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Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

Dimensão Arquitetura Por Luis Paulo Guimarães

Dimensão Arquitetura - Por Luis Paulo Guimarães

Parabéns Rio de Janeiro (atrasado, mas não esquecido, nunca) e prêmio Pritzker da Arquitetura

Publicado em 10/03/2018 sem comentários Comente!

Vista da silhueta da cidade do Rio de Janeiro

Vista da silhueta da cidade do Rio de Janeiro

Minha alma canta, vejo o Rio de Janeiro. Assim como fazemos com amigos e conhecidos – atrasado, mas não esquecido - Parabéns São Sebastião do Rio de Janeiro pelo 453º aniversário (quadricentésimo quinquagésimo terceiro, se deu aquele branco).

Ainda estamos no mês de março, e o primeiro dia do mês é celebrado o aniversário da Capital do Estado de mesmo nome. Em 1º de março de 1565, Estácio de Sá fundou a cidade, que também é conhecida como cidade maravilhosa.

Apesar de estar há 3 horas da Capital, não poderia deixar de reconhecer a sua influência, em todos os aspectos. Fernanda Abreu uma coisa muito certa – purgatório da beleza e do caos. A cidade foi cantada, escrita, filmada por brasileiros e estrangeiros de todos os cantos. Quem não é nato do Rio, muitas vezes adota a cidade para si.

Olhando para quando essa cidade começou, tínhamos um bocado de entraves para que ela não vingasse; espremida entre o mar e a montanha, a cidade alagadiça, com vários pântanos foi ganhando importância – o seu porto escoava das Minas Gerais o ouro e os minérios para fora, logo mais fora o açúcar. Com a transferência da Capital de Salvador para o Rio de Janeiro e a posterior vinda da família real portuguesa, a cidade cresceu em tamanho e foi aos poucos ganhando ares de sofisticação.

No princípio de 1900, o arquiteto e urbanista, prefeito da cidade Pereira Passos faz grandes transformações na cidade. Vários cortiços onde hoje é a Avenida Rio Branco são postos abaixo – e relutantes os moradores ocupam lugares como o Morro da Providência – a própria forma de solucionar o problema com as moradias, do que hoje conhecemos como favela. Conheci já mais de dez anos que o termo favela estaria relacionado a uma planta dita “favila” que se encontrava no Morro da Providência. Pesquisando sobre, encontrei que a origem de favela advém de um episódio da Guerra de Canudos, que se dava na cidade de Canudos e tinha diversos morros, entre os quais o Morro da Favela, que foi assim batizado devido a uma planta Cnidoscolus quercifolius, conhecida popularmente como favela, sendo assim conhecida por produzir uma leguminosa em forma de favo. Alguns soldados que ao regressarem da guerra do Rio de Janeiro e deixaram de receber o soldo, instalaram-se em instalações provisórias erguidas no Morro da Providência, sendo este designado Morro da Favela, em alusão ao local original.

Este era e é uma das grandes questões da cidade – a Capital do Estado tem 763 favelas computadas no censo de 2010, que computava 1.393,314 habitantes.

Um local que hoje tem um dos metros quadrados mais caros do mundo já teve favela – estamos falando da margem da Lagoa Rodrigo de Freitas, mais precisamente onde fica localizado o Leblon (quem já viu as novelas de Manoel Carlos conheceu, como Laços de Família), porém um incêndio “acidental” fez tudo acabar, e as pessoas foram relocadas para um lugar muito, muito distante – mais precisamente para Sepetiba. A questão é que as favelas continuaram a crescer no Rio de Janeiro. Ter as pessoas distantes do Centro da cidade trouxe à cidade a necessidade de investir em infraestrutura em locais distantes, aumentando os gastos públicos e de empresas, como as de transporte, por exemplo. De tudo as favelas cariocas se multiplicaram. Diversas pessoas que aqui chegaram muitas vezes não traziam uma qualificação que as fizesse galgar melhores condições de vida, aliado à isso o preço crescente do solo urbano as fez criar suas próprias soluções de moradia. Uma das questões que mais marca é a dicotomia entre o bairro legal e a favela, muito marcante, especialmente pelo relevo do Rio de Janeiro.

A ausência ou a pouca presença do Estado não vence o crescimento espontâneo. Isso cria muitos problemas. A infraestrutura – esgoto, água, luz muitas vezes são deficitários ou clandestinos. Outro grande problema, na cidade do Rio de Janeiro está ligado a violência. Antes de qualquer coisa, geralmente as pessoas que moram nas favelas são também vítimas da violência. De modo geral moram famílias, pais, mães, crianças que também movem engrenagens importantes à cidade, contudo não tiveram oportunidades.

Na época em que se iniciava a implantação das UPPs (Unidades de Polícias Pacificadoras) o então Secretário de Segurança do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame dizia que aquilo era uma etapa, entretanto, seria necessário ocupar as favelas com educação, arte, lazer. Infelizmente isso ficou apenas no discurso.

Temos a missão de criar melhores condições de vida para todos. Melhorar as condições de moradia, melhorar os serviços e muitas outras coisas. Não existe uma fórmula mágica, existe muito planejamento, diálogo, e mão na massa.

 

Voltando a falar de transformações, tantas outras deram conta de reordenar o trânsito, morros foram postos abaixo (como o Morro do Castelo), aterros foram feitos – inclusive o Aterro do Flamengo, na verdade Parque Eduardo Gomes, tuneis foram abertos; o Palácio de Monroe foi posto abaixo, segundo informado na época por causa das obras do Metrô

Recentemente o Rio de Janeiro experimentou outras grandes mudanças urbanas, capitaneadas pela Copa do Mundo e pelos Jogos Olímpicos, talvez a mudança mais expressiva tenha ocorrido na zona portuária, na Operação Urbana Consorciada Porto Maravilha. Polêmicas à parte, a repaginação removeu da paisagem a perimetral, criou o túnel Rio 450, trouxe novos museus, um novo boulevard.

A cidade é bastante vibrante, é uma grande metamorfose e tem vida própria como qualquer cidade grande. Que no seu próximo aniversário você possa celebrar a paz, a justiça o emprego e tantas outras coisas que os cidadãos que aqui vivem ou transitam tanto pedem.

 

PRÊMIO PRITZKER

 

Na semana passada não publiquei a matéria que gostaria de ter publicado, sobre o Rio de Janeiro; estava com alguns problemas técnicos. Hoje iria falar apenas sobre a premiação Pritzker; que laureia aos expoentes da arquitetura mundial. O Brasil teve a honra de já ter dois arquitetos premiados – Oscar Niemeyer (1988) e Paulo Mendes da Rocha (2006). Esse ano, o dito “Nobel” da arquitetura é do arquiteto indiano Balkrishna Doshi.

O arquiteto é o primeiro indiano a receber o mérito. Nascido em 1927, o arquiteto que morou em Londres e na França trabalhou com Le Corbusier.

Doshi teve mais de cem trabalhos concluídos na sua carreira. Trabalhou em vários empreendimentos habitacionais de baixo custo. Após concluir seu primeiro projeto do tipo na década de 50, disse “parece que eu deveria fazer um juramento e lembra-lo por toda a minha vida: proporcionar a classe mais baixa habitações adequadas”.  O ponto alto desse juramento talvez tenha sido o desenvolvimento da Habitação de Baixa Renda Aranya em Indore. Concluída em 1989, esta rede de casas, pátios e percursos internos oferece habitação para mais de 80.000 pessoas de baixa e média renda, e rendeu a Doshi o Prêmio Aga Khan de Arquitetura de 1993-1995.

O arquiteto indiano Balkrishna Doshi tem continuamente apresentado em sua obra os objetivos do Prêmio Pritzker de Arquitetura no mais alto grau. Tem praticado a arte da arquitetura, mostrando contribuições substanciais para a humanidade, há mais de 60 anos. Ao conceder-lhe a medalha deste ano, o júri do Prêmio Pritzker reconhece sua arquitetura excepcional, refletida em mais de uma centena de edifícios que realizou, seu compromisso e sua dedicação ao país e às comunidades que serviu, sua influência como professor e o excelente exemplo que estabeleceu para profissionais e estudantes de todo o mundo ao longo de sua longa carreira.

Até a semana que vem pessoal!

Assim como não foi esquecido o aniversário do Rio de Janeiro, também não poderia deixar de citar o aniversário da arquiteta e urbanista Bárbara Mocaiber (03/03). Parabéns!

O hall da fama também manda lembranças a Frank Gehry, que completou 89 anos no dia 28/02.

 

 

Dimensão Arquitetura

Por Luis Paulo Guimarães

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