Macaé News
Cotação
RSS
Acosta - Por Lourdes Acosta

Acosta Por Lourdes Acosta

Acosta - Por Lourdes Acosta

CF 2018 chama atenção para o crescimento da violência no Brasil

Publicado em 19/02/2018 sem comentários Comente!


Que o Brasil é um dos países mais violentos do mundo é um fato e que essa violência se disseminou pelos quatro cantos do país é comprovado estatisticamente. Os relatórios internacionais chamam a atenção para o crescimento da violência. Os últimos dados do Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos divulgaram que somente em 2010, foram assassinadas 36.792 pessoas no Brasil, uma média de cem por dia ou de quatro por hora ou ainda uma a cada quinze minutos. A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch chamou a atenção do mundo para a insegurança pública no Brasil. Inclusive para a violência praticada e sofrida por policiais.

A diretora Human Watch Brasil, Maria Laura Canineu criticou a falta de solução para problemas graves na segurança pública no Brasil. A morte de mais de 4.600 mulheres em 2016, principal período analisado, mostra que o avanço das leis Maria da Penha e do feminicídio não foram suficientes para diminuir a violência doméstica.

Segundo os autores do relatório “com metade das vagas necessárias, mais de 700 mil presos e com o domínio de facções, muitos presídios se transformaram em terra sem lei. A falta de assistência jurídica aquece esse explosivo caldeirão onde só em janeiro de 2018 mais de 120 presos morreram em três estados. Uma violência que transborda para as ruas, onde balas perdidas ou direcionadas fazem vítimas entre fardados e civis”.

Na última quarta-feira (14), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou a Campanha da Fraternidade (CF-2018) deste ano, com o objetivo de promover a cultura da paz para a superação da violência. A campanha é nacional e lançada anualmente em todas as dioceses do país.

O te­ma da CF 2018 é “Fra­ter­ni­da­de e su­pe­ra­ção da vi­o­lên­cia”, ten­do co­mo le­ma “Em Cris­to so­mos to­dos ir­mãos” (Mt 23,8). É um te­ma opor­tu­no pa­ra que pos­sa­mos re­fle­tir,  ten­do em vis­ta  o  al­to grau de com­ple­xi­da­de  que o te­ma su­ge­re.  A vi­o­lên­cia per­pas­sa por vá­rios ca­mi­nhos, cu­jos le­ques de­sas­tro­sos re­me­tem-se às es­pe­ci­fi­ci­da­des no con­tex­to hu­ma­no, com pre­ju­í­zos pa­ra fau­na, flo­ra, en­fim pa­ra a vi­da.  São as­pec­tos que con­ver­gem pa­ra um mun­do vi­o­len­to, on­de as pes­so­as não têm mais li­ber­da­de, es­tão en­clau­su­ra­das den­tro de seus la­res.

A reflexão pode ser vista por três eixos: his­tó­ri­co-an­tro­po­ló­gi­cos, só­ci­o­es­tru­tu­ra­is e as ma­ni­fes­ta­ções da vi­o­lên­cia na so­ci­e­da­de. A vi­o­lên­cia na con­vi­vên­cia hu­ma­na é cons­ta­ta­da pe­la cul­tu­ra da ne­ga­ção do ou­tro, dos in­di­vi­dua­lis­mos, au­sên­cia de opor­tu­ni­da­des no tra­ba­lho, nas es­co­las, no meio so­ci­o­cul­tu­ral etc. Já a vi­o­lên­cia nas es­tru­tu­ras so­ci­ais são oriundas da eco­no­mia/mer­ca­do, da  acu­mu­la­ção do ca­pi­tal, do con­su­mo, da de­si­gual­da­de e da vi­o­la­ção dos di­rei­tos fun­da­men­tais. Quanto à vi­o­lên­cia ma­ni­fes­ta­da na so­ci­e­da­de, são enu­me­ra­dos os  mais va­ri­a­dos ti­pos de vi­o­lên­cias que as­sus­tam o mun­do.

- A violência na sociedade é re­ves­ti­da de dor, des­con­tro­le so­ci­al, que pro­mo­ve a de­sor­dem con­ta­gi­an­te no mun­do das dro­gas, da cri­mi­na­li­za­ção, da dis­cri­mi­na­ção do po­bre e do ne­gro, dos po­vos in­dí­ge­nas, das mu­lhe­res ví­ti­mas de vi­o­lên­cia do­més­ti­ca, do fe­mi­ni­cí­dio, da ex­plo­ra­ção se­xu­al e trá­fi­co hu­ma­no pa­ra o  tra­ba­lho. Além disso, inclui a vi­o­lên­cia no con­tex­to ur­ba­no (con­fli­to pe­la ter­ra), in­to­le­rân­cia de ra­ça, gê­ne­ro, re­ligião, vi­o­lên­cia ver­bal e vi­o­lên­cia no trân­si­to – diz o documento da CNBB.

O arcebispo do Rio, cardeal dom Orani João Tempesta, defende a necessidade de acompanhar e reivindicar políticas públicas para a superação da violência. Em um texto escrito por ocasião do lançamento da CF 2018, o cardeal afirmou que é tarefa de todos superar o problema social e fez um desabafo: "Nós sofremos e estamos quase estarrecidos com tanta violência".
_____________________________________
Jornalista Lourdes Acosta – DRT/MTE 911/MA.

Macaé/RJ, 19/02/2018.

 

Acosta

Por Lourdes Acosta

sem comentários

Deixe o seu comentário