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Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

Dimensão Arquitetura Por Luis Paulo Guimarães

Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

Rio – Capital Mundial da Arquitetura. Orgulho e Responsabilidade.

Publicado em 19/01/2019 sem comentários Comente!

Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil! Vista parcial do Centro da cidade com os arcos da Lapa e a Catedral - Cred.: TripAdvisor

Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil! Vista parcial do Centro da cidade com os arcos da Lapa e a Catedral - Cred.: TripAdvisor

Muita gente daria os parabéns à cidade do Rio de Janeiro no dia de hoje, 20 de janeiro, feriado, data marcada pelo dia do padroeiro São Sebastião. Muita gente confunde que esse dia seja o dia do aniversário da cidade, já que 1º de março – o dia do aniversário do Rio não é feriado. De qualquer forma, o Rio acaba de receber um grande presente – o título da UNESCO de Capital Mundial da Arquitetura.

Vista da torre da Central do Brasil (Estação D.Pedro II) - Autor: Roberto Magno de Carvalho - Ano:  1937  - Estilo Art Déco e do Palácio Duque de Caxias - Autor: Cristiano Stockler das Neves - Ano: 1941 -  (YouTube)

Muitas coisas passam despercebidas quando se fala na cidade do Rio de Janeiro – seja pelos cariocas (nascidos ou que adotaram a cidade) e pelos inúmeros turistas que por aqui passam.

Como carioca, reconheço o estranho hábito de falar mal das coisas do Rio; porém, esse direito é outorgado apenas aos cariocas, por que outra pessoa que não seja do Rio falar mal é comprar briga (nem tanto, risos).

Algumas pessoas devem estar pensando – mas como assim, tantas cidades pelo mundo, tão mais desenvolvidas que o Rio de Janeiro. Por quê o Rio foi ganhar o título de Capital Mundial da Arquitetura?

Cidade das Artes - Autor: Christian de Potzamparc. Ano: 2013 - Pós Moderno (Vitruvius)

De fato, não podemos apagar as mazelas do Rio. Pobreza, poluição, violência e tantas outras marcas que povoam a grande parte da mídia, são estopim para aqueles que torcem o nariz para o título. Sejamos realistas – problemas existem na maior parte das cidades do mundo.

Lá pelos meus 16/17 anos quando fui me aproximando da arquitetura, uma das grandes aproximações se deu quando eu comecei a pesquisar sobre a cidade do Rio de Janeiro, na qual eu nasci mas não tinha lembranças por que saí de lá muito pequeno, então queria ter uma aproximação.

Naquela época eu não entendia por que se diz arquitetura e urbanismo, mas não demorou muito pra fazer sentido. Uma vez que construímos uma casa, um edifício, um hospital, um shopping – todo esse conjunto tem o seu impacto nas cidades – positivo ou negativo; do mais, há um “diálogo” entre edificações, as pessoas e a cidade – o trânsito, as praças e parques, enfim.

Biblioteca Nacional  Autor: Sousa Aguiar Ano: 1910 - Eclético- (BN - GOV)

 

Estudando um pouco sobre o Rio eu vi as grandes transformações que ocorreram. Primeiramente, a cidade nasceu no local que hoje está de teimosa, sim, eram grandes os entraves. Mar e montanha (e na época muito pântano) deixavam pouco espaço para que ali crescera uma cidade.

A cidade, território de disputa entre portugueses e franceses teve um crescimento lento durante o século XVII, todavia, na segunda metade deste século, com 30 mil habitantes a cidade se tornou a mais populosa do Brasil. A importância passou a crescer com a exploração de jazidas de ouro em Minas Gerais, consolidando o Rio como centro portuário e econômico. Em 1763 o ministro português, Marques de Pombal transferiu a sede da colônia de Salvador para o Rio.

Igreja da Penha - Autor: Luís de Moraes Júnior. Ano: 1870 - Eclético(Flickr)

A vinda da corte portuguesa em 1808 marcou profundamente a cidade. Nos primeiros decênios foram criados diversos estabelecimentos de ensino a Academia Militar, a Escola Real de Ciências, a Academia Imperial de Belas Artes, a Biblioteca Nacional e tantos outros.

Os turistas antes de conhecer o Rio têm a expectativa pelas praias, pelo Cristo e pelo bondinho do Pão de Açúcar – certamente são itens hors-concours. Os cariocas que todavia habitam o Rio talvez tenham perdido o encanto no meio do caos.

Aos cariocas e aos turistas, fica à dica de poder olhar com mais contemplação à essa cidade, que ostenta o segundo maior acervo de estátuas ao ar livre (a primeira cidade neste quesito não é nada menos do que Paris).

Palco de diversas manifestações culturais, são diversos os ícones que pontuam a cidade do Rio. Há uns 15 anos pelo menos tinha uma propaganda que promovia a cidade do Rio que mostrava alguns desses ícones e tinha na narração – podia ser Roma, podia ser Londres, mas é o Rio de Janeiro. Podia ser Nova York, podia ser Tóquio, mas é o Rio de Janeiro. E é verdade! Por aí vai.

Arcos da Lapa. Autor: José Fernandes Pinto Alpoim. Ano: Final do século XVII. Colonial (Visit Rio City) 

Assim como as cidades, que são pulsantes, e que se transformam, diversas mudanças ocorreram e continuam a ocorrer para que a cidade se adapte aos novos tempos; e, já que o tempo não para, também não param as transformações.

Algumas construções ficaram apenas nas imagens e na história – o palácio de Monroe, que nasceu para ser o Pavilhão do Brasil na Exposição Universal em 1904 em Saint Louis, nos Estados Unidos, por exemplo, foi concebido em estrutura metálica, desmontado ao final do evento e remontado em 1906 no Rio. Foi sede provisória da Câmara do Deputados (1914 a 1922) – enquanto se construía o Palácio Tiradentes. Com o apoio de alguns setores da sociedade em 1976 o Palácio de Monroe foi demolido.

Algumas outras construções, como o Museu Nacional na Quinta da Boa Vista, que já foi sede da corte portuguesa e do império brasileiro, bem como da jovem república sucumbiram com o desleixo de várias esferas governamentais. Outras tantas construções enxovalham a beleza do contraste entre o antigo e o novo que se pode desfrutar no Rio. Construções que estão à sorte do tempo, prestes muitas vezes a desmoronar e causar acidentes.

Fachada do CCBB-Rio. Autor: Francisco Joaquim Bethencourt da Silva. Ano: 1880.Eclético. 

Com seus contratempos, o Rio ainda preserva várias construções que retratam diferentes estilos arquitetônicos, diferentes épocas.

Algumas pessoas colocariam – tá, mas e as favelas? Dos quase 7 milhões de habitantes, a cidade abriga mais de um milhão de pessoas vivendo em favelas. Esse modo de habitar, esse contraste, também serve de pano de fundo para conceder ao Rio o título de Capital Mundial da Arquitetura. Este é um tópico pra se tratar a parte. Obviamente, as pessoas devem destrinchar essa questão; lembrar que há muita cultura pulsando nas favelas, e sobretudo pessoas como quaisquer outras, que apenas não podem arcar com os custos (alto custos) para habitar a cidade.

Voltando os olhos para o título – não deve ser encarado apenas como um título, mas como uma missão – a responsabilidade.

Ilha Fiscal - Autor: Adolfo José Del Vecchio - Ano: 1881. Neogótico

No ano que vem o Brasil receberá na cidade do Rio de Janeiro o Congresso Internacional de Arquitetura. São esperados 25 mil arquitetos de toda parte do mundo. Esse contingente se reunirá no 27º Congresso, Todos os Mundos. Só um Mundo. Arquitetura 21. Existe muita história da cidade com a arquitetura. Existem grandes possibilidades para o futuro.

Berço do carioca Oscar Niemeyer, autor de obras na cidade como o mundialmente conhecido sambódromo, o Rio tem assinaturas dos nacionais irmãos Roberto – sede da Associação Brasileira de Imprensa, do Aeroporto Santos Dumont e outros, Affonso Eduardo Reidy nos prestigiou com o Museu de Arte Moderna (MAM) no aterro do Flamengo e com o belíssimo conjunto habitacional no Pedregulho – Prefeito Mendes de Moraes.

Lúcio Costa deixou a sua marca no Palácio Gustavo Capanema, também conhecido como edifício do MEC, é um primor do modernismo no Brasil, empregando entre outros um terraço jardim de Burle Marx e painéis de azulejo de Portinari.

São variados exemplos, nomes prestigiados e outros nem tanto assim da arquitetura do Brasil e do mundo que deixaram marcados seus nomes em suas obras que contribuem para a beleza do Rio.

Museu de Arte do Rio (Porto Maravilha) - Autores: Paulo Jacobsen, Bernardo Jacobsen e Thiago Bernardes. Ano: 2013

Gradjam de Montegny, Ruy Rezende, Santiago Calatrava, Auguste Glaziou, Potzempark, Sérgio Bernardes, beira o sacrilégio nomear a estes e deixar tantos outros de fora, mas não é possível expor todos que deixaram o seu legado na capital Fluminense.

                 O que o futuro nos reserva? Certamente devemos estar abertos às tendências do futuro, assim como tem sido com o passar dos tempos e que pode ser visto ao andar pelas ruas do Rio. O futuro deve abrir as portas para novas oportunidades. Não tem muito tempo que a burocracia fez que o único edifício projetado pela famosa arquiteta anglo-iraquiana Zaha Haddid (falecida em 2016) no hemisfério sul, e justamente no Rio tivesse a ideia de construção abandonada pelos investidores.

Esses entraves parecem muitas vezes ser maiores que os limites impostos pela geografia truncada, cheia de curvas que dá volume, luz e sombras criando um belo espetáculo na cidade, e dificultando a questão da habitação e transportes no Rio.

Certo, que são muitos os encargos que rescindem sobre o empresariado, contudo, não menos ganancioso são alguns setores que tentam lucrar às custas dos turistas. É o taxista que as vezes enrola, são preços estratosféricos para a alimentação, para a hospedagem que muitas vezes quem vence a barreira do medo que se tem da cidade fica assustado com o preço salgado e não quer voltar. Isso é; aquele que poderia visitar os mais diferentes pontos da cidade, conhecer as mais diferentes obras da arquitetura e movimentar a economia da cidade são afugentados.

Museu do Amanhã - Autor: Santiago Calatrava. Ano: 2010. Contemporâneo

O futuro também reserva ao poder público, aos moradores e aos arquitetos e urbanistas. Precisamos de uma cidade inclusiva, com melhores condições de moradia e transportes públicos para todos. As pessoas e o poder público devem acabar com o improviso. É papel dos arquitetos, dos órgãos de conselho e do poder público aproximar a arquitetura das pessoas, desmistificar que a arquitetura seja para poucos.

Palácio Gustavo Capanema - Autores: Lúcio Costa, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Ernani Vasconcelos, Jorge Machado Moreira e Oscar Niemeyer. Ano: 1936. Moderno

Espero que vocês tenham gostado da matéria. Espero vocês na próxima! Apesar de não conhecer a muitas construções e outras tantas conhecer apenas a fachada, os edifícios do Rio que eu mais gosto são o Centro Cultural Banco do Brasil e o Mosteiro de São Bento. E você? Qual edifício que você mais gosta no Rio?

 

Dimensão Arquitetura

Por Luis Paulo Guimarães

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