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Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

Dimensão Arquitetura Por Luis Paulo Guimarães

Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

Rumos profissionais - Para os futuros estudantes de arquitetura

Publicado em 08/12/2018 sem comentários Comente!

Um pouco de um futuro/a arquiteto/a - Fonte: Mundo Geek

Um pouco de um futuro/a arquiteto/a - Fonte: Mundo Geek

 

Amigos e amigas leitoras da coluna. É sempre uma honra poder contar um pouquinho sobre o universo da arquitetura e do urbanismo. Esse ano não tenho sido tão assíduo quanto gostaria. Como já confessei aqui, são muitos os desafios do dia a dia – todos sabem; tive aquela pulguinha atrás da orelha sobre a continuidade, mas, acertado os ponteiros, trago boas notícias. Já tenho conteúdo garantido para abastecer com conteúdo novo em folha. Então, sem mais delongas.

Na semana que vem, mais precisamente no dia 15 é comemorado no Brasil o dia do Arquiteto e Urbanista. A matéria de hoje é um conselho de quem pretende trilhar essa jornada. O ano está terminando, e muita gente no começo de um novo ano também pensa em começar uma faculdade.

A minha decisão por arquitetura e urbanismo foi fluindo, digamos assim. A medida que me distanciava das ciências aeronáuticas – a minha infância e adolescência foi imaginando ser piloto de avião, fui deixando isso de lado, sem traumas.

Em casa tínhamos umas enciclopédias, casualmente alguns assuntos me chamavam a atenção. A arquitetura, mostrando cortes, plantas, esquemas; tudo isso me chamava atenção e eu lia mais e gostava cada vez mais. Também gostava de ler sobre o Rio de Janeiro, sou carioca e era radicado no Rio Grande do Sul, não tinha lembranças da cidade onde nasci, então, pesquisando sobre o Rio ficava admirado com o crescimento da cidade, sobre as mudanças urbanas.

Daí vem a dica 1 – Se você está em dúvida sobre que profissão seguir faça testes vocacionais. Na época eu fiz alguns – hoje a internet pode ajudar muito com isso. Entre os resultados a arquitetura sempre estava por lá.

Decidi ir morar no Rio, na época ainda por completar 18 anos. Através da internet comecei a pesquisar mais... daí vem a dica 2 – Converse com profissionais da área. Eu mandei uns 20 e-mails – pasmem (risos) – através de e-mails que encontrei nas Páginas Amarelas, acho que a maioria de quem está lendo tem idade suficiente para lembrar. Pra quem é muito novo e não sabe ou não lembra, era uma espécie de Google impresso, ok?!

Eu contei sobre a vontade de me tornar arquiteto, lembro que eu citei a minha dificuldade com matemática...apenas duas pessoas me responderam; mas foi o suficiente.

Eu comprava todas as revistas da área, comprava jornal – tenho muito material guardado.

Eu estava obstinado a passar para uma faculdade pública; no caso, na cidade do Rio de Janeiro onde eu morava apenas a UFRJ oferecia o curso. Primeiro baque foi saber que existia o THE – o teste de habilidade específica. Assim como alguns outros cursos, a arquitetura e urbanismo tem um teste, antes da prova de vestibular para saber se você é vocacionado para o curso. Eu não concordava com isso, mas polêmicas a parte fiz o THE e estava muito confiante, até que quando você levanta pra entregar a sua folha de desenho e dá aquela olhadinha para as mesas ao seu lado, de pés no chão você já sabe o resultado e só aguarda a resposta – não passei no THE.

 

Aqui vão mais algumas dicas. Se você planeja fazer uma faculdade de arquitetura e urbanismo pública, deve lembrar que o curso costuma ter tempo integral. Muitas vezes você vai ter duas aulas de manhã, outras três a tarde, um semestre só a tarde, outro só pela manhã – algo do gênero. Isso foi um tanto quanto um empecilho para tentar continuar essa busca.

Se pra você não é uma barreira, além do pré-vestibular – procure saber, pois existem pré-vestibulares a preços bem módicos, senão gratuitos que deixam você preparado para a prova de vestibular ou do ENEM, enfim; e encare algum curso de desenho. Se você acha que não precisa, ao menos recorra a exames de THE anteriores e treine.

Na época eu poderia tentar também a UFRRJ (Seropédica) ou a UFF (Niterói), mas nunca cheguei a tentar.

Fiz um curso de desenho, porém não tentei mais a UFRJ. Muitos anos depois, já morando em Macaé descobri que passei pra Direito na UERJ, mas isso é outra história. Eu não tenho pesar disso. Só pra não deixar passar batido, eu recomendo que vocês sigam a vocação de vocês, e não aquilo que você ou mesmo as pessoas ao seu redor acreditem que dê dinheiro. Ouça as opiniões, sim; tenha suas ponderações, opiniões e convicções e sobretudo, decida por si o seu caminho.

Quando vim morar em Macaé eu deixei de standby a ideia de fazer arquitetura naquele momento. Eu voltei meus olhos para o curso técnico de edificações.

Mais uma dica – aconselho a quem quer seguir o caminho universitário e mal terminou o ensino médio; invés de encarar as cadeiras da faculdade a tentar primeiro fazer um curso técnico. Será um ano e meio ou dois anos de muito aprendizagem. Quando você entrar na faculdade já vai ter um embasamento e não vai se sentir meio perdido ou perdida. De uma forma ou outra você terá encarado alguma experiência profissional e isso te dará melhor base para aquilo que você está projetando.

Muita gente que faz o curso técnico em edificações e depois busca fazer uma faculdade, provavelmente irá optar entre engenharia civil ou arquitetura e urbanismo.

Se você tem dúvida entre escolher uma ou outra, eu digo que elas têm semelhanças, e coisas que as distinguem bastante. As semelhanças estão em questões como o estudo de materiais, como instalações elétricas e hidráulicas, como o estudo de estruturas – certamente nesse campo a grade curricular da engenharia é mais robusta. Já a arquitetura e o urbanismo irá tratar de questões de planejamento e conforto – térmico, acústico, lumínico. Recomendo para você que tem dúvidas que decida por sua própria conta. Como? Conheça a grade curricular dos cursos. Veja como atuam as pessoas de cada área. Faça visitas às faculdades. Particularmente essa dúvida eu nunca tive.

Voltando a minha trajetória para poder continuar traçando as dicas... Eu tentei fazer arquitetura no IFF de Campos, tive êxito no THE, mas não no vestibular, não concordei, entrei com recurso, mas não deu em nada, enfim

Meu amigo, compadre, irmão que trabalhava comigo me convidou pra fazer uma faculdade particular de arquitetura. Pra tentarmos através de financiamento. Eu concordei, embora pensasse que ele estivesse só de “zoeira”.

Outra coisa que você precisa saber. Para passar em um vestibular de uma faculdade particular costuma ser bem mais tranquilo, certo? Certo! Contudo, não quer dizer que a trajetória acadêmica será tranquila também. Se a pessoa não estudar, não se dedicar ela vai escorregar. Digo isso por experiência própria. Não lembro se foi no segundo ou terceiro período, mas quando tive Estruturas II, além de “torcer o nariz” para essa disciplina, que envolve cálculos, a primeira oportunidade de vir para Macaé eu aproveitava, então, foram muitas aulas perdidas. Quase perdi por falta, mas, acabou que perdi por nota.

Assim como eu, diversos outros colegas perderam por não se esforçar. É cansativo! Mas não tem jeito, se não encararmos de frente aquelas matérias que são nosso calcanhar de Aquiles iremos patinar e cair. Vi um bocado de gente boa ficando pra trás e desistindo da trajetória por perder matéria atrás de matéria.

Como eu já confessei, a matemática não era uma das disciplinas que mais tinha afinidade, nunca foi (perdoem-me professores e professoras de matemática). Pra driblar as matérias que eram puxadas ia com meu amigo aos sábados e até domingos encarar aulas particulares com o monitor da turma. Passamos, com dificuldades, mas deu certo.

Pra não crucificar a matemática por crucificar apenas, devo dizer que a matemática aplicada ao curso de arquitetura não foi das coisas mais difíceis, quero dizer, não é um absurdo de difícil, especialmente por que você vê aplicado em coisa que são áreas, volumes, aplica em coisas que você tem afinidade no curso como conforto térmico, acústico e por ai vai.

Muito provavelmente (especialmente se você trabalha e estuda) você vai se tornar uma “pessoa antissocial” – os seus finais de semana serão dedicados a estudar para prova, fazer maquete, fazer projeto de arquitetura, de urbanismo, de paisagismo e por ai vai...Provavelmente você vai estar acordado, duas, três da manhã pra dar tempo de finalizar tudo a tempo – e não é por capricho, é exigência mesmo.

Se você não se importar com nada disso, eu te digo, bem-vindo(a) ao barco. Serão ao menos cinco anos de amizades, correria, e lutas pra poder conquistar mais um degrau.

A próxima fase, que é a vida profissional, continuamos a conversar na semana que vem. Até lá!

 

 

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