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Revirando o Baú para resgatar a memória de Rio das Ostras

Publicado em 28/02/2014 Editoria: Cultura sem comentários Comente! Imprimir


Escola Imperatriz de Rio das Ostras foi um dos maiores destaques na história do carnaval da cidade

Assim como outras cidades, Rio das Ostras tem muita história para contar. Na última quinta- feira, dia 27, crianças da Escola Cidade Praiana tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais do carnaval da cidade. A ação faz parte de um projeto do Ponto de Leitura, em parceria com a Fundação Rio das Ostras de Cultura. Uma das histórias foi sobre a Escola de Samba Imperatriz de Rio das Ostras.

De acordo com a diretora do Ponto de Leitura, Adriana Izidoro, o projeto conta com vários programas e um deles é o Revirando o Baú, que trabalha com o conceito e identidade de Rio das Ostras. Ela diz que a maior preocupação do projeto é o cuidado com o patrimônio do município, principalmente, o imaterial, que trata de toda uma cultura da cidade como carnaval, festas juninas e outras manifestações e, que estão se perdendo. “Nada melhor do que vivenciar as histórias e para que isso aconteça é preciso embasamento teórico e fruto dessa pesquisa está nos depoimentos orais. Estamos levando esses conhecimentos às escolas, mostrando a importância da cultura e o que é um patrimônio imaterial. É através da história do passado que se entende o que acontece hoje”, observa Adriana, lembrando que as crianças vivenciaram um carnaval literário, deram o grito de carnaval, cantaram marchinhas e conheceram as histórias de Rio das Ostras.

Um dos depoimentos colhidos pelo projeto é de Dona Irla Corrêa, de 74 anos, que conversou também com a equipe do RJNEWS. Ela é esposa de um dos fundadores do Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz de Rio das Ostras, José Alves de Moura Filho, que faleceu em 2008, considerado o maior carnavalesco de Rio das Ostras. Irla conta que a família chegou aqui em 1981, quando a cidade tinha somente pequenos blocos durante o carnaval. Foi então que fundaram o Bloco Raízes, que após dois anos se tornou uma escola de Samba. “Havia certa rivalidade na época entre os blocos Raízes e Império, mas resolvemos parar de brigar e fundamos a Imperatriz. Embora com poucos recursos, conseguíamos fazer um carnaval bonito, reunindo as famílias. Enquanto meu marido pôde, a gente desfilava e trazia muita alegria pra ele", relembra.

Perguntada sobre do que mais sente saudade, D. Irla que ainda assim diz que nunca teve samba no pé, conta que sua casa vivia cheia dia e noite. A família tinha uma loja, onde guardava todos os instrumentos e adereços e, que todo ano se multiplicava. “Tínhamos uma bateria grande com 80 componentes e outros carnavalescos vinham buscar instrumentos com a gente. Era muita vontade e amor pelo carnaval, mas o último desfile da Imperatriz foi em 2009 com uma grande homenagem ao meu marido”, acrescenta.

SAMBAS ENREDO E CHEGADA DO TRIO ELÉTRICO

Adriana Izidoro destaca que há quem diga que o carnaval começou a se perder com a chegada do trio elétrico na cidade. Mas, o filho de D. Irla e compositor de enredos, Weverton Corrêa, não concorda com isso. “Cada bloco tinha horário para desfilar e puxava mais gente. Mas, o povo tinha atração o dia todo e as escolas de samba eram o que chamavam mais atenção, pela animação e beleza das alegorias. Tinha premiação, troféu, era empolgante. Antes tudo era mais fácil porque no comércio todo mundo se conhecia e ajudava. Na época, a subvenção era maior e hoje, para os blocos, é só fazer uma camisa, vender e acabou”, desabafa Weverton.

Ele já compôs vários enredos que foram sucesso em Rio das Ostras, como o primeiro “Imperatriz vai sacudir, vai abalar e dar o que falar”. Também teve enredos com histórias sobre o circo, a Lagoa de Iriry e a passagem de Dom Pedro em Rio das Ostras. “Nosso último enredo tivemos que mudar por causa da morte do meu pai e fizemos uma homenagem. Foi o mais difícil da minha vida. Ele era a alma da escola”, completa.

Adriana ainda comenta que já ouviu depoimentos sobre o carnaval da década de 50, quando as famílias sempre contribuíam com alguma coisa, viviam num ambiente sem violência e tinham vontade de viver isso tudo. “Hoje, Rio das Ostras deixou de ser cidade de interior, a população cresceu assustadoramente. Ficou uma lacuna no verdadeiro carnaval da região. A cultura do lugar não pode se perder e, uma boa oportunidade é curtir as marchinhas que farão parte da festa este ano, principalmente, as crianças. Há uma lenda de que elas não gostam, mas isso porque elas não têm a oportunidade de ouvir", finaliza.

› FONTE: Macaé News (www.macaenews.com.br)


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