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Violência Sexual: Rio das Ostras busca formar rede de proteção a crianças e adolescentes

Publicado em 14/03/2014 Editoria: Educação sem comentários Comente! Imprimir


Michelle Neto/RJNEWS

Michelle Neto/RJNEWS

Guia Escolar da Rede de Proteção à Infância lançado esta semana no município vai ajudar profissionais a identificar casos de violência 

Casos de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes são extremamente preocupantes para qualquer sociedade. Com a finalidade de buscar modos de prevenção e identificação de casos de violência como estes, Rio das Ostras contou esta semana com o lançamento da terceira edição do Guia Escolar da Rede de Proteção a Infância. A ideia agora é levar essa ferramenta aos profissionais da Educação e outros profissionais, para que possam formar uma rede e, a partir daí, disseminar este material e pensar em formas de usá-lo nos locais de trabalho.

Segundo a delegada da 128ª DP de Rio das Ostras, Carla Tavares, que participou do evento realizado na Câmara Municipal, na última segunda-feira, dia 10, as estatísticas deste ano apontam quatro registros de estupro de vulnerável (menores de 14 anos) até o dia 12 de março. Já o ano passado, até o mês de agosto, foram registrados 20 crimes sexuais contra crianças e adolescentes. “Os índices vão crescendo a cada dia e não dá mais para achar que devemos proteger pensando no futuro, isso já não é mais suficiente. Temos que ver o que estamos fazendo pelo presente dessas crianças, fortalecer essa rede e combater a violência todos juntos. Aí sim saber qual futuro vamos dar a essas crianças”, declarou a delegada.

A secretária de Educação de Rio das Ostras, Andrea Machado, disse que na participação nos Conselhos Comunitários realizados no município, sempre ouvia relatos da delegada sobre o número expressivo desse tipo de violência contra crianças e adolescentes e, desde o ano passado, foram iniciados alguns projetos para mobilizar, sensibilizar e levar a denúncia. “Não poderíamos ficar omissos a este tipo de problema. Temos uma grande tarefa a fazer junto, não só as autoridades, mas com a sociedade como um todo. Às vezes, depois que o abuso é diagnosticado, muitos profissionais não se sentem seguros em denunciar. O Guia é bem completo e será muito útil para os profissionais na abordagem”, destacou.
 
Quem apresentou o “Guia Escolar da Rede de Proteção à Infância – Identificação de Sinais de Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes” foi a professora e psicóloga do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, Leila Maria Amaral Ribeiro, que teve participação nesse trabalho. A terceira edição do Guia ficou pronta em 2013 e, de acordo com a professora, está bem atualizado, com informações sobre legislação, fluxo de atendimento e outras. Ela enfatizou que tratam-se de duas questões extremamente complexas. “Em alguns locais, as abordagens até pouco tempo, se atém a punição e repressão nessa área e, deixou todos os demais aspectos envolvidos de fora. Há situações em que o autor tem relação próxima com a criança e adolescente e só isso é um fator de grande complexidade que envolve outros fatores como afetos,  dependência emocional e financeira.
 
Nosso propósito é tornar essa rede um fluxo visível. Queremos que os profissionais tenham intimidade com esse material, que possam buscar formas de utilizá-lo em local de trabalho e preparar outras pessoas articulando saúde, segurança, todos os espaços necessários para identificar e como fazer o encaminhamento desses casos de violência”, enfatizou. O Guia também foi editado em parceria com a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj).
 
Para a psicopedagoga Márcia Helena Brandão, de Rio das Ostras, saber identificar as situações de violência sexual contra crianças e adolescentes é fundamental para todo e qualquer profissional, visto que a sociedade encontra-se inserida dentro das escolas. Ela ressaltou que saber lhe dar e reconhecer estes casos ajuda no combate a uma questão tão presente e, ao mesmo tempo, escondida nessas pessoas. “Como psicopedagoga analiso a interferência que este tipo de situação tem sobre a aprendizagem escolar, em boa parte causada pelo grande prejuízo emocional presente nos indivíduos que sofrem com a violência sexual”, acrescentou.

› FONTE: Macaé News (www.macaenews.com.br)


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