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Movimento Ferrovia Viva - Por Alex Medeiros

Movimento Ferrovia Viva Por Alex Medeiros

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“Ferroviariamente” tristes, mas decididos

Publicado em 31/05/2015 3 comentários Comente!

Saudoso Engenheiro Aury Sampaio (1923-2015) - Foto AENFER

Saudoso Engenheiro Aury Sampaio (1923-2015) - Foto AENFER

Faleceu um grande ferroviário
Dia 28/05, Aury Sampaio, cearense de Guanacés, engenheiro, tendo diversas funções no universo do modal e fora dele. Sempre ativo em entidades como Associação dos Engenheiros da Leopoldina, Clube de engenharia do Rio de Janeiro, Crea, etc. Homenageado com diversas condecorações e medalhas. Dentre estas últimas, Medalha de Ouro e diploma “Enrique Chanourdie”, no XI Congresso Pan-Americano de Estradas de Ferro. Publicou diversos trabalhos, dentre eles o livro “A Estrada que Trilhei”, sobre a sua vida e, principalmente, sua atividade profissional. Destacamos as várias páginas dedicadas aos fatos quando do seu período como chefe da Residência da Via Permanente em Macaé. Hoje, um imóvel abandonado, invadido, aguardando providências de organismos federais, lerdos, omissos e evasivos ante às reivindicações e propostas dos ferroviários.

Reunião na SPU-RJ
Como escrevi na última coluna, estive, representando o Movimento Ferrovia Viva, em reunião na Secretaria de Patrimônio da União, no Rio de Janeiro. Fui com grandes expectativas. Levei bastante papel na bagagem e muitas interrogações na cabeça. Fui muito bem recebido pelo Sr. Jorge Feijó – Coordenador de Incorporação de Imóveis-COINC. As expectativas foram minando à medida que a conversa avançava. Pelo que ouvi, acredito que, por questões estruturais dos organismos responsáveis por ações reguladoras, regulamentadoras, fiscalizadoras, vai ser muito difícil àqueles que desejam fazer a diferença, conforme as leis, conseguirem êxito no tocante à recuperação, revitalização e manutenção da memória ferroviária. SPU-RJ, IPHAN-RJ e Caixa Econômica Federal, responsáveis por imóveis não operacionais (guarda, valoração, alienação, etc), não agem como deveriam. Vemos imóveis abandonados, sendo dilapidados e invadidos, sem que a legislação seja utilizada para normalização das irregularidades. Ao final do encontro, para o Sr. Jorge Feijó, sem vergonha de escrever que estava com lágrimas nos olhos, confessei meu desânimo. Revelei sobre o desejo de uma ação vitoriosa que “sacudisse” os brios dos nossos aposentados de cabelos brancos. Sem isso fica difícil mobilizá-los. Como convencê-los de que podemos contar com o amparo das leis, se elas não são consideradas?

Meus pensamentos na "rotunda"
Estrada. Viagem de volta. Pensamentos. Um dia depois. Tendo refletido bastante, recarreguei as baterias e reafirmei minhas convicções. Vou propor ao Movimento que continuemos junto com aqueles que ainda respiram esperança no universo do modal ferroviário. Se ninguém nos ouvir, vamos para o MPF, MPE, delegacia de polícia...
Rotunda(ferroviária)é um estrutura ferroviária circular , utilizada para inverter a direção de uma locomotiva.

E-mail enviado ao Sr. Jorge Feijó(SPU-RJ) - Reiterando nossa luta
“Prezado Sr. Jorge Feijó
Confesso que fui com bastantes expectativas para o encontro. Confesso que durante nossa conversa o ânimo pela causa da memória ferroviária ficou prejudicado. Confesso, agora,  que depois de bastante reflexão sobre o que conversamos, de cabeça fria, na verdade, estou mais motivado ainda. Com certeza, não será a burocracia, o pouco ou nenhum interesse de muitos (autoridades e cidadãos comuns), que me desestimularão das lutas. Há as leis. Há canais a serem utilizados.... Utilizaremos.
Agradeço vossa atenção, vossas informações e vossa sinceridade.
Reitero o pedido para que, dentro das possibilidades, mantenha-nos informados e orientados sobre "possibilidades pela causa", pelo que agradecemos desde já.
Manteremos contato, tenha certeza.
Fraterno abraço.
Alex Medeiros”

Desviamos nosso trem, mas os outros não andaram nas linhas
Não conseguimos assimilar a ocupação de imóvel ferroviário, classificado como “não operacional”, aguardando providências da SPU-RJ  e IPHAN-RJ, por organismo da prefeitura de Macaé. Quando ocorreu pela primeira vez, denunciamos e as obras foram interrompidas. Quando invadiram pela segunda vez, mais que denuncia, fizemos proposta de ocupação conjunta, envolvendo a Fundação Macaé de Cultura, Secretaria de Mobilidade Urbana(que ocupou) e a Associação dos Ferroviários. Ninguém respondeu (Prefeitura, SPU-RJ e IPHAN-RJ). Logo a seguir, ampliaram a ocupação. Manifestamos junto ao Ministério Público Federal. Fomos “convidados” a “invadir” o imóvel, pelo Secretário Municipal, informando que reformaria e adequaria um espaço para que utilizássemos. Preferimos ficar ao lado da lei, na expectativa que fosse utilizada pelos organismos afins. Ainda não foram.  

Tirando o trem do desvio...
Diante de tantas lentidões e omissões, sentidas e ouvidas, com desculpas das mais variadas, com autoridades descarrilando leis, avaliaremos sobre a possibilidade de  OCUPAR espaço no imóvel invadido para que os ferroviários também possam fazer uso do mesmo, apesar de irregularmente. Nós que temos legítimos vínculos com ele, não podemos ficar só assistindo, ou melhor, nada vendo. Se não conseguirmos... Bom, aguarde, por favor. Acompanhe por aqui.

Muito obrigado. Até a próxima.

 

Movimento Ferrovia Viva

Por Alex Medeiros

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