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Brasileiro estreante leva descoberta gay sem sexo ao Festival de Berlim

Publicado em 10/02/2014 Editoria: Cultura sem comentários Comente! Imprimir


O cineasta Daniel Ribeiro fará a estreia de seu primeiro filme de um jeito especial. “Hoje eu Quero Voltar Sozinho” será exibido em tela grande pela primeira vez na mostra Panorama do Festival de Berlim, hoje, segunda (10), e já conta com uma página no Facebook com mais de 40 mil seguidores. O sucesso antecipado do longa se deve em boa parte pelo curta na qual a nova produção é baseada, “Eu Não Quero Voltar Sozinho”, premiado no Festival de Paulínia, em 2010. O filme vem conquistando fãs por trazer a descoberta da homossexualidade pelo viés romântico, que antecede o sexo.

Em entrevista ao UOL, Ribeiro disse que depois do Festival, a equipe decidiu colocar o curta no YouTube e, a partir daí, a história da amizade de Leonardo, Giovana e Gabriel foi ganhando fãs. O curta já conta com mais de 2 milhões de visualizações no canal de vídeos. Com isso, o diretor viu que, com um longa, teria mais tempo para desenvolver os conflitos. O filme trata do despertar sexual de Leo, um jovem estudante do Ensino Médio que se apaixona por Gabriel ao mesmo tempo em que desperta sentimentos em Giovana.

Segundo o diretor, o trunfo do filme é que os meninos se descobrem gay de uma forma não sexual. “Os adolescentes gays querem ser associados ao amor e ao afeto. Percebo que quando esses jovens contam aos pais ou no trabalho que são gays, as pessoas já imaginam o sexo. A parte romântica é esquecida. O filme é uma maneira de jovens dizerem aos pais: ‘olha, é isso o que eu sinto’”.

Homossexualidade no cinema e na TV

Ribeiro deixa claro que é a favor de filmes que tragam o sexo gay, como “Tatuagem” (2013), de Hilton Lacerda, mas reforça que “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” funciona mais como uma introdução ao tema. “Acho importante cenas de sexo e o cinema é um lugar bom para discutir assuntos mais parrudos. Diferentemente do que acontece na televisão, os limites do cinema são mais flexíveis”, disse ele.

Aos 32 anos, com dois curtas sobre a homossexualidade (o outro é “Café com Leite” – 2007) e agora um longa, Daniel chama de “conservadorismo besta” a dificuldade em retratar a homossexualidade na TV ou exibir um simples beijo entre pessoas do mesmo sexo. “Isso é medo de incomodar o anunciante. Só isso justifica o medo de exibir um beijo gay. A sociedade parece meio adolescente discutindo isso”. Por outro lado, Daniel reconhece o mérito da TV ao “levar o assunto para a mesa do jantar”. “Há 15 anos, as pessoas não conheciam muitos gays. Eu mesmo, quando me descobri gay, não tinha um milhão de exemplos, nem na TV e nem na vida. A televisão ajudou as pessoas a se assumirem. Não dá para tirar  o mérito dela”.

Com a intenção de discutir mais profundamente a questão da sexualidade, Daniel criou um protagonista com deficiência visual. “Quando o personagem é gay vem o questionamento:  você escolhe ou não ser gay? Um dia fiquei pensando de onde vem a atração sexual de uma pessoa que já nasce cega. Vem do cheiro? Do toque? Da voz?. O filme não responde a essas perguntas, mas olha para isso. Muitas pessoas querem saber como alguém ‘se torna’ gay, mas é uma coisa que vem de dentro, que vem quando você nasce”.

O ator Guilherme Lobo, que não é deficiente visual, surpreendeu a equipe ao fazer o teste para interpretar Leo, com apenas 15 anos de idade. “Disse a ele que não precisava interpretar um cego no teste. Só queria ver como ele lidava com as falas, mas ele quis fazer o personagem completo e nos surpreendeu muito. Todo mundo me pergunta se ele é mesmo deficiente visual”.

Três anos depois, com os atores um pouco mais velhos e o longa em Berlim, Daniel comemora que a história tocou não apenas a comunidade gay ou os deficientes visuais. “Percebi que seria muito melhor tratar tudo com naturalidade, tanto a homossexualidade como a deficiência visual. Todo mundo pode ser relacionar com esse personagem porque as grandes questões dele são universais. Todo mundo se apaixona pela primeira vez, todo mundo tem duvidas se vai ser correspondido, todo mundo quer ter um amigo na volta para casa. Isso derruba os preconceitos”.

O filme chega ao Brasil no dia 28 de março em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas Daniel disse que ele e sua equipe estão trabalhando duro para expandir o lançamento para várias cidades brasileiras, já que tanta gente já se identificou com os dilemas de “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”.
 

› FONTE: Macaé News (www.macaenews.com.br)


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