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Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

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Museu Nacional - Um ano após o incêndio

Publicado em 15/09/2019 sem comentários Comente!

Museu Nacional com a cobertura provisória

Museu Nacional com a cobertura provisória

Há pouco mais de um ano, quando recém comemorava o  200º,   no dia 02 de setembro de 2018 o Museu Nacional, localizado na Quinta da Boa Vista, palco da monarquia no Brasil e também da recente república, viu o abrigo de um dos maiores acervos da história natural da humanidade ser consumido por chamas e destruir quase algumas coisas por completo e danificar uma série de outras coisas.

Na época vimos atônitos uma série de fatos que nos deixaram boquiabertos. Como pode um patrimônio de tamanha importância chegar ao tal estado de precariedade a ponto de incendiar? Como a negligência ignora alertas como a carta enviada por um arquiteto da preocupação que as instalações ocasionassem tamanho dano? Não bastasse ter ocorrido o incêndio outra coisa que nos causa raiva e tristeza foi o combate às chamas. Como pode não ter uma estrutura, uma brigada 24 horas para debelar as chamas? É certo que o tempo é um fator primordial para a extinção de um incêndio ou não, quando se extermina um foco rapidamente, de fato ele não toma proporções maiores. Não houve brigada, não houve água nos hidrantes.

Passado um ano do sinistro, resta-nos a luta para reerguer o que o fogo apagou. O que na época foi muito retratado, talvez esteja um bocado esquecido pelo tempo, pelas mídias e por nós mesmos. Buscamos um país com mais educação, mais qualidade de vida, mais justiça social e, entretanto, enquanto olhamos para a grama dos vizinhos, esquecemos de regar o nosso jardim. Como será que está esse patrimônio do Brasil e do mundo?

Segundo informado através do site oficial, as obras emergenciais chegaram ao fim e agora se inicia a fase de reconstrução da fachada e a instalação do telhado definitivo.

19% das coleções que estavam nos prédios Horto Botânico, ou seja, 7 coleções não tiveram itens atingidos, 35% das coleções, ou seja, 13 com itens sendo resgatados e 46%, ou seja, 17 coleções foram perdidas ou restam muito pouco delas. Sabemos que mais de cinco mil peças por hora foram resgatadas como um todo.

As doações das pessoas físicas e jurídicas chegaram a mais de 300 mil reais (a pesar de ser um valor importante e também existirem outras fontes de doação, de certa forma eu fico espantado; estava fazendo uma analogia à “vaquinha” feita para a construção do novo Centro de Treinamento do Vasco da Gama – em pouco menos de um mês foi angariado valor superior a 2 milhões de reais. Por que um museu que tem tamanha importância e que é de todos os brasileiros e retrata a história natural de diversos lugares do mundo não conseguiu nem um 1/6 dessa marca?

Olhando o copo meio cheio, conseguiu-se angariar através do Ministério da Educação o valor de 16 milhões. Desse valor 8,9 milhões foram utilizadas em obras emergenciais (escoramento das paredes, cobertura provisória e instalação de contêineres para receber as peças resgatadas). 908,8 milhões serão utilizados para elaboração do projeto de reconstrução da fachada e do projeto definitivo. 5 milhões serão geridos pela Unesco para a elaboração de dois projetos, um para a reconstrução interna do Palácio e outro para as novas exposições. A diferença de 1,1 milhão será utilizada para a aquisição de mais contêineres.

Outras captações, feitas pela Associação de Amigos do Museu Nacional captaram entre 6 de setembro de 2018 e 06 de junho de 2019 o valor de R$ 323 mil. No evento de comemoração dos 201 anos – entre os dias 08 e 09 de junho, a instituição recebeu 554 doações totalizando mais de 23 mil reais.

A Alemanha doou 180,80 mil euros para a aquisição de equipamentos como câmeras fotográficas, computadores e lupas. No dia 08 de junho de 2019 no evento de abertura das comemorações dos 201 anos do Museu Nacional, o cônsul-geral da Alemanha no Rio de Janeiro, Klaus Zillikens, anunciou a doação de mais de 145 mil euros para a recuperação de toda a parte elétrica do Museu Nacional. Desse valor, até agosto de 2019 o Museu Nacional recebeu apenas 50 mil euros. A Alemanha prometeu como anunciado pelo próprio cônsul, até 1 milhão de euros, a serem repassados de acordo com as necessidades da instituição. O British Council doou R$ 150 mil para realização de intercâmbios educacionais e relações culturais dos professores e alunos do Museu Nacional.

Recentemente, a UNESCO lançou edital para contratação de empresa especializada para elaborar o novo projeto de reconstrução. A empresa vencedora da licitação deverá iniciar os trabalhos já em setembro e o período de execução será de 70 dias. Outras etapas estão programadas, como a contratação dos projetos de Museologia e Museografia, e a elaboração de projetos básicos para restauração e reforma de elementos integrantes do Palácio, como os Jardins das Princesas, o Terraço e o Anexo Alípio Miranda.

O meteorito Bendegó, intacto, foi escolhido pelos pesquisadores como símbolo da resistência. A ele se somam 5 mil peças resgatadas. 50 salas já foram esvaziadas e limpas e ainda restam 21 salas.

A retiradas das peças e dos escombros deve ser totalmente retirado no primeiro semestre do ano que vem.

A previsão é que o Museu Nacional reabra em 2022 (parcialmente), nas comemorações do 200 aniversário da Independência do Brasil. A reabertura total deve ocorrer em 2025.

Recentemente a mineradora Vale do Rio Doce assinou protocolo de intenções com o compromisso de doação de 50 milhões de reais; além disso a Reitoria da UFRJ está em conversa com outras empresas para que essas outras empresas também participem da missão de resgate e reconstrução do Museu Nacional.

 

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