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Fiscalização itinerante do Detran começa nesta segunda-feira

Publicado em 07/04/2019 Editoria: Entrevista sem comentários Comente! Imprimir


Luiz Carlos das Neves, presidente do Detran

Luiz Carlos das Neves, presidente do Detran

 Com o fim das vistorias e o afastamento dos PMs das blitzes, o Departamento de Trânsito do Estado do Rio (Detran/RJ) dará o pontapé inicial para um novo modelo de fiscalização de veículos a partir de amanhã. Batizada de &39;Operação Detran Seguro&39;, as vistorias itinerantes contarão com filmagens e testes do bafômetro.

As abordagens serão gravadas e transmitidas em tempo real. Uma câmera especial servirá para ler as placas dos carros, apontando se o motorista teve a habilitação suspensa ou até se o veículo é roubado. A nova operação acontecerá em três endereços surpresa, diariamente, segundo o presidente do órgão, Luiz Carlos das Neves. "O objetivo é a conscientização", defende. Ele anunciou também que os leilões de carros abandonados, paralisados há quatro anos, acontecerão este mês.

Como será a &39;Operação Detran Seguro&39;?

Na fase inicial serão três ações por dia — duas na Região Metropolitana e uma no interior. Cada agente contará com sua câmera, que transmitirá toda a gravação para nossa central de monitoramento, montada na sede do Detran. Além delas, também vamos trabalhar com as OCR, as câmeras inteligentes que realizam leituras das placas, fornecendo informações se o veículo é roubado e se o proprietário está com a carteira de habilitação em dia. Com elas, vamos abordar apenas os veículos nos quais forem detectadas irregularidades. Também vamos abordar os veículos que, mesmo estando regulares com documentação, estão em péssimo estado de conservação, com pneus carecas. Também teremos verificação de emissão de gases, no caso dos veículos que derem indícios de que estão poluindo.

E o uso dos bafômetros, como será feito?

Os etilômetros só serão usados caso haja alguma suspeita na abordagem. Só se o motorista apresentar sinais notórios de embriaguez. Já vai começar amanhã também, mas não é regra. Nem todos os motoristas parados terão que soprar o bafômetro, como acontece nas blitzes da Lei Seca. Atualmente, temos quatro etilômetros.

Só quatro? Não é pouco?

Nesse primeiro momento, os que temos nos atenderiam, mas vamos licitar outros 25. Até porque esse não é o nosso foco. A proposta da operação é retirar da rua os veículos em mau estado de conservação que põem em risco a vida das pessoas.

Qual a importância do uso das câmeras nas ações?

São equipamentos que dão transparência. Os motoristas podem usar as imagens como prova e os agentes também terão a segurança de que toda a ação está filmada. Vale a pena ressaltar que o Detran já faz fiscalização há anos. No ano passado, removemos mais de 11 mil veículos e notificamos outros 23 mil, sem nenhuma denúncia ou reclamação de irregularidade contra nossos agentes.

No novo modelo, a PM terá alguma participação nas blitzes do Detran ou nenhuma?

A PM não vai mais fazer blitzes por questão de recursos humanos. Por uma decisão do governo. Preferiu-se ter os policiais em outras atividades e, no lugar desses PMs que faziam blitzes, ficará o Detran. Os PMs continuam podendo multar motoristas quando se depararem com alguma irregularidade, só não podem mais fazer blitzes. Eles também terão papel importante nas ações do Detran, nos darão apoio na segurança. Em cada equipe de oito agentes do departamento, teremos duas viaturas com quatro policiais. Servirá para uma eventual necessidade, em caso de fuga de algum motorista. Vivemos um momento em que a população está ressabiada com abordagens do Estado, reclamando das abordagens da polícia. Estamos tentando entrar com uma nova orientação, um apelo maior à conscientização do que à repressão. É uma novidade e a gente quer começar as operações tentando causar o mínimo de transtorno possível à população. Vamos começar de uma forma mais branda, com poucas equipes, prestando toda orientação possível. Nossa intenção é trazer o povo para o nosso lado. Isso é fundamental para nossas ações de conscientização.

Sem a vistoria anual, o senhor não acha que as ruas estarão menos seguras, com carros que podem causar muitos transtornos à população? Não apenas aos motoristas, mas também aos pedestres...

Nenhum estado deste país fazia vistoria nos moldes do que era feito no Rio. Do jeito que era, a vistoria nunca garantiu a segurança das pessoas. Muitos carros estavam rodando, mesmo cheios de irregularidades. Era só fonte de corrupção.

E agora que a vistoria tradicional acabou, quais itens serão avaliados durante a fiscalização itinerante?

Vamos nos ater a sete pontos: vidros, lataria, faróis, setas, placas, pneus e, eventualmente, aferição de gases. Tem carro que solta tanta fumaça branca que parece até que está anunciando o papa. Esses passarão por esta aferição. Não queremos criar transtorno, só proteger.

Com a extinção das vistorias, postos serão extintos?

Tínhamos 49 postos, mas estamos reduzindo os contratos em mais da metade. Pagávamos R$ 168 milhões e agora vamos pagar R$ 40 milhões por ano. Estamos trabalhando com demanda bem menor. Mas os postos ainda funcionam porque há casos de transferência de propriedade, mudança de categoria, entre outras necessidades. Mas a tendência é diminuirmos cada vez mais. Já cortamos 26 postos, de acordo com um estudo que fizemos.

Tivemos dois ex-presidentes do Detran presos. Algo vem sendo feito para frear o loteamento político ao qual o órgão foi submetido nos últimos anos?

Durante anos, esses servidores foram tratados como bandidos. Sempre apontados como envolvidos em corrupção, enquanto os responsáveis por isso eram os terceirizados. Os servidores foram relegados e não participavam da administração. Hoje, diminuíram drasticamente as denúncias de corrupção. Fortalecemos a nossa corregedoria. O Detran conta com servidores que são tecnicamente competentes para exercer suas funções.

Os carros ou sucatas que estão nos pátios legais após serem roubados e recuperados ou por terem sido abandonados, voltarão a ser leiloados? Há anos, os leilões não acontecem. Além de liberar espaço, também geram renda aos cofres públicos...

Só este ano, mais de nove mil veículos foram abandonados nos pátios. Mas, depois de quatro anos sem leilões, posso anunciar que teremos um já nesta segunda-feira (amanhã). Teremos a oferta de 765 sucatas, que totalizam 387 toneladas, que hoje ocupam o depósito de Campo Grande, na Zona Oeste da cidade.

› FONTE: O Dia


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