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Mesmo com barragem de areia, mar continua a avançar na Praia do Açu

Publicado em 21/03/2015 Editoria: Norte Fluminense 1 comentário Comente! Imprimir


Prumo se defende e diz que realiza programa de monitoramento de erosões costeiras

Prumo se defende e diz que realiza programa de monitoramento de erosões costeiras

A situação da Praia do Açu, em São João da Barra (SJB), está cada vez mais alarmante e vem preocupando a população daquela que é uma das localidades mais tradicionais do município sanjoanense. Com a maré subindo a cada dia e a água do mar avançando ainda mais, os moradores temem perderem suas casas e pertences, caso a água, que já invadiu ruas, varandas e estabelecimentos comerciais, entre dentro dos imóveis.

Nesta sexta-feira (20/03), a Prefeitura Municipal da cidade tentou realizar uma ação improvisada para criar barreiras de areia na orla da Praia do Açu, tentando, dessa forma, impedir o avanço das águas, mas a força da natureza derrubou as intervenções que foi feita logo no início da manhã.

Em entrevista ao Site Ururau nesta quinta-feira (20/03), o professor doutor do Laboratório de Estudos do Espaço Antropópico (LEEA) da Universidade Estadual Fluminense (Uenf) Darcy Ribeiro, Marcos Pedlowski, informou que além do fenômeno natural o avanço do processo de erosão da faixa de praia, que vem ocorrendo há alguns meses naquela região, teria começado depois da instalação do quebra-mar do Terminal 2 (T2) no Complexo Portuário do Açu.

Na quarta-feira (18/03) o mar voltou a avançar e deixar os moradores apreensivos, já na quinta (19/03) e nesta sexta-feira (20/03), a maré alta pegou a população de surpresa e a água invadiu ruas, principalmente as internas que ficam a menos de sete quilômetros do Terminal 2.

“Enquanto isso, a Prumo Logística continua tentando vender a ideia de que as obras do Porto do Açu não possuem qualquer relação com o desastre ambiental em curso na Praia do Açu. Muitos moradores estão indignados com essa situação, que se não estivesse tão preocupante, seria uma piada de mau gosto”, dispara Pedlowski.

Segundo ele, o Porto está influenciando a erosão, já que a areia que teria de ser jogada de volta para a praia, vem se acumulando dentro do quebra-mar e do Canal de Navegação. Ele ainda alertou que se não forem feitas medidas corretivas urgentes, a tendência é que a situação se agrave ainda mais.

O professor doutor disse também que esse processo de erosão na praia do Açu já estava previsto no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), feitos na época pela LLX e OSX, como forma de obter as licenças ambientais para a construção do complexo logístico. Porém, segundo ele, quais seriam as medidas de contingência desse processo não constavam no relatório, que foi aprovado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

“Agora, até o momento continuo aguardando um pronunciamento do novo superintendente regional do Inea, Sr. Luiz Fernando Felippe Guida, para ver quais medidas serão tomadas para dar conta desse problema que, friso novamente, estava previsto no EIA/RIMA que a OS(X) apresentou para obter as licenças ambientais necessárias para a construção da sua Unidade de Construção Naval (UCN) e do Canal de Navegação do Porto do Açu”, reitera Pedlowski.

A equipe do Site Ururau entrou em contato, por telefone, com o novo superintendente do Inea, Luiz Fernando Felippe Guida, e o mesmo pediu que a resposta fosse solicitada junto ao seu antecessor, René Justen, exonerado do cargo na última quarta-feira (11/03). A equipe tentou falar com René, mas o telefone só dava caixa postal.

Já a Prumo Logística esclareceu, em nota, que “realiza um programa de monitoramento da dinâmica sedimentológica marinha e de erosões costeiras, conforme estabelecido no processo de licenciamento ambiental do empreendimento e acompanhadas pelo órgão ambiental licenciador. Além disso, a Prumo contratou a Fundação COPPETEC para realizar um estudo complementar sobre o tema, que foi coordenado pelo renomado Prof. Paulo Rosman, engenheiro civil, Mestre em engenharia oceânica pela COPPE/UFRJ e Doutor em engenharia costeira pelo Departamento de Engenharia Civil do Massachusetts Institute of Technology, uma das maiores autoridades técnicas em engenharia costeira do país.

A nota diz ainda que "os resultados obtidos até agora, a partir do monitoramento e estudo realizado pela Fundação COPPETEC, demonstram que é inviável associar o estreitamento da faixa de areia em questão às obras de construção do quebra-mar do Terminal 2 (T2) do Porto do Açu".

A Prumo informou também que "mantém o monitoramento na Praia do Açu e que está à disposição para interface com os órgãos públicos e com a comunidade local para colaboração e prestação de todas as informações necessárias sobre o assunto. Aliado a isso, a empresa informa que estudos técnicos complementares sobre o tema estão sendo discutidos com o INEA e a Prefeitura Municipal de São João da Barra com participação técnica do Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviária – IPNH e Fundação COPPETEC".

FONTE  :Jornal Ururau

› FONTE: Macaé News (www.macaenews.com.br)


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