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Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

Dimensão Arquitetura Por Luis Paulo Guimarães

Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

E como seria a Arquitetura da URSAL - caso existisse

Publicado em 01/09/2018 sem comentários Comente!

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O "ícone" da URSAL. Imagem: Yahoo Notícias

Meus amigos e amigas que me acompanham na coluna, muitos de vocês devem estar acompanhando o cenário político nacional, uns talvez mais empenhados, outros talvez sabendo aqui ou acolá sobre os acontecidos, enfim, cada um tem uma visão do que pode melhor para o Brasil. Quem acompanhou o debate da Band ou ao menos a repercussão do debate viu o cabo Daciolo “colocar contra a parede” Ciro Gomes para que ele desvelasse os planos para a URSAL – União das Repúblicas Socialistas da América Latina, que segundo o candidato à presidência Daciolo, seria entre outros um plano conspiratório para unificar esses países.

Denúncias à parte, vários jornais fizeram o exercício de divulgar dados desse novo país, em termos econômicos este, teria o PIB de 3,6 trilhões, perdendo apenas para os Estados Unidos, Alemanha, Japão e China

Antes de que me acusem disso ou daquilo, quero expor aqui também a “brincadeira”. Na verdade, uma reflexão. Talvez possamos olhar com outros olhos o mundo ao nosso redor e deixar cismas e preconceitos de lado.

No mundo dos esportes seria detentor de nove títulos mundiais de futebol. Entre tantos outros fatos pontuados a URSAL seria detentora das mais diferenciadas músicas, idiomas, gastronomia.

Esta matéria reúne um pouco da diversificada arquitetura e urbanismo desse grande continente de quase 600 milhões de pessoas. Ao mesmo tempo que brinca com os números integrados da suposta conspiração continental comunista, o olhar da matéria também se volta para as conquistas e desafios.

 

Se é algo que se tem nesse “paisão” é a arquitetura e o urbanismo. Começamos nada menos do que pela civilização Maia. Datada de 1800 a.C. A civilização Maia se estendeu pelos atuais estados mexicanos de Chiapas, Tabasco e a península de Yucatán. A área Maia se estendeu também na área das atuais Guatemala, Belize, Norte de El Salvador e de Honduras. O urbanismo Maia, pode ser dito sumariamente como na divisão do espaço em grandes monumentos e calçadas. As praças públicas ao ar livre eram os locais de encontro das pessoas, por essa razão o enfoque do desenho urbano tornava o interior das construções completamente secundários. A arquitetura maia abarca vários milênios; ainda assim, mais dramática e facilmente reconhecíveis como maias são as fantásticas pirâmides escalonadas do final do período pré-clássico em diante. Durante este período da cultura maia, os centros de poder religioso, comercial e burocrático cresceram para se tornarem incríveis cidades como Chichén ItzáTikal e Uxmal

 

Templo das Inscrições - Palenque - México

Outro nome de peso Machu Picchu, ou com seu apelido – cidade perdida dos Incas – localizado no Peru a 2400m foi construído no século XV. Descoberta tardiamente (1911) devido a sua localização e geologia, apenas 30% da cidade é construção original, o restante foi reconstruído. O local, patrimônio mundial da Unesco.

É impossível falar de todo histórico de todos os países que compõem a “URSAL” nos aspectos que abrangem a arquitetura, mas alguns nomes e algumas construções não podem passar em branco. Oscar Niemeyer, provavelmente o mais lembrado pelos brasileiros, mas não o único – um dos contemporâneos mais favoritos é Jaime Lerner – especialmente no tocante ao urbanismo, e sem dúvida Paulo Mendes da Rocha, Ruy Ohtake, Lina Bo Barde, os irmãos Roberto, Vilanova Artigas, Sérgio Bernardes, Lucio Costa, Burle Marx – nossa! Tô sendo um bocado bairrista e ainda faltam nomes nessa lista.

 

 

 

Olhando para a América de fala hispânica temos os nomes de Clorindo Testa, Zaida Muxí, Ángel Guido (Argentina), os mexicanos Ricardo Lagorreta, Mario Pani, Mathias Goeritz, Tatiana Bilbao (México), Alejandro Aravena, Cecilia Puga, Alberto Cruz Montt (Chile), Alejandro Echeverri (Colômbia), Ricardo Porro, Nicolas Arroyo, Roberto Segre, Hugo Consuegra (Cuba)...e tantos outros nomes que mereciam ser citados, certamente um livro é pouco.

O Laureado arquiteto chileno - Alejando Aravena do escritório Elemental - ganhador do prêmio Pritzker - conhecido pelas obras de inclusão social

Das diversas obras que marcam o cenário nacional e do exterior temos o Cristo Redentor (dando o braço a torcer a engenharia nas mãos do Heitor da Silva Costa) – um dos ícones do Brasil quando se pensa no país lá fora. Ainda no Brasil temos o Palácio Gustavo Capanema, o Museu de Arte Moderna, o Museu de Arte de São Paulo, o Museu de Arte Moderna, o Congresso Nacional, o elevador Lacerda, o Mercado Ver o Peso, os diversos mercados públicos, ademais dos novos edifícios que surgem na paisagem ou que fazem uso do Retrofit.

 

Memorial da América Latina - São Paulo - SP - Oscar Niemeyer

Temos no México a Casa Postal, o palácio de Chapultepec, a igreja de Santo Domingo. No Chile não pode passar despercebida a Catedral de Santiago, o Centro Cultural Palácio La Moneda, as Torres Siamesas. A Colômbia ostenta o primeiro conjunto universitário da América Latina construído de acordo com os preceitos do Movimento Moderno – a Universidade Nacional da Colômbia (1947), a Catedral de Zipaquirá, Monserrate e outros.

 Palácio Chapultepec - México

Os hermanos argentinos nos brindam com o palácio Barolo, Biblioteca Nacional Mariano Moreno, Puente de la Mujer e tantas outras jóias.

Biblioteca Nacional - Buenos Aires - Argentina

Queria poder citar outros nomes, outras obras, mas tenho certeza que vocês entendem a “infinidade” de exemplares. E você? Tem a sua obra favorita? Quer mandar aquele registro de viagem?

Obviamente essas obras estão inseridas dentro de um contexto de cidade...algumas planejadas, outras não, cada uma com seu problema, umas mais e outras menos, esse tempero de samba, salsa e merengue, tango e cumbia movimenta a vida de milhões de pessoas.

MAIORES CIDADES DA URSAL (Região Metropolitana)

1º São Paulo – População – 19.616.060

2º Cidade do México – População – 19.231.829

3º Buenos Aires – População – 13.044.800

4º Rio de Janeiro – População – 11.478.000

5º Bogotá – População -  10.244.480

6º Lima – População - 9.241.961

7º Santiago – População – 6.402.552

8º Belo Horizonte – População – 5.397.945

9º Porto Alegre – População – 4.397.326

10º Guadalajara – População – 4.112.332

Com 103.167.285 habitantes essas regiões metropolitanas correspondem a quase 20% da população do continente.

Ainda falando de números expressivos, existe na URSAL duas megalópoles. A megalópole mexicana (Megalópole do México) abrange uma área de 7.815km² e com 173 municípios tem a população de quase 28 milhões de habitantes.

No Brasil temos a megalópole Rio-São Paulo, que abrange a população de 42 milhões de pessoas, tem uma área de quase 83km², composta por 232 municípios tem como principais centros urbanos – São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas, Jundiaí, Piracicaba, Santos, São José dos Campos, Sorocaba, Duque de Caxias, Volta Redonda, Petrópolis e Niterói.

Olhar para alguns desses lugares como exemplos de cidade, e por o dedo da ferida de outros lugares. Cada lugar tem seu entrave e seu potencial.

Em um ranking que avalia o IDH (Índice de Desenvolvimento Social) das cidades listadas acima, a portenha Buenos Aires está em 93º lugar, seguida de Santiago (95º), Rio de Janeiro (118º), São Paulo (121º) e Bogotá (129º).

Algumas experiências podem ser vistas como exemplares, e talvez devam ser observadas e repetidas, ainda que adaptadas a realidade local. Buenos Aires, por exemplo, revitalizou a sua decadente região do Puerto Madeiro, a sua zona portuária em um bairro que é certo as pessoas visitarem – isso a partir da década de 90. Aqui no Brasil, recentemente o porto do Rio de Janeiro passou por diversas transformações através do programa (Operação Urbana Consorciada) Porto Maravilha – novo modal de transporte o Veículo Leve Sobre Trilhos, a retirada da avenida perimetral, sendo substituída pelo Túnel Rio 450, o boulevard olímpico e novos equipamentos como o Museu do Amanhã e o Museu de Arte do Rio.

Certamente, não apenas esse projeto como tantos outros devem sofrer manutenções para que não se degradem, resultando em mais gastos públicos e o desinteresse do público em geral.

A URSAL tem grandes desafios, um a cada três famílias; ou aproximadamente 59 milhões de pessoas, vivem em uma moradia inadequada ou construída com materiais de baixa qualidade.

Também não são menores os quesitos de poluição das águas, do ar, enchentes, deslizamentos, terremotos, transportes, segurança pública...enfim, inúmeros problemas, mas que não são exclusivos deste continente. Também é grande a beleza, a diversidade e a força e a solidariedade desse povo.

Até semana que vem!

 

Dimensão Arquitetura

Por Luis Paulo Guimarães

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