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G7 decide não impor sanções a Rússia por apoiar Síria

Publicado em 11/04/2017 Editoria: Mundo sem comentários Comente! Imprimir


Os ministros das Relações Exteriores do G7 não chegaram a um acordo sobre a aplicação de novas sanções contra a Rússia e a Síria. Reunidos na cidade italiana de Lucca, os chanceleres se limitaram a declarar hoje (11) que a saída do ditador Bashar al-Assad do poder é fundamental para uma resolução política da guerra síria, mas não adotaram punições pelo uso de armas químicas em ataques contra civis.

O chanceler italiano, Angelino Alfano, que presidiu a reunião, disse que todos os países do grupo veem a necessidade de Assad deixar o poder, "pois não é possível encontrar uma solução para a Síria com Assad no cargo".

"Após a intervenção americana, abriu-se uma janela de oportunidade para construir uma nova condição positiva para o processo político na Síria, que acreditamos ser a única solução", disse Alfano, ao fim da reunião extraordinária sobre a Síria, realizada em paralelo à cúpula de chanceleres do G7 em Lucca, alargada a outros países do Golfo e à Turquia. "O futuro de Assad faz parte de uma discussão muito mais ampla e geral, e não se decide em um dia. A posição italiana sempre foi a de que os sírios devem decidir o próprio destino", completou o chanceler.

Em uma declaração conjunta, o G7 pediu que os aliados do regime sírio, principalmente Rússia e Irã, "usem sua influência" para permitirem investigações das Nações Unidas e da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opac) na Síria, e para convencer o regime de Assad a cumprir as convenções internacionais que proibem ataques químicos.

O governo britânico da premier Theresa May articulou a introdução de novas sanções contra a Rússia, mas não conquistou o apoio dos outros países do G7. "A Rússia não será isolada, dentro dos limites possíveis, será envolvida no processo de transição política na Síria. As negociações com a Rússia serão complexas, mas a primeira etapa já foi muito importante", prometeu Alfano, referindo-se ao fato de Moscou ter sido excluído do G7 (então G8) em 2014, como sanção pela anexação da Crimeia. Por sua vez, o secretário de Estado norte-americano, Rex Tillerson, foi mais enfático e afirmou que "está claro que o reino de Assad está chegando ao fim".

"A Rússia precisa escolher de que lado ficará: dos EUA e da Europa, ou de Assad, Irã e Hezbollah", cutucou Tillerson, que ainda hoje deve chegar a Moscou para uma agenda oficial. A declaração de Rex Tillerson também vem cinco dias após o governo de Donald Trump bombardear alvos do regime sírio, em uma mudança de estratégia em relação à posição adotada pelo seu antecessor, Barack Obama, que atacava apenas focos terroristas, como postos do grupo Estado Islâmico (EI).

Os disparos contra a Síria foram justificados por Trump como um meio de "interromper" as atrocidades cometidas por Assad, como o ataque com armas químicas na província de Idlib há uma semana. A União Europeia também condenou o uso de armas químicas na guerra síria e pediu a saída de Assad do poder. No entanto, não compartilha totalmente das estratégias de Trump e tenta acalmar os ânimos com a Rússia, que poderia virar uma ameaça para o leste do continente. Logo após a declaração final do G7 em Lucca, o governo de Vladimir Putin informou que pedirá à ONU uma investigação pelo uso de armas químicas na Síria, mas acusou a oposição de realizar os ataques apenas para culpar Assad.

A declaração foi feita durante uma reunião hoje com o presidente da Itália, Sergio Mattarella, que está em visita oficial a Moscou. "Temos informações de diversas fontes de que haverá outras provocações [com armas químicas] - não posso chamar isso de outra coisa - em diferentes regiões da Síria, como no sul de Damasco, onde usarão substâncias para acusar as autoridades sírias", comentou.

Pauta do G7

A reunião de chanceleres do G7 em Lucca também discutiu outros temas mundiais, como o potencial militar da Coreia do Norte, a crise entre israelenses e palestinos e os conflitos na Líbia. Sobre os testes de mísseis realizados pelo regime norte-coreano, os ministros do G7 disseram que "o programa nuclear e balístico de Pyongyang gera uma grave e crescente ameaça à paz regional e internacional, além de uma violação do sistema de não-proliferação". "Pede-se para as lideranças norte-coreanas implementarem plenamente todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU".

Sobre a crise na Líbia, que desde a queda do regime e morte de Muammar Kadafi enfrenta um vácuo político e instabilidades, os chanceleres confirmaram o apoio ao governo nacional guiado pelo primeiro-ministro Fayez al Sarraj e condenaram todas as tentativas de minar o processo de estabilização. "O G7 de chanceleres em Lucca foi um sucesso. Discutimos mais de 20 temas, encontrando soluções comuns, e acreditando que contribuimos para preparar a declaração robusta do G7 em Taormina", disse Alfano.

A cúpula de chefes de Estado e de Governo do G7 está marcada para os dias 26 e 27 de maio, em Taormina, na Sicília. O grupo é formado por Estados Unidos, Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão e Reino Unido.

› FONTE: Agência ANSA


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