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Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

Dimensão Arquitetura Por Luis Paulo Guimarães

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São as águas de março...?!

Publicado em 19/05/2019 sem comentários Comente!

Um dos lugares que mais são afetados pelas fortes chuvas, a região da Cidade Universitária completamente alagada. Fonte: Cidade Reclama

Um dos lugares que mais são afetados pelas fortes chuvas, a região da Cidade Universitária completamente alagada. Fonte: Cidade Reclama

Olá amigos! Como vão? Aproveitando a carona dos eventos dessa semana, vou tratar de um assunto que será cada vez mais pauta das nossas conversas nos nossos trabalhos e círculos de amizade – eventos extremos do clima. Talvez algumas pessoas vejam essa matéria com reticência, afinal, vou tocar em pontos que podem ofender visões pessoais; mas não posso deixar de expressar o meu pensamento.

Tivemos uma semana caótica, chuva, alagamentos, deslizamentos em um número diverso de lugares.

Fazendo uma reflexão, quase um “mea culpa”, volto à conversa que tive com um amigo, quando imputei à gestão do prefeito Marcelo Crivella no Rio o caos com o temporal que houve em abril, contudo, não eximo a atual gestão pelos problemas; e isso serve para diversas administrações pelo país afora.

Certo que não é de hoje que os problemas ocorrem, contudo, estamos no cerne de poder mudar os caminhos percorridos até hoje, ou então lidar com um problema que só deverá se tornar cada vez mais extremo e atribuir à vontade de Deus.

Ainda hoje há grupos que defendem que não existe o aquecimento global, e o pior de tudo é que diversas dessas pessoas ocupam cargos governamentais, capazes de influenciar a tantas outras pessoas e tomar ações contrárias à uma agenda global que visa várias medidas mitigadoras para evitar que o aquecimento global provoque (mais) mudanças no clima.

Infelizmente, as mudanças climáticas já são uma realidade. Atentos a isso, diversos países buscam e aplicam técnicas que vão de encontro às expectativas de quem pretende reverter o impacto causado pela industrialização no clima. Uma das principais mudanças que está ocorrendo é o uso de carros elétricos, que devem substituir o modelo que emite toneladas de gás carbônico na atmosfera.

Outras medidas criam um ambiente urbano menos hostil, e é onde iremos focar na matéria.

Essa semana, em que a capital do nosso Estado foi assolada novamente por chuvas que causaram grandes transtornos, o interior do Estado não ficou para trás. Especificamente em Macaé, tivemos diversos pontos de alagamento, um trecho do viaduto no Alto dos Cajueiros que está em reforma cedeu, uma árvore caiu e bloqueou o trânsito na linha vermelha e tantos outros problemas.

Eu estava vendo uma publicação no Facebook do Igor Sardinha, atualmente Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico em Maricá, que ponderava sobre todas as questões costumeiramente retratadas quando há fortes chuvas, e sobretudo tratava de algo singelo, porém não menos importante – ele lembrou das vias que antes eram paralelepípedo e hoje se tornaram asfaltadas. É algo empírico, todos sabemos que vias asfaltadas demoram mais para escoar a água do que vias com paralelepípedo. Antes que pensem que há algo retrógrado nisso, essa é uma visão amplamente defendida na esfera do planejamento urbano, aliás, não que não deva haver asfaltamento, mas as vias já calcetadas com paralelepípedo podem ser mantidas em certos trechos, como nas laterais das ruas ou nos cruzamentos. O asfalto, além de ser mais impermeável, acelera a velocidade da água (fora o fato de ser mais quente).

Existem campos de pesquisa para poder criar também meios de melhorar a absorção do solo, seja pelo asfalto, seja pelo concreto, entretanto, nos vemos em um labirinto onde as pesquisas se veem ameaças pelo corte de verbas. Sem entrar no mérito da questão, Macaé, por exemplo, é uma cidade amplamente ligada à cadeia do petróleo. Hoje já nos defrontamos com um cenário incerto – a variação do preço do Barril do petróleo no mercado internacional; a oferta de petróleo em “melhor estado” e de melhores condições de extração em outros lugares do mundo, e claro, aquilo que já citei, o caminho inverso à queima de combustíveis fósseis, ou o uso de plástico, entre outros.

Macaé não pode ficar à mercê daquilo que vai acontecer com o petróleo, ainda não nos recuperamos da crise que teima em não passar, mas certamente o “golpe de misericórdia” acontecerá se ficarmos reféns dessa cadeia de produção. E por que não diversificar o parque industrial? Por que não investir em pesquisas, na tecnologia de inovação, em ações que irão propiciar o bem para a cidade de modo geral? Um dos nichos de mercado que devem ser explorados dizem respeito a infraestrutura urbana, ao mobiliário urbano, e tudo o que compõem esse cenário com termos tecnológicos.

A cidade de Macaé tem diversas peculiaridades que potencializam situações caóticas – construções em áreas irregulares, mudança do curso natural do Rio Macaé e de outros canais, aterros, o nível de diversos pontos da cidade em relação ao nível do mar, etc.

Dentre os caminhos para a cidade, podemos citar a forma como o lixo (não)é acondicionado. Deixado muitas vezes simplesmente nas calçadas, estes se tornam alvo dos animais de rua, que rasgam as sacolas, espalhando o lixo que entope os bueiros; não que deva ser imputado apenas aos animais a balbúrdia (com ironia por favor) pelo lixo nas ruas, mas uma forma de evitar que isso ocorra é disponibilizar coletores nas calçadas que acondicionam o lixo no subsolo. Além de evitar que o lixo se espalhe, evita o mal cheiro, e propicia que o caminhão de lixo possa passar com um intervalo maior do que regularmente costuma passar, evitando também situações como proliferação de ratos, baratas e as doenças que estes causam, especialmente em ocasiões de inundações.

Lixeira instalada em fundo falso sob as calçadas permite acondicionar melhor o lixo. Fonte: Folha do Sul Gaúcho

Outra medida que também contribui para escoar é o uso adequado de mobiliários urbanos, como aquilo que conhecemos como gola de árvores – estas podem ser substituídas por grelhas, que além de não interromper a circulação das pessoas, permite que a água chegue ao solo. Há outros desenhos da cidade que também criam além de uma ambiência mais bonita um melhor escoamento das águas.

Exemplo de gola de árvore. Além de embelezarem, protegem a planta do pisoteio e garantem drenagem adequada contribuindo para evitar (ou amezar enchentes). Fonte: Pinterest

Recentemente eu vi o vídeo de um engenheiro e não tem muito tempo que conversava com um amigo sobre a canalização do canal próximo ao novo hospital da Unimed aqui em Macaé. De forma notória melhorou um bocado nas imediações da linha verde onde fica o canal, ora debaixo da terra, contudo, a água tende a procurar outros caminhos, e quando uma obra dessa dimensão é feita, os impactos devem ser estudos para que uma solução por um lado não acarrete problemas por outro.

 

 

Há outras tantas soluções de infraestrutura urbana, e cada uma deve ser estudada para ser aplicadas. Não podemos deixar de considerar fazer também a nossa parte, medidas como a captação de água dos telhados e o telhado verde, que em alguns lugares têm se tornado obrigatório são ações que colaboram para que possamos ter uma cidade realmente mais justa para todos.

Jardim de chuva - Foto: Glen Dake

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