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PT encolhe candidaturas em eleições municipais a menor patamar em 20 anos

Publicado em 08/08/2016 Editoria: Eleição 2016 sem comentários Comente! Imprimir


O Partido dos Trabalhadores (PT) terá 1.135 candidatos a prefeito nas eleições de outubro. Segundo levantamento preliminar da direção partido,  este número indica uma redução de 35,5% em relação aos 1.759 candidatos petistas que disputaram prefeituras nas eleições de 2012. Em 20 anos, é a menor quantidade de representantes da legenda em um pleito municipal quando disputou 1.077 prefeituras em 1996.

Para dirigentes do PT, a redução reflete as turbulências pelas quais tem passado o partido. "É a crise", afirmou o vice-presidente da legenda, deputado Paulo Teixeira (PT-SP). O País tem 5.750 municípios. A queda ocorre em todas as regiões do Brasil, de acordo com os dados do PT.  O Piauí, governado por Wellington Dias (PT), é o único Estado onde o número de candidaturas aumentou: 70 nomes em disputa neste ano contra 49 há quatro anos.

De acordo com o secretário nacional de Organização do PT, Florisvaldo Souza, até o término do prazo para registro de candidaturas, em 15 de agosto, o número vai aumentar, porém, certamente ficará bem abaixo do registrado nas últimas eleições municipais. "Não tenho os números calculados ainda. De fato há uma redução de candidatos, mas, em compensação, devemos disputar mais eleitores."

Nas capitais, o PT vai ter mais candidaturas neste ano, 20 nomes contra 17 em 2012. Em cidades com mais de 150 mil eleitores, o número também caiu. Há quatro anos, o partido lançou 84 candidatos e agora vai encabeçar 70 chapas, o que indica uma redução de 11%.


Três motivos são apontados pela cúpula petista para o encolhimento: o sentimento antipetista ampliado pelas revelações da Operação Lava Jato; a proibição das doações empresariais, defendida pelo partido; e o processo de impeachment de Dilma Rousseff, que distanciou o PT de aliados tradicionais e restringiu as alianças - a direção proibiu coligações com políticos que tenham se manifestado publicamente a favor do afastamento da presidente.

Efeitos
No Rio, o impacto do impeachment pode ser sentido com mais intensidade. O PT mantinha alianças com o PMDB no governo estadual e na prefeitura da capital. O número de candidaturas caiu de 34, em 2012, para nove, neste ano.

"O PT, por causa da política nacional de alianças, ficou dez anos submisso ao PMDB no Rio. Isso enfraqueceu o partido", afirmou o presidente estadual no Rio, Washington Quaquá.

Em São Paulo, berço do PT e maior colégio eleitoral do País, a Lava Jato e a falta de dinheiro das empresas tiveram fortes efeitos: o número de candidatos no Estado caiu de 251, em 2012, para 116, neste ano.

Com uma dívida de R$ 24 milhões, o diretório estadual paulista não vai disponibilizar recursos para as candidaturas municipais, o que fez com que muitos possíveis candidatos desistissem. O antipetismo é responsável, em grande parte, pela perda 37 dos 72 prefeitos eleitos pelo partido em 2012 no Estado. Muitos deles vão disputar a reeleição por outras legendas.

"O &39;golpe&39; impactou toda a política brasileira. Não é só o PT que vai ter menos candidatos. O PSDB também vai. Por outro lado, partidos menores como PDT e PSB vão disputar mais cidades. Depois de mais de duas décadas de PT versus PSDB, estão se formando outros polos", disse Florisvaldo Souza.
Vácuo

O PMDB e o PSDB não fecharam o número de candidaturas. Com o objetivo de ocupar o vácuo deixado pelo PT, outras legendas de esquerda como PSOL, PDT e PCdoB devem lançar mais candidatos do que em eleições anteriores.

Para tentar nacionalizar o nome de Ciro Gomes nas eleições municipais e, assim,  cooptar ex-eleitores petistas, o PDT traçou uma estratégia para tentar nacionalizar o nome de Ciro Gomes nas eleições.  "Nosso discurso será para atrair o eleitor decepcionado com o PT. Existe um vazio e alguém precisa ocupá-lo", disse o presidente do PDT, Carlos Lupi.

O PSOL e o PCdoB também vão disputar mais prefeituras neste ano. "Aumentou o fluxo de ex-petistas na nossa militância. Tem o lado do desencanto", disse o deputado Ivan Valente (PSOL-SP), candidato a vice-prefeito na chapa de Luiza Erundina (PSOL).

Com informações do Estadão Contéudo

› FONTE: Macaé News (www.macaenews.com.br)


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