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Cadeirante encara folia do carnaval de Rio das Ostras há 18 anos

Publicado em 28/02/2014 Editoria: Cultura 5 comentários Comente! Imprimir


Michelle Neto/RJNEWS

Michelle Neto/RJNEWS

Com pique total, Paulo Márcio desfila até na quarta-feira de Cinzas na cidade

H á quem pense que o ritmo do carnaval não combina com a possibilidade de cadeirantes integrarem baterias e seguirem sozinhos pelas ruas e avenidas de Rio das Ostras. Mas, há 18 anos, Paulo Márcio Almeida mostra que isso é mais do que possível. Ele mora no Rio de Janeiro, e desde
outubro de 2013, vem todos os finais de semana para frequentar os ensaios dos blocos.

Neste ano, Paulo sairá em cinco blocos, ou seja, tem folia até na quarta-feira de Cinzas, quando ele passará pelas ruas de Costazul com o Bloco do Torresmo. Antes, porém, ele integrará as baterias dos blocos do Barata, da Coruja, do Pescoço do Peru e da Bandinha da Turma de Quinta. Em 2014 são cinco, mas em outras épocas já foram seis blocos diferentes.

Tanto gosto pela folia, não começou há quase duas décadas. A animação vem de família já que um tio por parte de mãe desfilou 24 anos pela Imperatriz Lepoldinense e um tio por parte de pai confeccionava fantasias para o Cacique de Ramos, quando os adereços ainda eram feitos de lona. Atualmente, o pai é quem o leva para aos ensaios e por lá, Paulo consegue
se virar muito bem com a cadeira de rodas mecanizada.

Na bateria ele é mais do que um folião. É respeitado pelos ritmistas que sabem que Paulo entende muito bem do que está fazendo. Atualmente, ele toca o surdo de segunda, mas já tocou o surdo de primeira e, está aprendendo a se virar com a caixa. “É um esforço que vale a pena. Entretanto, é preciso muita disposição”, enfatiza. A energia, Paulo consegue mantendo o corpo ativo. No Rio, onde mora, ele procura se exercitar em academias.

Mais de cinco horas de ensaio

 Na última sexta-feira, dia 21, Paulo chegou a Rio das Ostras com dois compromissos certos: no sábado, dia 22, foi para o ensaio do Bloco da Coruja e no domingo, dia 23, foi a vez do Bloco da Barata. “Em cada um, chego a ficar por aproximadamente cinco horas. Chego a tarde e só termino a folia á noite”, enfatizou.

O ritmista tão esforçado tem atenção especial. A todo o momento da reportagem alguém interrompia para abraçar ou cumprimentá-lo. “Eles são a minha segunda família. Conto os dias para chegar outubro para começar a frequentar os ensaios. Quando não venho, eles me ligam para saber o motivo. Vejo uma recepção muito grande aqui, tenho uma ótima acolhida sempre e aqui fiz bons amigos”.

Em uma das histórias de carnaval, Paulo conta que já desfilou até mesmo debaixo de chuva. “O estofado da cadeira ficou todo molhado e teve que secar por um bom tempo. Tive até que encapá-lo com saco plástico. O negócio é não sair da folia e sempre dar um jeito de pular o carnaval".

Força de vontade

Para uma das idealizadoras do Bloco do Peru, Tety Barroso, o cadeirante é um exemplo a ser seguido por todos pela força de vontade que apresenta. “Nem mesmo o fato de estar em uma cadeira de rodas o impede de estar aqui se divertindo conosco. Às vezes vemos muitas pessoas reclamando por pouca coisa, de mal com a vida, ele é o contrário de tudo isso". 

Do Blocana o depoimento de admiração vem do mestre Juninho. “Conosco ele sai há mais de 15 anos. Ele toca muito bem os instrumentos da bateria e entende muito de samba. Além do mais, é um ser humano maravilhoso”, disse.
Já o presidente do Bloco do Barata, Genilson Pontes, garante que ele é um dos ritmistas que mais comparecem aos ensaios, mesmo morando no Rio. “É um dos mais dedicados”, enfatizou.

› FONTE: Macaé News (www.macaenews.com.br)


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