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Reserva Biológica de Poço das Antas é referência de ecoturismo na região

Publicado em 20/02/2015 Editoria: Meio Ambiente sem comentários Comente! Imprimir


Além de preservar a mata atlântica de baixada remanescente, unidade assegura a conservação do mico-leão-dourado

Além de preservar a mata atlântica de baixada remanescente, unidade assegura a conservação do mico-leão-dourado

Localizada na Br 101, KM 2014 no município de Silva Jardim, a Reserva Biológica de Poço das Antas consiste na primeira e uma das mais importantes unidades de conservação ambiental do país, assegurando a preservação do pouco da mata atlântica de baixada ainda existente no Estado do Rio de Janeiro, recursos hídricos necessários para o abastecimento de toda a Região dos Lagos e uma grande diversidade da fauna, em especial, o mico-leão-dourado que foi o principal motivador da criação da reserva.

Tudo começou na década de 60 quando o primatologista Adelmar F. Coimbra Filho iniciou na localidade uma série de pesquisas científicas que comprovaram uma drástica redução na população de mico-leão-dourado, restando apenas 200 animais. Estabeleceu-se assim as bases para a criação de um pioneiro programa de salvamento dessa espécie, o Programa de Conservação do Mico-Leão-Dourado, que em 1992 se transformou na Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD) e logo em seguida a reserva, em 1974, através do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (atual IBAMA).

Com uma área estimada em 5.052,48 hectares, segundo levantamentos do ICMBio, a Reserva Biológica de Poço das Antas também representa um importante ponto de ecoturismo no estado, atraindo todos os meses centenas de turistas das mais diversas localidades do Brasil e do mundo. Nas excursões, que podem ser agendadas em grupos de pelo menos dez pessoas através do telefone (22) 2778-2025, ou através dos emails dos responsáveis pelo programa de Ecoturismo: michele@micoleao.org.br; oberlan@micoleao.org.br. Os visitantes são acompanhados por biólogos até locais no interior da mata para avistarem os micos e outros animais, em seguida participam de palestras de conscientização da preservação ambiental com especialistas no auditório da unidade.

Outra opção que é bastante requisitada, principalmente por estudantes de escolas da região, é a exposição permanente do Centro Educativo Prof. Adelmar F. Coimbra Filho, inaugurada em dezembro do ano passado, onde é possível apreciar um extenso acervo do renomado fotógrafo de natureza e ambientalista Haroldo Paulo Jr. Na mostra, os visitantes podem observar painéis com fotos de animais típicos da mata atlântica, gráficos representando o movimento populacional do mico-leão-dourado na reserva e estimativas de recuperação de outras espécies, com destaque para uma pequena câmara escura onde as crianças podem desvendar espécies noturnas com a ajuda de uma lanterna.

“A visitação à Reserva Biológica de Poço das Antas é uma atração para um público diverso, desde crianças até pesquisadores que buscam o contato empírico com a natureza. Recebemos muitos turistas que vêm ao Brasil buscando a reserva, assim como equipes de pesquisadores que voltam todo o ano e realizam uma troca de informações e experiência com pesquisadores e biólogos daqui”, afirmou a assessora de comunicação da AMLD, Ariana Poubel, destacando o reconhecimento da reserva em âmbito internacional.

De acordo com o coordenador do programa de Restauração Florestal, Carlos Alvarenga, a Reserva Biológica de Poço das Antas é de suma importância, considerando que está localizada em meio a uma área de intensa expansão urbana, entre a cidade do Rio de Janeiro e a capital do Petróleo Macaé, garantindo a preservação de boa parte dos 7% remanescentes de mata atlântica no estado, e em especial 2% da mata atlântica de baixada ainda encontrada. “Além da flora, todos os afluentes responsáveis pelo abastecimento das principais cidades da Região dos Lagos, a exemplo do Reservatório de Juturnaíba passam pela reserva e o maior centro de recuperação do mico-leão-dourado, animal ocorrente apenas no sudeste brasileiro e que foi o grande motivador da criação dessa unidade”, disse Carlos, explicando que atualmente existem 3.200 micos vivendo na reserva e graças ao projeto de recuperação da AMLD em parceria com diversas instituições, a espécie saiu de ‘criticamente ameaçada de extinção’ e passou a ser considerada ‘em risco de extinção’.

“Foi realizado um trabalho em conjunto com diversos zoológicos e instituições internacionais para onde foram encaminhados alguns micos para a reprodução em cativeiro e depois trazidos de volta ao seu habitat natural. No início era preciso 25 mil hectares de florestas protegidas e conectadas, mas atualmente com a recuperação dessa população o grande problema para salvar os micos da extinção hoje é a falta de florestas, e é por este motivo que a AMLD se dedica ampliar a área de preservação”, acrescentou. Ainda segundo o coordenador, a mobilização para preservação de um animal tão raro como o mico-leão-dourado, símbolo da fauna da mata atlântica, acaba beneficiando uma série de outras espécies de animais nativos como a preguiça de coleira, a borboleta da praia e uma diversidade de insetos, aves, répteis e mamíferos, cuja disponibilidade atual na natureza demanda uma atenção especial.

› FONTE: RJ News


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