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Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

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O caos nosso de cada dia

Publicado em 16/03/2019 sem comentários Comente!

Imagem retrata um pouco do cotidiano de quem se arrisca a usar o transporte público - foto: Cidade 24h

Imagem retrata um pouco do cotidiano de quem se arrisca a usar o transporte público - foto: Cidade 24h

Olá meus amigos! Como vão? Essa é a primeira edição do ano novo; bom, ao menos do ano novo que começa depois do carnaval. Peço desculpas pelas brincadeiras, mas a ideia é poder escrever de forma mais amena – já são tantas notícias acachapantes que nossas mentes merecem relaxar um pouco.

O conteúdo de hoje é um pouco diferente da maioria das publicações, hoje vou compartilhar com vocês sobre uma área em que me sinto muito confortável falar – urbanismo.

Esse é um assunto que diz respeito a todos, que muitas vezes é relegado pelas autoridades e que muitas pessoas talvez vejam de forma distante. Hoje vou falar da nossa casa maior – a cidade! Especialmente vou falar sobre transportes.

Talvez algumas pessoas não gostem de ver essa matéria, mas é necessário colocar o dedo na ferida e buscar soluções.

Já tem alguns anos que moro em Macaé. Antes mesmo de vir morar aqui já experimentei um pouco dos transportes públicos daqui. Sim, no plural mesmo – transportes – ao menos poucos anos antes de vir morar aqui as pessoas podiam usar o ônibus ou as vans. Não vou apontar se era melhor antes, por que só vinha à passeio eu não estou bem lembrado como era.

Um primeiro impacto que tive ao chegar em Macaé foi de que quando o ônibus se aproximou do Terminal Central eu achar que estava chegando na rodoviária, tão logo fiquei frustrado ao descobrir que não era a rodoviária e que a rodoviária era (é) esse lugar muitas vezes caótico por que já não comporta mais o crescimento da cidade.

A maior parte do tempo em que moro aqui o meu transporte sou eu mesmo – faço muitas caminhadas; quase sempre o meu local de trabalho e outros lugares para que tenha que me deslocar são próximos; mas muitas vezes que tive que pegar ônibus achava isso revoltante; isso influenciou escolher como tema para finalizar o curso técnico em edificações em 2010 um terminal náutico. Uma das coisas que me perguntava e me pergunto até hoje é da condição nada explorada para transportes dessa grande orla, de uma grande lagoa e um rio com um grande trecho navegável. O transporte em barcas é capaz de levar até 25 vezes o número de pessoas que um ônibus transporta.

Fazendo um flashback, lembro que quando vim morar aqui, por diversas vezes me confundi com essas questões de ônibus. Certo que já de muito tempo as prefeituras de diversas cidades do Brasil e mundo a fora têm padronizado as cores nas frotas de ônibus como medida de diminuir a poluição visual; todavia, essa padronização não significa que todos os ônibus que circulam terão exatamente as mesmas cores – muitas vezes as cores principais são as mesmas e o que diferencia são alguns detalhes, fazendo identificar por exemplo se a linha é norte ou sul, ou centro e por aí vai.

Pra ajudar ainda, tem linhas com o mesmo número, porém com itinerários diferentes – por exemplo – você pode pegar um T 51 e ir até o Parque de Tubou ou pegar um T-51 que volta para o Centro quando chega no Novo Cavaleiros. Empiricamente as pessoas veem o número e entram no ônibus.

 

 

 

Quando fazia pouco tempo que eu morava na cidade, eu peguei um ônibus, cujo o número é igual ao ônibus que faz outra rota, porém eu não sabia dessa peculiaridade. O ônibus seguiu por outra via, perguntei ao motorista sobre a rota e ainda ficou bravo comigo. Certamente isso continua a acontecer, não tem umas duas semanas que um senhor pegou o T-51 (Firmas) e teve que descer no Novo Cavaleiros por que achou que o ônibus iria para o Parque dos Tubos.

Outra coisa que não está clara, principalmente para quem está só de passagem é de que nem todos os lugares têm terminais. Lá pelos idos de 2008 ou 2009, não estou bem lembrado, estava voltando do shopping Plaza para casa, e a fila para pegar o ônibus era monstruosa no sentido Centro; então resolvi ir para o Terminal Vila Moreira – ao menos na minha concepção era de que todos os ônibus iriam pra terminais. Só soube que não era isso quando cheguei ao ponto final em um local ermo (mesmo sem descer do ônibus tive que pagar outra passagem para voltar para o Centro).

Houve durante um período um fôlego no quesito de transporte público – ao menos em termos de esperança. O VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) colocaria Macaé com um transporte de alta capacidade e de ponta, contudo, o desfecho já sabemos. As composições nunca transportaram sequer um passageiro e hoje estão ao léu esperando ficarem completamente inutilizáveis que não será sequer possível devolver e pegar o dinheiro de volta.

Ainda no mesmo período do VLT circulou um ônibus grande e desengonçado, que transportava aproximadamente 150 pessoas, contudo, o gigante não conseguia ter bom desempenho por que era grande demais para contornar as ruas da cidade.

Voltando os olhos para os dias de hoje e para o futuro, creio que ou estamos na contramão daquilo que se apregoa ou que ainda estamos atrasados, vivendo uma fase que outras cidades já viveram anteriormente, e se for assim, me pergunto por que não olhamos para os erros já cometidos para não precisar experimentar os mesmos erros?

Não entrando no mérito sobre a questão do monopólio do transporte, mas considerando o transporte em si. Primeiro – vejo muita demagogia, pessoas que dizem que o transporte público deve ser preferencialmente usado muitas vezes não andam de ônibus uma vez sequer na semana.

Por certo que a concorrência ajuda a melhorar os serviços, uma empresa tenta ser destaque em relação a outra para que os serviços sejam de predileção dos clientes. A diversificação de modais no caso de transportes também é bem-vinda.  Um fato comum é ver que muitas pessoas passaram a adotar o uso de bicicletas, principalmente como meio de transporte entre suas casas e o trabalho; infelizmente parece que isso não se obtém devido a implantação de ciclovias/ciclofaixas (embora tenha ocorrido isso, elas ainda são insuficientes, inseguras e sem continuidade).

Outros modais como o VLT ou mesmo o transporte marítimo poderiam integrar a pauta daqueles que comandam a pasta na cidade.

Nessa semana houve a inauguração da nova pista do Aeroporto de Macaé com a entrega também do novo terminal de passageiros; e, seguimos ávidos pelo porto no Barreto – dois modais de peso na cidade, e a cidade não resolve o seu problema interno de transporte.

 

De 2008 pra cá o transporte em si parece ficar degradado dia-a-dia. Eu ficava feliz por poder fazer minhas caminhadas e não precisar andar de ônibus, mas ficava consternado de ver o que hoje sinto na pele.

Antigamente as pessoas entravam pela porta de trás do ônibus, passavam a roleta e desciam pela porta da frente. Hoje em dia o simples fato de ter que descer pela porta traseira aumentou a insegurança dos passageiros, visto que ônibus tão lotados não permitem muitas vezes que os motoristas vejam se tem mais pessoas descendo.

Hoje, além de motorista, convenientemente (para as empresas) os motoristas exercem duas funções – dirigir, receber e dar trocos, fato que por si só já aumenta o intervalo das viagens; imagina a cada ponto ter que fazer isso. Cada vez você nota a pressão em cima dos motoristas – ruim para a saúde deles e maior risco para os passageiros.

Macaé precisa de um estudo que aponte melhorias para a circulação. A criação de corredores viários pode ajudar a diminuir o intervalo entre as viagens – algo que o arquiteto e urbanista Jayme Lerner chama de “metronização” do ônibus, implantado com louvor em Curitiba e que se expandiu muito bem mundo a fora (exceto quando interesses escusos estão acima dos interesses da população, como por exemplo o BRT – Bus Rapid Transport do Rio).

Um equívoco é continuar utilizando terminais de integração como se faz para o Sistema Integrado de Transportes – que aliás, deveria chamar-se de Sistema Integrado de Transporte, que integra apenas ônibus x ônibus. Os terminais, além de serem um espaço que poderiam ser utilizados de outra forma, como uma escola, hospital, praça, enfim, são espaços que devem ser passar por manutenções periódicas para evitar que causem acidentes como o ocorrido no terminal central antes das reformas.

Os terminais também concentram os ônibus em um só lugar – ou seja, são capazes de provocar um nó no trânsito, especialmente na hora de rush. Para solucionar a questão da integração as pessoas poderiam utilizar um bilhete eletrônico e que durante o período de duas horas por exemplo desceriam onde fosse mais útil a elas tomando o ônibus para o destino final.

A prefeitura e a empresa de ônibus precisam rever urgentemente essas questões para evitar um colapso que é só questão de tempo.

 

Se você tem dúvidas, sugestões pode entrar em contato através do WhatsApp: (22) 9 9714-3227 ou através do e-mail arquiteto.luispauloklein@gmail.com

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