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Presos ordenaram ataques à Corrida da Paz e ao Afroreggae, diz polícia

Publicado em 22/04/2014 Editoria: Polícia sem comentários Comente! Imprimir


Piná e 2D também teria ordenado ataques em Niterói neste sábado.
Presos estavam numa casa de luxo em Búzios, com mulheres e filhos.


Os traficantes Bruno Eduardo da Silva Procópio, 33 anos, conhecido como Piná, e Eduardo Fernandes de Oliveira, o 2D do Complexo, de 26 anos, presos na manhã desta segunda-feira (21), são suspeitos de ordenar os ataques a UPPs no Rio. Segundo a polícia, eles ordenaram que veículos fossem queimados neste sábado (19), na comunidade de Caramujo, em Niterói; estão por trás dos tiros disperados durante a Corrida da Paz, no Conjunto de Favelas do Alemão, da qual participou o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, em 2013; e dos ataques à sede do Afroreggae, onde ficava a redação do jornal  "A Voz da Comunidade", também no ano passado.

As informações foram dadas em entrevista coletiva na Cidade de Polícia, Zona Norte do Rio, pelos delegados Carlos Eduardo Thomé, da Polícia Federal, chefe de operações da Divisão de Repressão a Entorpecentes, e Sérgio Sahione, da Inteligência da Secretaria de Segurança estadual. "Essas prisões foram fundamentais para a segurança da cidade", disse homé.

Os policias disseram que há 15 dias monitoravam Piná e 2D. A investigação se deu num trabalho da secretaria, com apoio da Polícia Federal e da Polícia Civil. Na quinta-feira (17), os policiais se deslocaram para a localidade de Tucuns, em Búzios, na Região dos Lagos. Piná e 2D estariam lá com suas famílias para passar o feriado da Páscoa. Por volta das 5h, os policiais identificaram a casa onde os suspeitos estavam, e acionaram a Polícia Civil. Às 11h40, a equipe de 15 homens, apoiada por dois helicópteros da Polícia Civil,  entrou na residência.

Segundo Sahone, 2D tentou fugir para um terreno ao lado, mas quando viu que estava cercado, e que havia helicópteros sobrevoando a casa, se entregou. Sahione disse ainda que na casa não foram encontradas armas nem drogas, mas havia uma quantidade de dinheiro que ainda estava sendo contado às 16h. Um homem que estava na casa foi detido também para averiguação e sua identidade não foi divulgada.

O delegado Thomé explicou a casa em Búzios foi alugada por R$ 7 mil pelo período do feriadão. Tem quatro suítes e os confortos típicos de uma casa de veraneio: churrasqueira e piscina. Os policiais que monitoraram o movimento da casa disseram que nem Piná nem 2D saíam da casa. Na garagem, um Corolla, um Onix e um Gol.

A ação na Região dos Lagos contou com dois helicópteros e assustou moradores, que disseram ter ouvido tiros. O Disque-Denúncia oferecia R$ 5 mil pela prisão de Piná, uma das maiores recompensas já pagas. A recompensa pela prisão de Duda 2D era de R$ 1 mil. No momento da prisão, eles estavam acompanhados de familiares na casa de luxo de Piná, em Búzios.

Ataques a UPPs


Desde o início de 2014, criminosos praticaram uma série de ataques a comunidades pacificadas.  Em janeiro, suspeitos atiraram um coquetel molotov contra a UPP do Alemão, no Conjunto de Favelas do Alemão. O artefato atingiu dois carros que estavam parados na frente do prédio. No fim de fevereiro, criminosos incendiaram um contêiner no Morro do Gambá, que fica no Conjunto de Favelas do Lins. Criminosos também atiraram contra a base da Camarista Méier, na mesma ocasião.

Também em fevereiro, a soldado Alda Rafaela Castilho, da UPP Parque Proletário, no Conjunto de Favelas da Penha, foi morta após ser baleada na barriga por criminosos, durante uma patrulha a comunidade. No mesmo mês, o policial Wagner Vieira da Cruz foi baleado na cabeça, na Vila Cruzeiro, também no Conjunto de Favelas da Penha, e morreu.

Já em março, o subcomandante da UPP da Vila Cruzeiro, Leidson Acácio Alves Silva foi morto durante um confronto entre policiais e criminosos. No mesmo mês, policiais da UPP da Rocinha foram atacados a tiros.

Em março deste ano, criminosos atacaram simultaneamente as Unidades de Polícia Pacificadora de Mandela, em Manguinhos, e da Camarista Méier, no Conjunto de Favelas do Lins de Vasconcelos, no Subúrbio. Em Manguinhos, os suspeitos também atearam fogo a dois carros da Polícia Militar. Esses ataques levaram o Governo do estado a pedir a ajuda das Forças Armadas ao Governo federal para auxiliar na pacificação do Conjunto de Favelas da Maré.

Quem são os criminosos


De acordo com o Disque Denúncia, Piná faz parte do tráfico de drogas que age no Conjunto de Favelas da Penha e ainda gerencia alguns pontos de drogas naquela comunidade. Primo do traficante Luiz Fernandes Procópio Ferreira, o Escobar, Piná é apontado como o segundo homem na hierarquia no Complexo da Penha. Pelo Sistema de Cadastramento de Mandados de Prisão, há um mandado de prisão expedido pela 16ª Vara Criminal da Capital, pelo crime de associação ao tráfico.

Duda 2D, de acordo com o Disque Denúncia, seria o responsável por toda contabilidade do crime que existia no Alemão. Em fevereiro de 2011, foi condenado pela morte e esquartejamento de André Luis dos Santos Jorge, o Dequinha, em uma disputa pelo tráfico. O mandante do crime teria sido Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, preso na penitenciária federal de Porto Velho, em Rondônia. Em 2012, o criminoso foi um dos denunciados pela morte de uma PM da UPP Nova Brasília.

 

› FONTE: G1.com


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