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Russel Crowe mistura humor e irritação na divulgação de 'Noé' no Rio de Janeiro

Publicado em 31/03/2014 Editoria: Cultura sem comentários Comente! Imprimir


Líder das bilheterias norte-americanas em seu dia de estreia, na última sexta-feira (28/2), o filme "Noé" vem sendo divulgado em diversas cidades do mundo. A estratégia é cada vez mais constante nos grandes estúdios: sabedores de que nem sempre o sucesso da bilheteria doméstica é garantido, o bom faturamento pode ser conseguido em outros mercados. Nesse contexto, o Brasil (em especial, o Rio de Janeiro) tem sido palco regular para a visita de grandes astros. Tom Cruise, Hugh Jackman, Cameron Diaz, Will Smith e Bradley Cooper são alguns dos nomes que já vieram à cidade para falar sobre seus filmes – e fazer um pouco de turismo, é claro.

Na semana passada, foi a vez de Russel Crowe conhecer – e elogiar – a Cidade Maravilhosa e seu clima. "Quero voltar para aproveitar melhor. É uma cidade que parece ter uma surpresa em cada esquina", afirmou o ganhador do Oscar, em coletiva à imprensa na Zona Sul, em 21 de março. Nesse mesmo dia, o astro pedalou pela cidade e visitou pontos turísticos, atrasando a entrevista em quase duas horas. Ainda assim, bem-humorado a seu modo, pediu desculpas aos jornalistas por tê-los deixado esperando. Falou também sobre os grandes eventos que virão para a cidade ("O Rio estará muito em foco") e – até ele! – criticou o trânsito caótico.

É a primeira vez que Aronofsky, responsável por obras provocantes como "Requiém para um sonho", "O lutador" e "Cisne negro", se arrisca em um blockbuster, cujo orçamento é muito maior do que seus projetos anteriores. O diretor nova-iorquino é também corroteirista de "Noé", uma enorme responsabilidade diante de uma das mais conhecidas e respeitadas histórias bíblicas. E não há grande estúdio ou orçamento inflado que faça com que o filme escape de polêmicas. Antes mesmo de estrear, países como Egito, Emirados Árabes, Indonésia e Catar – também vistos como importantes mercados internacionais – decidiram banir "Noé" de seus cinemas por motivos religiosos. "O que os países que não vão exibir o filme perdem é o estímulo à discussão", lamentou o ator.

Ao contrário do diretor, Russel não é nem um pouco estranho a obras com tintas épicas. "Gladiador" e "Robin Hood", duas de suas colaborações com Ridley Scott, geraram prêmios e muito dinheiro mundo afora. Ainda assim, o neozelandês negou que seja esse seu tipo de filme favorito para atuar. "Todo trabalho que eu faço significa muito para mim, seja épico ou não", analisou.

Humor variável

Mas, como o próprio ator descreveu, as filmagens de "Noé", que incluíram um longo período na Islândia, mostram bem que não foi um trabalho qualquer. "As condições eram duras. Enfrentamos 36 dias de chuva", contou. Como ator, Russel também enfatizou que se preparou para o papel por um bom tempo – cerca de seis meses. "Quando fui convidado para o projeto, eu não sabia muito sobre a história. E o fato é que você nunca vai se aproximar de um projeto como esse sem que haja dúvidas, questionamentos e perguntas".

O ator elogiou os colegas de elenco Anthony Hopkins, Emma Watson, Ray Winstone, Logan Lerman e, sobretudo, Jennifer Connely, com quem trabalhou no premiado "Uma mente brilhante". Mas foi ao falar de sua relação com os animais que ele mais mostrou vivacidade. Crowe fez graça dizendo ter ficado desapontado por não ter podido trabalhar com animais reais (quase todos os que aparecem em cena são digitalizados) e criticou a falta de respeito com que os homens os tratam. "Eu tenho uma conexão espiritual muito profunda com os animais. Eu amo animais. Se olharmos a maneira como tratamos os animais, entendemos muitos dos nossos problemas como sociedade".

Na parte final da coletiva, o ator mostrou que seu humor é mesmo peculiar – e variável. Antes da entrevista, a imprensa foi alertada a concentrar as perguntas no filme e na carreira do ator, um sujeito notoriamente defensor de sua privacidade. Apesar de ter brincando com o silêncio dos jornalistas e de ter contado, com orgulho, que conseguiu encontrar o Papa Francisco ("Após tanta controvérsia cercando o filme, ter sido convidado para o Vaticano foi uma atitude muito gentil", enalteceu), Russel se mostrava impaciente com questões sobre religiosidade e chegou a disparar que "algumas perguntas merecem uma resposta muito curta". Ao tentar responder sobre a missão de Noé, ele proferiu a seguinte sentença, mais de uma vez, de forma curta e direta: "Noé é um servo (de Deus); não cabe a ele escolher”.

O filme estreia nos cinemas brasileiras no dia 3 de abril. 

› FONTE: Macaé News (www.macaenews.com.br)


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