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Panorama - Por Regina Oliveira

Panorama Por Regina Oliveira

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Empatia

Publicado em 09/05/2014 sem comentários Comente!

As pessoas se preocupam em ser simpáticas, mas pouco se esforçam para serem empáticas, e algumas talvez
nem saibam direito o que o termo significa. Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, de compreendê-lo
emocionalmente. Vai muito além da identificação. Podemos até não nos identificar com alguém, mas nada impede
que entendamos as razões pelas quais ele se comporta de determinado jeito, o que o faz sofrer e os direitos que ele
têm.
                    Nada impede?
                    Desculpe, foi força de expressão. O narcisismo, por exemplo, impede a empatia. A pessoa é tão autofocada que para ela
só existem dois tipos de gente: os seus iguais e o resto, sendo que o resto não merece um segundo olhar. Narciso acha
feio o que não é espelho. Ele se  retroalimenta de aplausos, elogios e concordâncias, e assim vai erguendo uma parede
que o blinda contra qualquer sentimento que não lhe diga respeito. Se pisam no seu pé, reclama e exige que os holofotes
se voltem para essa agressão gravíssima. Se pisaram no pé do outro, é porque  O OUTRO FEZ POR MERECER.
                    Afora o narcisismo existe outro impedimento para a empatia: a ignorância. Pessoas que não circulam, 
não têm amigos, não se informam, não lêem, enfim, pessoas que não abrem seus horizontes tornam-se preconceituosas 
e mantêm-se na estreiteza da sua existência. Qualquer estranho que tenha hábitos diferentes dos seus será criticado em vez de aceito e considerado.
                   Os ignorantes têm medo do desconhecido e o evitam.
                   E afora o narcisismo e a ignorância, há o mau-caratismo daqueles que, mesmo tendo o dever de pensar no bem público,
colocam seus interesses acima de todos e trabalham só para si mesmos, e aí os exemplos se empilham: políticos corruptos,
empresários que só visam ao lucro sem respeitar a  legislação, pessoas que usam sua posição social para conseguir
benefícios que deveriam ser conquistados pelos trâmites usuais, sem falar em atitudes prosaicas como furar fila, estacionar
em vaga para deficientes, terminar namoros pelo facebook, faltar compromissos sem avisar antes, enfim, aquelas
"coisinhas" que são feitas no automático sem pensar que há alguém do outro lado do balcão que irá se sentir prejudicado ou
magoado.
É um assunto recorrente: precisamos de mais gentileza e etc e tal. Só que, para muitos, ser gentil é puxar uma cadeira para
a moça sentar ou juntar um pacote que alguém deixou cair.
Sim, todos muito gentis, mas  COLOCAR-SE no lugar do outro, vai MUITO ALÉM  de POLIDEZ, e é o que realmente pode
melhorar o mundo em que vivemos. A cada pequeno gesto diário, a cada decisão que tomamos, estamos interferindo na
vida alheia. Logo,sejamos mais empáticos do que simpáticos. Ninguém espera que você e eu passemos a agir como
heróis ou santos, apenas que tenhamos consciência de que só desenvolvendo a empatia é que se cria uma corrente de
acertos e responsabilidade - se colocar no lugar do outro não é uma gentileza que se faz, é a solução para sairmos dessa
BARBÁRIE DISFARÇADA, e sermos uma SOCIEDADE CIVILIZADA DE FATO.
 
 (Martha Medeiros)

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