com.br)


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