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Café Noturno - Por Marianna Mariano

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Segredo marrom-baú

Publicado em 03/11/2016 sem comentários Comente!

Na calada da noite eu tento dormir, mas meu sono se disfarça. Não consigo me desligar sem antes pensar naqueles olhos trancados que me hipnotizaram desde a primeira vez que os vi. Não planejei, só arrisquei. Fui de embarque a uma aventura que não sabia como culminaria. Apenas me deixei levar pela emoção do desconhecido, na adrenalina de nunca ter feito aquilo. 

Entre aquelas luzes coloridas e som ecoando eu te conheci. Poderia ter sido outro, qualquer um que tenha passado por mim e me olhado, como aquele que pegou meu braço sem delicadeza ou o que me tirou pra dançar. Mas foi você, na hora mais incerta, no momento mais improvável, que apareceu como um raio que dividiu duas muralhas e ecoou direto em mim, para mim. Não fazia nenhum movimento além da inércia corporal me hipnotizando com esses círculos marrom-baú, daqueles que escondem tesouros e segredos que quase ninguém sabe. Me ganhou, me pegou, me fez tua.

Era isso que eu queria, desde o princípio: estar com você, me servir a você. Vi que era confusão. Seria engano, fantasia. Seja naquela noite ou nas outras que pudessem vir, eu só tinha o ali, o agora, o hoje ou o nunca mais. Fui.

Porém, Cinderela moderna tem hora para voltar, num carro alugado e antes do pai acordar. Princesa da vida real que não pensa em se casar, mas que queria encontrar alguém para realizar sonhos não infantis e imaturos. Não estava ali para brincar de romantismo, mas investigar a própria luxúria escondida em si mesma por tanto tempo por medo, por desencontros.

Tão diferentes nos anseios, tão semelhantes nos desejos. Como fazer para dar certo um casal aleatório que quando juntos são água, mas vinho quando separados? Difícil pensar num futuro incerto quando o presente concreto é tão bom. A mão passando no cabelo, o toque dos lábios, o encontro dos braços no abraço vazio que quer se preencher, embora não encontre lacunas para se conectar. Tudo tão superfície, fugaz, poeira. Quente, mas frio. Duro que amacia. Pecado de sabores que liberta e me prende. Será que isso vai ter fim?

Não pedi para começar, deixemos levar. Não sei do fim, só sei por mim. Te quero enquanto der, te tenho enquanto puder. Sou sua pelo tempo que for necessário para que sintamos e vivamos tudo o que nos destina. Inesquecível já é. O que eu quero é prolongar o inadiável até quando teu tesouro for revelado. E, caso não for, que se lembre de mim como aquela que sabia ser brinquedo por amor próprio. Me entreguei antes por mim, depois por você. Caso continue sendo porta quando me cansar de ser cupim, lembre-se das noites que te olhei e te beijei querendo apenas enxergar o que está além da muralha que te delineia. Não somente por curiosidade, mas por querer me jogar de um precipício de novidades que sozinha não faz sentido. Se não conseguir, outra o fará. E que te faça feliz, te faça sorrir, te faça amar. Caso me encontre na rua, não precisa se desviar, pois no teu sorriso saberei decifrar. E que fique uma filosofia de bar para terminar:

Enquanto não despir a alma, a nudez de coisas materiais continuará sendo fácil e efêmera. Difícil é ficar nu dos medos, das inseguranças, das vontades mais secretas. 

Só quem arrisca se liberta. Só quem não tem medo é livre.

Me arrisquei, me libertei. Estou livre. Por mim. Por você. Por nós. Por mim novamente.

Sou grata.

Obrigada.

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Por Marianna Mariano

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