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Café Noturno - Por Marianna Mariano

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Um real surreal

Publicado em 31/07/2016 sem comentários Comente!

Perdida entre mil olhares encontrei nas tuas balebas verdes os faróis para minhas amêndoas negras entristecidas. Procurava algo que me cativasse, que enxergasse além do visível e pudesse me conectar a outro corpo. Te vi, nos olhamos, trocamos, saímos. Porém, tivemos que escolher entre ficar e nos pertencer ou vivenciar outras cores e formatos que também nos cativaram, só que de outra maneira. Infelizmente, esperei demais. Tive a oportunidade de te chamar e ter você pra mim, mas o medo fez com que meus pés criassem raízes no solo e virassem meu rosto, embora minha energia fosse ao encontro da tua a todo o tempo. Pensei demais, esperei muito. Perdi você para outros faróis que te chamaram a atenção. Mais angustiante que a dúvida é a dor de saber que nada foi feito por medo. 

Tentei me transbordar em outros olhares, cultivei novas amizades, mas meu coração ainda pertencia ao teu. Fui escolhida, mas não por quem a alma vibrava. Com o passar do tempo, mesmo tentando reparar as feridas e amenizar a dor, eu continuava com a palpitação forte de quem ama e não se esquece, de quem viveu e ainda não esqueceu, de quem se entrega e não ganha, mas não sabe porquê não desiste. E eu não desisti. Não há palavras para descrever nem números para intensificar. Medidas escritas não valem a energia sentida de dois amantes. É mais que química, sintonia e presença de espírito. Não me peça nome, só sei que é real. Um real surreal de tão bom e envolvente que o deleite propiciado revitaliza qualquer energia desgastante.

Eu tentei fugir. Ousei nas tentativas de te esquecer e escapar da tua luz. Só que a conexão é tanta que as mãos não são necessárias para me segurar, mas apenas o conhecimento de tua presença. E nesse vai e vem de corpos nos esbarramos e nos pertencemos novamente. Naquele olhar único você sabia que eu pertencia a você e me queria, ao passo que eu sabia que você era meu e eu ainda o queria, mesmo evitando.

Não é por acaso que falam que o que tem que acontecer se concretiza. Você me buscou, passou por cima do que foi vivido para tentar algo mais. Nos encontramos, nos olhamos, nos pertencemos, mais uma vez. Dessa vez todo mundo pôde ver. Você não só me iluminou por dentro como pudemos transbordar esse sentimento por todos os cantos. E o que eu poderia fazer além de abrir os meus braços e me acalentar em teu peito? Seria muita hipocrisia e orgulho se não o fizesse. Tudo o que eu queria desde o início estava ali, se realizando, voltando para mim.  

Você veio na minha direção e eu fui de encontro ao teu, em equilíbrio, como um imã. Precisava desabar, me desmoronar por você. E com os olhos cheios de lágrimas eu cessei a cena encenada, onde vivi a história de uma amante que se doa ao amor incondicionalmente. Com o coração a mil, a plateia estagnada e você comigo não são necessárias palavras, mas apenas a luz que transcende entre você e eu. Seus olhos são caminhos e neles me encontrei. E se agora os cesso é porque dentro de ti eu já me achei. Não preciso de mais nada por agora. Um beijo terno molhado por lágrimas externaliza a complexidade íntima e infinita que acontece dentro do corpo finito: uma verdade tão verdadeira que não precisa ser vista para ser notada, mas é percebida porque é sentida. 

 

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