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Aparecimento de lobo-guará em Macaé vira tema de artigo de pós

Publicado em 05/09/2017 Editoria: Educação sem comentários Comente! Imprimir


Para a cidade, esse registro implica a necessidade de se tomar precauções devido aos acidentes com esse animal

Para a cidade, esse registro implica a necessidade de se tomar precauções devido aos acidentes com esse animal

O fato de em Macaé estar aparecendo espécies de lobo-guará virou artigo do Boletim da Sociedade Brasileira de Mastozoologia. O trabalho foi escrito pelo professor de graduação, mestrado e doutorado, o zoólogo Pablo Rodrigues Gonçalves, junto com o biólogo da secretaria de Ambiente e Sustentabilidade, o coordenador do Parque Atalaia, Alexandre Bezerra. Eles contaram com contribuição de quatro alunos do Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Socioambiental de Macaé (Nupem), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Pablo pontua que há duas possibilidades para o aparecimento do lobo-guará em Macaé: o desmatamento do Cerrado, seu habitat, ou sua residência nesta região ter ocorrência há muito tempo. "Para a cidade, esse registro implica a necessidade de se tomar precauções devido aos acidentes com esse animal, na BR-101 e nas RJs 162 e 168", diz.

É grande a probabilidade de o lobo-guará ter fugido da região central do Brasil para o território macaense, justificada porque aquela área tem passado por transformações significativas, na qual surgem grandes pastos e áreas para plantação de soja.

Pablo conta que o lobo-guará é um grande canídeo silvestre de pernas longas e negras, ícone do Cerrado do interior do país e ameaçado de extinção, que agora marca presença também em Macaé, Carapebus e Conceição de Macabu. Isso é o que aponta o estudo recém-publicado na quarta-feira (30/8). Os dados foram reunidos principalmente a partir do monitoramento de animais atropelados nas rodovias BR-101, RJ-162 e RJ-168, e apontaram a presença de pelo menos sete indivíduos registrados na região entre 2013 e 2015.

Segundo o artigo, a  presença do lobo-guará na fauna macaense pode ser encarada com tristeza ou alegria, dependendo dos fatos. Os registros cada vez mais costeiros da espécie podem ser consequência do desmatamento acentuado, que provoca sua substituição pelas florestas atlânticas costeiras as quais viram pastagens para os animais.

- Nossa forma de ocupação da Mata Atlântica, ao longo de séculos, a transformou em pequenas florestas. Essa paisagem alterada dificulta muito a vida de espécies nativas da floresta, mas oferece um refúgio a espécies oriundas do Cerrado, dentre as quais o lobo-guará - informa Pablo.

Acrescenta que por outro lado, uma hipótese menos cogitada é que o lobo-guará seja um habitante mais antigo do Norte Fluminense, diante da ocorrência natural de formações abertas na região, como restingas e banhados. Deste modo, estas formações poderiam sustentar uma população de lobos-guarás até hoje, assim como provavelmente ocorreu na evolução do Cerradomysgoytaca, um ratinho endêmico de restingas com parentesco próximo a outros roedores do Cerrado.

O artigo ainda comenta que seja o lobo um residente antigo ou novo em Macaé, algumas medidas precisam ser tomadas para minimizar os impactos em sua população local. O estudo destaca que o trecho entre os Kms 154 e 157, próximo à Usina Termoelétrica Norte Fluminense e ao Rio Macaé, é o mais crítico em atropelamentos, um alvo prioritário para passagens de fauna para minimizar futuros acidentes.

Além do impacto das rodovias, os animais não têm uma recepção nada amigável pela população, já que dois apresentavam marcas de tiro, conforme revelado no estudo. Pablo é enfático ao concluir dizendo que: “Ao contrário do que se pensaria de um lobo, o guará é um animal tímido que se alimenta de frutos, sementes e pequenos roedores, evita aproximações com humanos e não oferece ameaça para o gado”.

Para quem vir um animal desses, na área onde os sete lobos-guarás foram encontrados, pode entrar em contato com a Guarda Ambiental (22) 99701-9770 ou com a Sema (22) 2772-3571 e 2772-3597, e dar a informação que as equipes se dirigem aonde o ícone do Cerrado brasileiro está, para resgatá-lo, ajudando-o em caso de acidentes ou ferimentos.

› FONTE: SECOM Macaé


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