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Luta dos escravos valorizada no turismo

Publicado em 16/07/2017 Editoria: Turismo sem comentários Comente! Imprimir


Numa série de ações inéditas e polêmicas, que estão alcançando repercussão internacional, o Ministério Público Federal em Volta Redonda (MPF-RJ), deu um passo importante para o resgate e a valorização da história dos negros escravizados em 23 fazendas do Ciclo do Café, no Sul do estado.

Segundo o procurador da República, Júlio José Araújo Júnior, para “promover o reconhecimento da cultura negra e o combate ao silêncio e efeitos da escravidão”, foram expedidas recomendações às propriedades e prefeituras de seis cidades.

“Para se repensar o turismo de memória, conforme grupo de trabalho que apresentou propostas”, justificou Júlio. O objetivo é pôr fim ao chamado ‘turismo de escravidão’ no Vale do Paraíba, onde cenas de negros caracterizados de escravos, servindo e sendo submissos a turistas brancos e fazendeiros com roupas de época, eram comuns em saraus e peças teatrais.

Entre as recomendações, está a instalação, em local visível e de fácil acesso, de placas, de 1 x 1,7 metro, com a história dos negros escravizados em cada fazenda.
Além disso, foi aconselhado que as fazendas submetam funcionários e grupos teatrais à capacitação de oito horas, em curso a ser ministrado por lideranças negras, com intermediação do MPF e Defensoria Pública. “O objetivo é o reconhecimento da história de resistência e lutas dos antepassados negros”, declarou Júlio.

O MPF sugeriu ainda, que as fazendas disponibilizem textos, produzidos por comunidades negras, enaltecendo a importância dos negros nas riquezas das fazendas, em seus sites, recepção e corredores.

Em maio, Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi firmado entre o MPF e a Fazenda Santa Eufrásia, em Vassouras, que encerrou encenações com negras vestidas como mucamas. A propriedade receberá o selo ‘Fazenda sem Racismo’.

Nomes em ruas e nas avenidas

O MPF de Volta Redonda também recomendou à Prefeitura de Vassouras, a colocação de placas em endereços com nomes de pessoas negras, ou que contribuíram com a luta pela liberdade dos escravos, com biografias dos antepassados. À Câmara de Vereadores, foi sugerida discussão pública, em até 60 dias, para a identificação de praças, ruas e avenidas que possam homenagear pessoas negras.

Boa parte dos empresários ainda evita o assunto, alegando estar “estudando” as medidas, assim como o poder público. O dono do Hotel Fazenda Florença, em Valença, Paulo Roberto dos Santos, disse que “entende o papel do Ministério Público Federal no combate ao racismo”. “Abominamos preconceito racial e consideramos a escravidão uma aberração”, declarou.

Renata Mattos, da Fazenda Vista Alegre, também em Valença, disse que vê as recomendações “com bons olhos” para o resgate da história. “Mas é necessário adequar as regulamentações à realidade de cada fazenda, que tem tipos de atividades turísticas diferentes, e não estão necessariamente vinculadas a um discurso escravocrata. Nós, por exemplo, não temos sarau, e Visconde de Pimentel, pioneiro nas terras da Vista Alegre, libertou escravos, criando a primeira escola de alfabetização no país”, comentou.

› FONTE: O Dia


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